Depois
Nunca se julgue superior a ninguém! Depois da virada da morte, você não sabe se a empregada vai ser patroa e se quem estava por cima vai descer e quem estava por baixo vai subir!(Walter Sasso)
É incrivel como depois desta noite fria,
O dia amanheceu ensolarado.
Não como se fosse uma coisa boa para nós...
Mas como se fosse uma claridade na escuridão que ficou minha vida.
Acredito que um dia ainda iremos nos permitir reecontrar-nos, e viver momentos intensos de pura e limpida amizade.
Acredito tambem que meus dias, serão prosperos longe de ti, por que saberei que não estando comigo, estará sempre melhor. Sinto ainda o amor borbulhando aqui dentro... mas é como a agua no fogão... quando apaga, ela esfria.
E quando esfriar, quero ve-la tão bem quanto como estavamos indo.
Quero ver seu sorriso, raiando como este dia de sol no Inverno. Poder sentir vc proxima a mim, sem precisar de você estar ao meu lado.
Deixo mais uma carta de amor.
Acho que eu fiquei desinteressante depois de você ter roubado todas as coisas que me faziam ser eu.
Te amar
Te amarei até meu último dia nesse mundo
E ainda depois estarei ao seu lado, no claro ou no escuro, na sombra ou na luz, pois seu olhar sempre me conduz.
Te amar não é uma tarefa complicada, pois vivo apaixonada, não é como uma lição, pois não é obrigação, é como um hobby, faço porque gosto, faço pelo meu coração.
Por fim falarei sobre minha mania de você,
Minha mania de sempre querer te ter, te pertencer
Querer cuidar, preservar, e ainda, te amar.
Meu perfeito clichê
Não te quero só agora
Não te quero pra depois
Te quero a toda hora
Quero tanto um amor a dois
Esse amor desconhecido
É até palhaçada
Nem te conheço
E já estou apaixonada
Esse amor a distância
Parece brincadeira
Você nem me olha
E só dá você na minha cabeça
Daqui uns dias
Não vou aguentar
Vou falar e falar
Esse sentimento vou ter que confessar
O que sinto, vai saber
esse louco sentimento
Não vou mais esconder
Vai ler as juras e juras de amor
Que fiz a você
Uma pena nossa história hipotética não proceder
Já consigo prever, essa tal de timidez
Impedindo meu perfeito clichê.
Depois que surgiu a impressão digital, impressão digital passou a ser confundida com impressão digital. A que borra o dedo e carimba o documento ou fica em tudo que é tocado pelos dedos, mesmo invisível ao olho nu, agora tem homônimo: Aquela que a impressora de alta resolução deixa no papel, que também pode ser um documento a ganhar credibilidade com a outra impressão digital, a do borrão.
Tenho impressão que esta conversa nada impressionante chega em má hora. E será sempre má hora para isto. Mas quis assim mesmo trocar impressões a respeito de certas impressões que tenho, digitais ou não, somente para puxar assunto. Espero não causar má impressão. Tão má quanto a tal de quando o dedo treme, ou então a outra de quando a impressora está com algum problema.
Como falo sozinho e já imagino impresso em seus olhos o enfado inevitável, ficarei por aqui para não dar impressão de que sou chato, embora seja. Como tudo acabou em crônica, providenciarei uma impressão digital e guardarei de lembrança, com impressão digital e tudo. Assinatura a rogo. Rogo, inclusive, que me perdoe por tomar seu tempo com minhas impressões. Aliás: É impressão minha ou você nem leu esta porcaria?
Ela dorme depois da dipirona,
sua muito e seu rosto se abateu,
este ateu quase reza ou se flagela
numa zona sombria e conflitante...
Gostaria de achar essa fé pop
que saltita nos templos destes tempos,
nos entope do clima entorpecente
de alegria dormente ou convulsiva...
Meu amor se derrama sobre ela
em desvelos, silêncios, atenções,
na capela das minhas esperanças...
Peço ao caos, ao silêncio, à solidão,
palavras de condão pra sussurrar
e fazer com que a febre "vá de retro"...
Ser poeta é sempre não ter falado para ninguém, depois da nítida impressão de ter falado para todo o mundo.
Depois de tantos caminhos e vivências pelos labirintos do fazer cultural, já posso arriscar a minha máxima: Quase nada é tão superficial quanto a crítica especializada, nos casos em que apenas pretende abonar e desabonar publicamente as artes, a literatura e seus fazedores. No meu conceito nenhum ator, músico, artista plástico, escritor, bailarino ou fotógrafo é menos ou mais talentoso porque alguém o rotulou e ao seu produto. O termômetro que determina o sucesso e a eficiência de uma apresentação, mostra ou lançamento é a do público ou clientela, seja por consumo, aplauso, visitação, acesso (...).
O que tenho a dizer de relevante a todo fazedor cultural que sofre com as perseguições renitentes da crítica, não obstante o alcance de seus feitos e o reconhecimento popular, é algo bem simples. Tão simples quanto notório, contundente ou redundante: Se o seu fazer é consciente, não fere a cidadania nem o direito alheio, continue se apresentando para expectadores; cantando para ouvintes; escrevendo para leitores; expondo para visitantes reais, que sabem sentir com os olhos e analisar com o coração.
Quanto a crítica tendenciosa, deixe-a de lado. Sequer critique os críticos, pois no fim das contas, eles têm alguma utilidade: São figuras essenciais para os indivídos que precisam de quem goste ou desgoste por eles.
Depois de tanta vida, comecei a viver. Veio à mente a lembrança do que perdi em vivências consistentes, por acreditar nas disputas mercadológicas; nas corridas para o sucesso notório. Tudo sempre mais público do que pessoal.
Faz tempo, deixei de viver em razão dos outros. Aprendi a saber que estou em mim. Sei me doar sem doer por excesso de autocobrança. Faz-me bem olhar o mundo com serenidade, sem temer a sombra; o anonimato; a classificação nesse concurso instituído por uma sociedade viciada em superar o próximo.
Demorada maturidade. Não tardia, exatamente. Apenas demorada. Em tempo de me recompor, adaptar as sucatas do meu ser e renovar conceitos. Vencer preconceitos. Preencher vazios e me realizar como repessoa.
DEPOIS DO DEPOIS
Cada um tem verdades próprias e as defende com vigor. No entanto, as minhas verdades podem não ser verdades aos teus olhos; aos teus conceitos. À tua maneira de observar a vida; o entorno.
Somos todos iguais, nessa total diferença que harmoniza o mundo. São exatamente as nossas desigualdades que nos tornam completos. Um corpo se faz de membros e órgãos, cada um tem funções definidas, mas todos se apresentam no mesmo invólucro... São o corpo, tanto quanto somos o mundo. Se já tivéssemos entendido este lugar-comum, que tantos dirão do que digo, a humanidade já seria bem melhor.
As disfunções deste corpo insistem, porque muitos não entendem que formamos um quebra-cabeça cujas peças resistem ao encaixe. Pessoas arrogantes, mas que se julgam sábias, enfaixam seus prismas, ditam seus padrões e querem que todos as obedeçam incondicionalmente, para que o planeta seja o que apenas elas querem. São os ditos poderosos, mas que não poderiam nada contra o todo, se o todo - que somos nós - reagisse contra o domínio; a supremacia de alguns.
Precisamos enxergar que as nossas vidas desaguam na mesma existência. Nossos passos nos levam ao mesmo desconhecido e ninguém - exatamente ninguém - sabe o que mora depois do depois. Além das nossas razões, existem aquelas que nos rodeiam. De pessoas que seguem ao nosso lado e também enxergam por esses olhos de ler a realidade; o significado provável de cada momento vivenciado.
Um recado aos arrogantes: Pode ser que no tal desconhecido esteja exatamente a promissória que lhes cobrará o preço extorsivo das razões e dos direitos alheios que os senhores usurpam.
Até lá!
LAÇOS QUE DÃO NÓS
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Todo agora é um aviso do depois;
É o início que fala sobre o fim;
Uma vida que tende a ser a dois
Requer muito critério antes do sim...
Essas pedras da estrada vão pro rim,
Quem amamos se torna o nosso algoz,
Quando amar é doer; e mesmo assim
Persistimos em laços que dão nós...
Viva cada episódio vendo além;
Não apresse uma prece, o seu amém
Só é sábio no justo fechamento...
Nem deguste uma sopa não servida;
Um olhar adequado sobre a vida
Pode até decifrá-la num momento...
DERROTADO E FELIZ
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Depois de ler para Júlia, um clássico infantil que narra a história do pai coelho e seu filho, que trocam declarações de amor mensurando medidas e distâncias*, romântica e descaradamente resolvo plagiar: Digo para minha filha, que o meu amor por ela é maior do que o mundo. Não; do que o mundo, não. Na verdade, maior do que a via láctea.
Como que a incorporar o coelhinho da história, ela me olha pensativa. Orgulhosa, nem me pergunta o que é via láctea. Tira sua cabeça do conforto de meu colo, senta, e com voz tão doce como desafiadora, mostra quem manda nessa questão.
- Olha, pai; eu te amo mais do que o céu! Não, do que o céu, não! Eu te amo mais do que tudo aquilo que os coelhos disseram, e mais do que tudo isso que você ia dizer depois de mim!
Derrotado e feliz; tão feliz quanto aquele coelho pai, não falei mais nada. De fato, a minha filha me ama muito... E também é muito competitiva.
* Referência à fábula ADIVINHA O QUANTO TE AMO, de Sam Mc Bratney
AMOR GUARDADO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Fico aqui me dizendo pra falar depois,
quando a minha palavra encontrar teus ouvidos,
que o que sinto é "tão" puro; tão água potável,
e nós dois transcendemos afetos palpáveis...
Redecoro pra sempre o meu texto suave,
minha clave de sol, de manhã musical
cujo encanto não corta meus nervos e a carne;
só eu sei como corta, mas calo a sangria...
É tamanho desejo amarrado ao temor
deste amor que não sabe se terá resposta;
um edema, um tumor, um câncer de sentidos...
Amo além do que a lei de te amar se permite
no país inseguro do meu coração,
na visão indecisa do que pode ser...
ESTAÇÃO DO ADEUS
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Depois de tantos acenos,
tantas frustrações
e vai e vem,
descobri que a mais triste
das quatro estações,
é a velha estação de trem...
VOLTA INTERNA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Desisti muitas vezes.
Mas logo depois
decidi que o depois
decide por mim.
Foi aí que voltei
do caos, da sombra,
do próprio fim
traçado e pronto.
Converti muitos pontos
em reticências;
voltei a sorrir;
persisti, desisti
das desistências.
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