Depoimento para Mim Mesmo

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A consciência não permite descanso completo, porque mesmo no silêncio ela continua ativa, revisando, questionando, reconstruindo, como se existir fosse um trabalho que nunca termina.

Há uma solidão que não depende da ausência de pessoas, ela se instala mesmo em meio à presença, porque não é sobre estar acompanhado, é sobre ser compreendido, e isso é algo que raramente acontece de verdade.

Há algo profundamente contraditório em continuar, mesmo quando nenhuma razão clara se apresenta, mas talvez seja nessa contradição que nasce a resistência, uma força que não precisa de explicação para existir.

O pessimismo paralisa, o otimismo cego ilude, mas há uma terceira via, a lucidez que luta mesmo ferida. Viver é um ato de resistência consciente, onde cada respiração se torna uma afirmação contra o desgaste do tempo. Não busque eternidade em feitos grandiosos, mas no olhar que, por um instante, foi capaz de enxergar além da superfície. Às vezes, é em um gesto simples que o infinito se revela, quase como um sopro que atravessa o tempo.


- Tiago Scheimann

Há noites em que minha alma pesa tanto que respirar parece um esforço desumano, mas mesmo assim, eu respiro, porque desistir nunca foi uma opção.

A esperança é uma teimosia quase sagrada que insiste em existir mesmo quando tudo dentro de você já desistiu.

A resiliência é a arte brutal de continuar mesmo quando cada parte do seu corpo implora por descanso.

Nem sempre o milagre é a cura, às vezes é a força absurda de continuar mesmo sem ela.

Há uma força invisível em quem decide não desistir, mesmo quando o mundo inteiro já virou as costas.

Mesmo quebrado, eu continuei inteiro o suficiente para recomeçar mais uma vez.

Há dias em que a única vitória possível é conseguir respirar fundo e não desistir de si mesmo, e isso é mais do que suficiente para um ser humano que carrega o peso de galáxias inteiras escondidas atrás de um sorriso discreto e de um olhar cansado.

Nem todo recomeço nasce da esperança. Alguns surgem da exaustão de permanecer no mesmo lugar. Chega um momento em que ficar dói mais do que mudar. E então, sem força e sem certeza, a alma escolhe partir. Não por desejo de novidade, mas por fome de sobrevivência.

Aprendi a sobreviver em terrenos áridos, onde o afeto era escasso e o silêncio, regra. Hoje, mesmo diante do amor, a leveza ainda me causa estranhamento, como se meu corpo tivesse desaprendido o descanso.

Existe uma versão minha que ainda acredita em recomeços. Mesmo depois de tantas despedidas. Mesmo quando tudo me sugere o contrário. É ela que impede meu coração de se fechar por inteiro. É ela que ainda me convence a tentar mais uma vez.

Existem pensamentos que libertam a alma e fazem o homem despertar para si mesmo. Mas existem outros que apenas distraem, anestesiam e mantêm a consciência adormecida diante da vida. E quase sempre, o que separa a libertação da prisão invisível é apenas o tamanho da coragem que alguém possui para enfrentar a própria verdade.


- Tiago Scheimann

Existe uma espiritualidade silenciosa em quem continua respirando mesmo depois de ter perdido partes inteiras de si pelo caminho.

Existem silêncios tão densos que parecem conter orações interrompidas antes mesmo de alcançarem o céu.

Mesmo cercado de pessoas e de amor, a solidão é uma companhia eterna. Não no sentido de estar sozinho, mas no de saber que ninguém compreende plenamente o que sinto, o motivo das minhas lágrimas ou a profundidade das minhas dores. Elas são particulares, habitam um lugar onde apenas eu consigo entrar.


As pessoas ouvem falar delas, podem até imaginar o que representam, mas jamais poderão vê-las ou senti-las da forma como eu as vejo e sinto. Minhas dores crônicas são aquilo que mais detesto em minha vida e, ao mesmo tempo, aquilo que está mais presente nela. Nunca me abandonam. Fazem-me chorar, refletir e imaginar como seria existir sem elas.


Às vezes penso que, se não as tivesse, talvez este texto jamais existisse. Talvez eu fosse uma pessoa diferente, com outros pensamentos, outras sensibilidades e outros silêncios. Por isso, gostando ou não, elas fazem parte de quem sou. Não as escolhi, mas aprendi que carregá-las também moldou a forma como enxergo o mundo, a dor e a própria vida.


- Tiago Scheimann

Nem mesmo a mais primorosa combinação de palavras, nem a narrativa mais vasta e engenhosamente tecida, alcançaria os recantos mais profundos da minha mente. Nela repousam mistérios sem nome, como antigas fábulas esquecidas pelo tempo, fragmentos de sonhos que vagam entre a luz e a penumbra, e segredos que se recusam a revelar sua verdadeira forma. As palavras tentam alcançá-los, mas retornam como viajantes perdidos, incapazes de decifrar por completo os enigmas que habitam esse território invisível.


- Tiago Scheimann

Algumas memórias continuam florescendo mesmo em terras secas.