Depoimento para Mim Mesmo
Quando o “você” morreu em mim…
Foi em uma tarde azul de nuvens-pássaro
Constantei, de repente,
Que morreu em mim aquela distância,
Aquela ânsia
E aquela saudade,
E o você que me torturava…
E eu sorri menino,
De um riso que se desprende em meio ao medo.
Escapa o sorriso, e o coração se vê livre
De qualquer algema que tenha um nome.
E a cabeça pergunta como, onde, quando e por quê,
E o corpo só quer dançar e voar nesses momentos,
Com aquelas nuvens-pássaro
A bailarem com o vento…
Quando a saudade encosta no ombro, eu finjo firmeza para não desmontar, mas tem um pedaço de mim que não dorme só pra te esperar.
Eu não sei exatamente o que sinto.
E talvez esse seja o sentimento.
Há algo em mim que observa a vida
como quem encosta a testa no vidro
e não entra.
Penso demais.
Sinto antes de entender.
E quase nunca entendo.
Carrego uma estranheza mansa,
uma lucidez que cansa,
como se existir exigisse
atenção o tempo todo.
Às vezes sou profunda demais
para momentos rasos.
Às vezes sou simples demais
para explicações longas.
Não é tristeza.
É consciência.
Essa percepção silenciosa
de que a vida acontece
enquanto eu me pergunto
o que exatamente está acontecendo dentro de mim.
E sigo.
Não porque sei para onde,
mas porque parar
seria sentir ainda mais.
Por sua divina ternura,
O amor renasceu
Da forma mais pura
Que em mim resplandeceu!
E nesse tempo abrasador,
A minh’áurea te escolheu!
A CANÇÃO QUE NÃO É MINHA
Existe uma canção em mim,
Uma canção que não é minha.
Ela vaga imortal no meu inconsciente
E arrasta sensações de tempestade e calmaria.
Nas poucas vezes que estou lúcido,
Sou arrebatado de forma cálida.
Eu, que não sou um entusiasta do meu pessimismo provocado por ela, devo esclarecer: entenda, meu pessimismo é meu bom vivant; não é tristeza, desesperança ou solidão, é apenas solitude.
Entenda: meu pessimismo foi construído com bases fortes na canção entoada na alma.
O pessimismo é meu, e ele se agarra a mim como se eu fosse a última fronteira entre a esperança e o desânimo.
A canção continua tocando, cadenciada e ressoando no caminho da alma, um caminho tortuoso e sem fim!
Lembranças
Lembrei-me de você
Tão longe, longe de mim.
Eu faço barcos de papel
Que vão pelos mares a ti,
Como uma lembrança.
Lembre de nós, quando crianças,
Juntos a brincar, a sorrir.
O mundo era nosso:
Você a lua e eu o sol,
Com olhares inocentes.
Quem ouvir o nosso pranto
Vai entender que não queremos
Ouvir a palavra "adeus".
Se algum dia nos unirmos,
Falaremos a sós
Nossos segredos:
Essa nossa dor por não ter
A quem amamos.
Os Deuses Riram de Mim: A Ironia do Olimpo
Não foi o Trovão que me atingiu,
nem a seta cega do Destino.
Foi algo mais sutil, mais devastador:
a gargalhada cósmica, fina e alta,
que ecoou no vazio após minha súplica.
Eu havia erguido altares ao Propósito,
pavimentado caminhos com a Fé.
Eu pedi grandeza, ou talvez apenas justiça,
e em troca, recebi a mais cruel das respostas:
o escárnio daquelas forças que me teceram.
Os Deuses não me puniram por maldade,
mas por pura indiferença lúdica.
Riram não do meu fracasso,
mas da minha ilusão de agência.
Riram da minha pequena e ardente vontade,
tentando dobrar a vastidão inerte do Acaso.
Riram do meu plano de cinco anos,
quando a eternidade opera em ciclos de poeira e estrelas.
O riso deles foi a revelação mais nua:
A vida não é uma tragédia com regras morais,
nem uma epopeia onde o mérito vence.
É uma comédia de erros, escrita por um Panteão
que se diverte com a seriedade de nossas crenças.
E a filosofia do riso divino é esta:
Você é livre para tentar, mas jamais para determinar.
No momento em que o som da sua hilaridade cessou,
eu não me senti humilhado, mas subitamente,
e perigosamente, liberto.
Pois se o meu sofrimento é a piada deles,
se a minha queda é o entretenimento celestial,
então a minha dignidade não está no sucesso que busco,
mas na teimosia de continuar jogando o jogo,
mesmo conhecendo o final,
e ignorando a plateia que gargalha.
O riso deles foi o fim da minha inocência,
e o início da minha coragem e da minha indiferença, os guardando num quartinho qualquer do meu universo...
As sensações que viajam comigo, na mochila às costas, cheia de mim, essas eram pertença minha e ninguém as podia roubar.
Dois gestos singelos, prefaziam o verbo manuscrever. E soltaram em mim, a beleza da escrita à mão e a memória intacta de sonhos, pensamentos de vida registados no papel.
TANKA 001
Ah como te sonho!
Como te cobiço em mim!
És minha alegria,
prazer e melancolia,
no calor do pôr-de-mim!
Você é assim, um sonho pra mim. E quando eu não te vejo eu penso em você, desde o amanhecer até quando eu me deito.
Entre, fique à vontade, você é muito bem-vinda, só precisa confiar em mim, esse é o meu universo, desculpa pela bagunça, não está muito organizado como deveria, todavia, é um lugar bastante acolhedor para as pessoas certas, aquelas que conquistam a minha confiança, que contribuem para que eu siga acreditando que a vida continua sendo uma bênção numa contribuição recíproca, a nostalgia não é sinônimo de tristeza e sim o senso de que chegou o fim do começo
Sempre que eu desperto aquele sentimento nostálgico, focado nos bons momentos de outrora que me faz voltar até o passado, motivado por determinados gatilhos, revisitando lugares, participando de certos reencontros, vivendo de fato ou viajando em pensamentos, eu sinto que já não sou o mesmo de antes e lembro que faz tempo que minha vida começou, então, chegou o fim do começo
Fui aquela versão o máximo que pude, claro que alguns vestígios permanecem comigo e eu seria um tolo se achasse que não tenho nada mais a melhorar, mas até o desperdício pode se tornar relevante para darmos depois o valor devido para aquilo que nunca é o bastante, que fazem valer a pena determinados sacrifícios, oportunidades de recomeços, chegou o fim do começo, eu sinto
Ainda enfrento um excesso de cobranças, conflitos internos, inseguranças, aquela sensação de não ser o suficiente, porém, não são uma constância como eram, desgastantes e tão complexas, sem esperança, que deixaram suas marcas, então, Graças a Deus, a versão que sou hoje, embora muitos não acreditem, é a minha versão melhorada, tem o meu apreço e vou seguindo, pois sinto que chegou o fim do começo.
Pode ser pela bebida, e minhas memorias, mas não sinto a vida vindo de mim.... Curioso, a parte ruim que está em mim, fala até no subconsciente.
"Não quero que meus alunos lembrem de mim pelo currículo ou pelas experiências que acumulei, mas pelo exemplo que deixei e pela diferença positiva que fiz em suas vidas."
Reflexo
Como posso deixar de te amar
Se tens olhos somente para mim?
Chego perto de ti e sorrio
Tu sorris.
Faço caras e bocas
Todos os tipos de trejeitos
Alegrias, tristezas
Mostro-te as minhas rugas
e incertezas
E tu, imitas-me.
Dou-te as costas
Vou-me embora
Tu, nem tá aí.
Como posso deixar de te amar?
Se volto mais velha e sorrio
Tu sorris.
- Relacionados
- Você é especial para mim: frases que tocam o coração
- Poemas sobre Mim
- Textos de aniversário para mim 🎁
- Frases para alguém que não gosta de mim
- Frases sobre mim com motivação e reflexão para crescer e evoluir
- Você é importante para mim: palavras para quem faz a diferença
- Textos de parabéns para mim 🥳🎉
