Depoimento de Amizade que Niguem pode Separar

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Uns homens sobem por leves como os vapores e gases, outros como os projécteis pela força do engenho e dos talentos.

É tão fácil sentir a felicidade como é difícil defini-la.

Afinal de contas, atribui-se preço bem alto às suas conjecturas quando se cozinha um homem vivo por causa delas.

É, por vezes, mais difícil governar um só homem do que um grande povo.

Perante um auditório de tolos, os velhacos tornam-se fecundos, e os doutos silenciosos.

Há algo de tão magnífico com um grande homem: um homem de honra.

Os ricos pretendem não se admirar com nada, e reconhecem, à primeira vista, numa obra bela o defeito que os dispensará da admiração, um sentimento vulgar.

Não há poder. Há um abuso do poder, nada mais.

Entre todas as diferentes expressões que podem reproduzir um único dos nossos pensamentos só há uma que seja a boa. Nem sempre a encontramos ao falar ou escrever; entretanto, o fato é que ela existe, que tudo o que não é ela é fraco e não satisfaz a um homem de espírito que deseja fazer-se entender.

Quase ninguém se apercebe, por si próprio, do mérito de outra pessoa.

Todo o espírito que existe no mundo é inútil para quem não o tem; ele não tem perspectivas sobre nada e é incapaz de aproveitar as dos outros.

O governo é como toda as coisas deste mundo: para o conservarmos temos de o amar.

A solidão liberta-nos da sujeição das companhias.

Não poder suportar todos os maus carácteres de que a sociedade está cheia não revela bom carácter: e isso é indispensável no comércio das peças de ouro e da moeda.

Os homens têm geralmente saúde quando não a sabem apreciar, e riqueza quando a não podem gozar.

A modéstia doura os talentos, a vaidade os deslustra.

Nada devemos fazer que não seja razoável; mas nada também de fazermos todas as coisas que o são.

Os homens desejam ser escravos em qualquer parte e colher aí a força para dominar noutro sítio.

A imaginação e o recolhimento são duas doenças de que ninguém tem piedade.

Quando moços, contamos tantos amigos quantos conhecidos; porém maduros pela experiência, não achamos um homem de cuja probidade fiemos a execução do nosso testamento.