Depoimento de agradecimento

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Sem despedida


não me cobre uma despedida.
basta que eu suma da tua vida
sem deixar marcas,
sem barulho,
sem cena.
despedida é abandono que dói,
é palavra que corta,
é porta que bate.
eu prefiro ir
como quem nunca esteve,
do que ficar na tua memória,
como quem faz doer na hora de ir.
(Saul Beleza)

Se quiser
tem um quartinho ali nos fundos,
fique à vontade.
não é o quarto principal,
não tem vista bonita,
mas tem silêncio
e cabe alguém que não quer fazer barulho.
pode deixar suas coisas espalhadas um pouco,
pode chorar baixinho se precisar,
eu já me acostumei com visitas
que ficam pouco.
só tem outra coisa,
quando sair
arrume toda a bagunça,
aquela que você fez,
e aquela que já estava antes de você.
apague as luzes,
feche as janelas,
não deixe cheiro,
não deixe recado na geladeira.
E principalmente,
não esqueça nada,
nenhum casaco,
nenhuma desculpa,
nenhum beijo pela metade.
para que não precise
vir buscar.
porque quem volta pra buscar,
volta pra ficar,
e eu já não sei mais receber mais ninguém.
Não venha me bagunçar de novo.


(Saul Beleza)

*Para Mateus e Mariana*

sei que vocês
não cabem mais
em meus braços.

cresceram.
estão pesados de mundo
e de sonhos.

mas no meu abraço,
ah, no meu abraço
vocês se encaixam
perfeitamente.

sempre couberam.
sempre vão caber.

*(Saul Belezza )*

Não tenho mais aquela eloquência ao teu ouvido,
não nos abraçamos mais com carinho,
não nos beijamos mais com desejo.
Nossa conchinha se separou,
ficou um espaço frio no meio da cama,
onde antes cabia o mundo.
Nossas gargalhadas não têm mais graça,
viraram riso sem vontade,
só pra disfarçar o silêncio.
Nosso banho é cada vez mais curto,
antes era demora,
agora é pressa de sair.
E o nosso amor...
esse nosso amor?
onde foi que a gente se perdeu
dentro da própria casa?
A gente ainda se ama,
ou só tem medo de admitir.

*- Saul Beleza*

Se for para eu te olhar com olhos de maldade,
que Deus derrame cegueira em meus olhos.
Se for para eu te tocar sem amor,
que minhas mãos percam o tato.
Se for para eu te falar sem verdade,
que minha voz se cale.
Porque em você eu só sei ver o bem,
só sei tocar com carinho,
só sei falar com amor.

*- Saul Beleza*

O amor não pode esfalfar.
Ele tem que ser estimulante,
gratificante e duradouro.
Amor que cansa, pesa e esgota,
não é amor, é fardo.
Amor de verdade é descanso,
é fôlego,
é vontade de ficar.

*- Saul Beleza*

Se você não vier alegrar a minha sexta-feira,
tenha certeza...
eu serei a alegria
no sábado de alguém.
Não é ameaça,
é amor-próprio.
Quem não valoriza a minha presença,
vai ter que lidar com a minha ausência.

*- Saul Belezza*

Não tenho um amor,
eu tenho uma companhia.
Talvez se fosse amor,
não seria assim.
Estou amando a tua companhia,
e o amor?
Ah, o amor me acompanha
ao teu lado.


(Saul Beleza)

A humanidade não vai salvar a civilização a menos que crie um sistema de bem e mal independente de céu e inferno.


George Orwell

Entranhas da Estranha


Eu quero ser o intenso que sou
Experimentar no plural o singula
Sem me limitar a espinho ou flor
Quero ser chegada, partida
E ainda assim ser lar

RETROSPECTATIVA (Escrito na pandemia, ainda atual)


Intolerância, distorção, infância...
Lançamento, cancelamento, entretenimento...
Opinião, censura, ignorância...


Globalização, privilégio, poder...
Cassação, corrupção, vacina...
Copiar, colar, saber...
Neutralidade, menino, menina...


Pólvora, gatilho, pavio...
Bombardeio, transmissão, sem fio...


Homo, hétero, gênio...


Inocente, culpado, refutado...
Esquerda, direita, centrado...
Protestando, em silêncio, errado!
Pensado, falado, calado...
Errado, errado, cancelado!


Cristiane de Assis

Eu não quero esgotar todo o meu tempo nesse experimento
De morrer minha vida
Até viver minha morte

Encontro com Diabo


Já morri incontáveis vezes
Mas sempre evitei o sono
Avancei desconfiada
No meu trigésimo terceiro outono


Duvidei de outro inferno
E quando o sete peles me veio de terno
Com um manto flambado pra me aquecer
Por rebeldia me recusei descer


Teimando acendi um cigarro
Fitei-o nos olhos profundos
Pigarriei da garganta o catarro
E o reconheci dos meus mais íntimos mundos

Eu escrevo cartas pra ninguém
Expresso experiências, sentimentos..
Que vão além
De passageiras condições e momentos...


Nem melhor, nem pior...
Nem arrogante, nem solitária..
Nem engenheiros, nem Belchior...
Nem maldosa, nem otária...


Nem esquerda, nem direita...
Nem recatada, nem atrevida...
Nem muito exposta, nem a espreita..
Nem Norte, nem sul e nem sem saída.

Alma perdida

Às vezes sinto-me tão vazia
Como se nada mais pudesse sair de mim
Eu abro e fecho portas
Acendo e apago cigarros
Abro e fecho as mãos
Acendo e apago desejos

Nada mais sai de mim
Nem mesmo essas palavras
Elas saem do vazio
Que tomou posse do que fui
E quando é assim e nada sai de mim
Não vejo o início, não vejo o meio
E isso me acende o desejo do fim

Talvez eu tenha saído ou sido retirada
Por isso nada mais sai de mim
Seria um anjo caído?
Um andarilho sem rumo na estrada?
Alguém viu minha alma?
Acho que ela foi roubada
Quero senti-la de novo
Mesmo se estiver quebrada

É aterrorizante olhar para trás
E não saber onde ficou
É aterrorizante olhar para o lado
E não saber quem o acompanha
É aterrorizante olhar para frente
E não saber o que o espera.⁠

A sabedoria do tempo


Certa vez a fim de tirar a paz de um sábio durante uma comemoração entre amigos, já um tanto embriagado uma pessoa o desafiou:
_Posso expor seu passado aos convidados? Acha que depois de feito isso, preservará sua imagem de sábio?
O sábio, sereno respondeu:
_ Diga o que supõe sobre o meu passado, foi ele quem me tornou quem hoje sou, o presente ainda irá me moldar através das escolhas que fiz ontem e faço hoje. Ao terminar de expor meu passado, analisaremos juntos o que conheço do seu presente e veremos o que podemos aprender um com o outro. Pois eu não vivo mais no meu passado, embora respeite profundamente a sabedoria que trago de lá e sei que essa sabedoria pode ser novidade útil para você. Já em relação à minha imagem, só é relevante a que conheço de mim mesmo.

⁠Por que damos e pedimos tanta desculpa, por "não ter tempo, o tempo todo"?

Cana bis


Vou te enrolar
Passar minha língua em você
Depois sentir teu cheiro e te fazer pegar fogo


Tu faz eu me sentir tão bem
Quero te sentir entre meus lábios
Já disse que tú me faz delirar?


Quero mais, mais e mais...


Eu te sugo e te prendo até perder o fôlego
É difícil seguir sem ti
Confesso que és meu motivo pra sorrir
Mas não é o único.

⁠Eu aprendi a apreciar
O intervalo entre uma dor e outra e chamá-lo de vida.