Dedicatória para a Mãe
Se eu não estivesse aqui
As montanhas ainda assombrariam
Os sonhos e devaneios de alguém
Os animais vadiariam
E as pedras se esconderiam de quem?
Eu sou metade do tempo
O tempo é metade de mim
Se isto é um sonho, eu digo:
- Os sonhos transformam a vida!
E eu vivo sempre assim!
Com grande assombro
Meus olhos inertes
Imersos em ti
Pulsaram a vida
Regaram o sonho
Do conto sem fim!
Eu queria ter sonhos maiores
Queria ter sonhos melhores
Pular de muros infindos
Abrir caminhos desconhecidos
Rezar a deuses antigos
Ser apenas um entre os inícios
Cada vez que olho nos olhos do céu
Eu vejo que ainda estou aqui
Uma parte de mim ainda resiste
Ainda existe
Ainda é
Eu sinto o cálido torpor do vendaval
Levando meus braços para longe
De alguma ação
De algum chão
De mim...
Amar uma mulher
Não é tão fácil assim
Conquistá-la
Amar uma mulher é vestir-se dos melhores cortejos
E das maiores verdades
Amar uma mulher é interpretar
Mundos secretos e extraordinários
Num único toque
Num único instante
Amar uma mulher é deliciar-se
Da doce presença
De um quê inconstante
Amar é uma mulher
a entregar-se à vida
à morte
ao inteiro prazer
de apenas se permitir ser
amado completamente...
sonho com você
acordo pensando em você
sua presença me acompanha de dia
seus olhos me atormentam à noite
como posso te esquecer?
en-Caixa
entre cápsulas e comprimidos
são tantos planos forjados
são sonhos arrependidos
são veias acinzentadas
entre cápsulas e comprimidos
são penas e assinaturas
são perdas e tecituras
são aquarelas desbotadas
entre cápsulas e comprimidos
o relógio perde o tempo
o velho morre ao relento
eu continuo a estrada
entre cápsulas e comprimidos
o sinal toca na escola
o sapato perde a sola
meu tudo vira um nada
entre comprimidos e cápsulas...
sonhos mal-ditos
se a fama dilacera
imagina a cama vazia!
se a lama entorpece
imagina a sanha luzidia!
se a gama impede
imagina a dama-fantasia!
dos pesadelos sedentos
a devorar meus olhos em noites quentes
o pior é o sonho
que nunca se realizou!
capataz do destino
um bandido ferino
de olhar tão amedrontado quanto o meu!
e ainda há tanta futilidade
a embaralhar os devaneios de uma alma
num corpo imperfeito...
há a sede!
há a fome!
há o sono!
há um desejo ardente pela vida!
e isso tudo me consome
como uma ferida purulenta
sem dó nem piedade
sem voz nem silêncio
sem clamor nem liberdade
sem tristeza nem alento!
oh, sonhos impuros!
que mal há em querer
aquilo que me falta?
se são partes da carne ou do espírito,
nunca consigo identificar!
são vermes corroendo
o melhor de um alguém que nunca fui...
mas poderia ter sido
nos sonhos mal-ditos
de outro ninguém...
como pode uma alma ser tão triste, tão triste
a ponto de não conseguir nem mais sonhar?
– a tristeza profunda é isso:
nada de sonhos
nada de perspectivas
nada de ilusões as quais se agarrar...
Se os próprios sonhos embotam a vida
o que será de mim
sem a possibilidade de criá-los?
Se as próprias asas tornam-se feridas
o que será de mim
sem a chance de usá-las?
Se os próprios dedos forjam a mentira
o que será de mim
sem a possibilidade de amá-los?
Se as próprias vozes ocultam a lida
o que será de mim
sem a possibilidade de encontrá-las?
poema in-vertido
de todas as mais belas maneiras
ver frutificar a vida
deixar os sonhos espalhados pela estrada inteira
sentir o gosto do perfume da bela roseira
enquanto corro com os lobos no caminho de pedras
meus passos vagam soltos:
… na busca pela quimera
o grande desafio não é viver
é ser genuína em cada olhar
é estar presente em cada amanhecer
é pulsar de amor outros corações
é distribuir sorrisos a quem encontrar
eis alguns das minhas mais doces a l u c i n a ç õ e s…
Não!
Eu nunca Não sonhei em ser atriz
Não!
Eu nunca Não sonhei em ser cantora
Não!
Eu nunca Não sonhei em ser pintora
Não!
Eu nunca Não sonhei em ser médica
Não!
Eu nunca Não sonhei em ser juíza
Não!
Eu nunca Não sonhei em ser bela
Não!
Eu nunca Não sonhei em ser amada
Não!
Eu nunca Não sonhei em ser poeta
Não!
Eu nunca Não sonhei em ser feliz
Não!
Eu nunca Não sonhei em ser madura
Não!
Eu nunca Não sonhei em ser melhor
E, dos tantos sonhos dessonhados,
Acreditei naquele milagre-prisão
Naquela loucura-ilusão
Naquele espinho-flor
Joguei os dados para cima
Corri léguas da esquina
Voltei ao tempo que se plantou:
Dos sonhos dessonhados vi-me
Diante daquela criança
A mesma da tal esperança
De tudo ser numa vida só
E, para acabar os nunca sonhados dessonhos,
Retrato do pesadelo medonho
Da hora que se passou
Refaço a minha estrada
Decerto esta mesma jornada
Foi a que a mim desejou...
@noi.pulsaopoetica
“As vezes apenas me deixo levar …
sonhar ainda é gratuito, para realizar é preciso se colocar ali, imaginar que vai dar certo “
#bysissym
… as vezes não penso nada, porque já sonhei demais … só permito descansar um pouco este incontrolável pulsar !
#bysissym
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