Dedicatória para a Mãe

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Amar alguém é aprender a escutar aquilo que a linguagem ainda não conseguiu dizer.

Quem aprende a escutar o vento descobre que a inteligência também pode existir sem discurso.

A alma encontra repouso quando aprende que um instante pode conter mais existência que uma longa sucessão de horas.

O cristão é aquele que, tendo aprendido a amar as próprias correntes, já não as reconhece como grilhões, mas como promessa de liberdade.

A ciência cresce não apenas quando descobre o verdadeiro, mas quando aprende a reconhecer o falso.

Muita gente passa a vida interpretando personagens que aprendeu a admirar e só percebe tarde demais que nunca conheceu o próprio rosto.

Talvez o mais silencioso dos naufrágios seja perder a própria identidade enquanto se aprende, pouco a pouco, a representar aquilo que o mundo espera de nós.

Filosofar talvez seja aprender a contemplar a morte sem permitir que ela transforme a vida em mera antecipação do fim.

Quem aprendeu a fazer boas perguntas já percebeu que muitas respostas são apenas maneiras sofisticadas de encerrar uma conversa.

O ser humano frequentemente chama de verdade aquilo que apenas aprendeu cedo demais para questionar.

O algoritmo não possui preconceitos próprios; ele apenas aprende, com extraordinária eficiência, os preconceitos que a sociedade teve a imprudência de lhe ensinar.

O homem civilizado aprendeu a esconder a violência sob palavras elegantes; talvez seja por isso que algumas injustiças chegam ao tribunal usando gravata.

O verdadeiro sábio não é aquele que venceu todas as dúvidas, mas aquele que aprendeu a conviver honestamente com as perguntas que permanecem abertas.

Aprender sem pensar transforma conhecimento em acumulação; pensar sem aprender transforma a inteligência em uma ilha cercada pela própria ignorância.

Ao encontrar alguém virtuoso, examine o que pode aprender com ele; diante daquele que erra, examine primeiro aquilo que seu próprio comportamento ainda precisa corrigir.

A ordem social não começa nas instituições; começa no indivíduo que aprende a reconhecer que seus atos possuem consequências sobre a vida dos outros.

Não basta possuir inteligência; é necessário aprender a governá-la, porque uma mente poderosa sem método pode produzir erros mais sofisticados.

A história não é apenas aquilo que aconteceu; é também o processo pelo qual a humanidade aprende, frequentemente através do conflito, o significado de sua própria liberdade.

A dúvida é o primeiro território onde a liberdade aprende a existir.

O progresso começa quando uma sociedade aprende a desconfiar das próprias verdades.