Dedicatória para a Mãe
Não é minha orientação que precisa de defesa.
É o preconceito que precisa aprender
que respeitar alguém não significa
inventar sobre ela aquilo que se quer temer.
A Arte de Refazer-se
Reconstruir não é voltar ao lugar
onde a ruína aprendeu a morar.
É olhar cada resto, sem se iludir,
e escolher o que fica, o que vai ruir.
Depois da queda, muda-se o mapa,
a voz já não pede, a presença não escapa.
Muda-se a língua, o jeito de falar,
porque quem se refaz aprende a se nomear.
Também muda o acesso, a porta, a janela,
nem toda presença merece a sala mais bela.
Existem distâncias que não são abandono,
são muros erguidos para proteger o sono.
Reúne-se tudo: silêncio e memória,
feridas, desejos, fracassos, história.
Nada é varrido para fingir perfeição,
até o que doeu ganha outra posição.
E então se percebe, no fundo da pele,
que mudar não é negar aquilo que fere.
É retirar da ferida o direito de mandar,
sem deixar que o passado escolha onde ficar.
Quem se reconstrói não volta igual,
troca o caminho, recalibra o sinal.
Não distribui chaves por medo de perder,
nem abre a própria casa para qualquer querer.
E se perguntarem por que tudo mudou,
não foi o mundo: foi quem se encontrou.
Mudou a linguagem, a porta e a direção,
porque reconstruir também é mudar a própria posição.
“Nem todo coração protegido pelos espinhos deixou de ser delicado. Alguns apenas aprenderam a florescer em silêncio.”
É uma pena que a nossa sintonia tenha se perdido na rotina. Mas aprendi que, se eu preciso sempre dar o primeiro passo, significa que já estou caminhando sozinho há muito tempo.
No livro da minha história,quero aprender com os erros.
Vencer os conflitos mais íntimos, eternizando o que brotou:amor e alegria.
Afastar do peito as trevas das queixas e lamúrias, do rancor e da mágoa, da falta de esperança que acinzentam o brilho da alma.
Que nos momentos mais difíceis, onde muitas vezes damos espaço para revolta na metade do percurso, saibamos compreender as lições transmitidas nas circunstâncias da vida, para a nossa própria evolução.
Vencer é superar!
Depois de uma vida observando gente, aprende-se que quase ninguém sofre daquilo que diz sofrer.
O sujeito chega reclamando da esposa, da política, do chefe, do aluguel ou da bebida quente. Mas isso é apenas o embrulho. O conteúdo é outro.
O que os corrói é a incapacidade de tocar e ser tocado.
Vivem como se enxergassem o mundo em preto e branco. Não porque lhes faltem olhos, mas porque perderam as cores antes mesmo de perceber que elas existiam. Tudo precisa ser amor ou ódio. Vitória ou fracasso. Aprovação ou desprezo. Já não reconhecem os meios-tons, justamente onde a vida costuma acontecer.
É um estranho tipo de daltonismo.
Não dos olhos.
Da alma.
Vejo isso todos os dias. Homens transformando ironia em escudo. Mulheres aprendendo a sorrir para esconder o próprio silêncio. Casais inteiros conversando sobre contas, filhos e séries de televisão, enquanto duas solidões dividem a mesma cama sem jamais se encontrarem.
Ninguém diz: "Tenho medo de ser visto."
Inventam palavras mais elegantes.
Dizem que são independentes.
Que não nasceram para relacionamentos.
Que preferem a própria companhia.
Mentem com uma convicção admirável.
A verdade é mais feia.
Passaram tanto tempo reforçando a própria pele que ela deixou de separar o corpo do mundo para se tornar uma cela. Cada decepção acrescentou uma camada. Cada abandono endureceu outra parte. Cada traição fez acreditar que sentir menos era viver melhor.
Não era.
Era apenas sobreviver.
O curioso é que todos desejam exatamente a mesma coisa: que alguém atravesse esse couro endurecido sem destruir o que ainda resta dentro. Querem ser encontrados, mas tornam impossível qualquer aproximação. Quando alguém se aproxima demais, recuam. Quando vai embora, confirmam a velha teoria de que ninguém fica.
Chamam isso de destino.
Eu chamo de medo.
E medo, quando envelhece, ganha aparência de personalidade.
É por isso que tantos caminham pelas ruas como fantasmas bem vestidos. Trabalham, sorriem, publicam fotografias impecáveis, colecionam contatos e permanecem inacessíveis. Quanto mais conectados parecem, mais isolados se tornam. Descobriram todas as maneiras de falar, menos a única que importa: aquela que deixa a carne exposta.
Talvez seja esse o grande fracasso da nossa época.
Não a falta de amor.
A falta de coragem para suportar o amor quando ele exige que a pele deixe de ser armadura e volte a ser apenas pele.
Ainda assim, de vez em quando, acontece um milagre discreto.
Alguém baixa a guarda por alguns segundos.
Uma conversa atravessa a superfície.
Um olhar permanece tempo suficiente.
Uma confissão escapa antes que o orgulho consiga engoli-la.
São instantes pequenos.
Quase invisíveis.
Mas é neles que as cores retornam.
E, por um breve momento, o mundo deixa de ser uma fotografia em preto e branco para lembrar que nunca foi a realidade que perdeu as cores.
Foram as pessoas que desaprenderam a enxergá-las.
Você disse que sou um homem de muitas mulheres.
Talvez seja porque vivi o suficiente para aprender que rostos mudam mais rápido do que as cicatrizes.
Mas a verdade é menos interessante.
Nunca procurei quantidade. Procurei abrigo. E abrigo é uma coisa rara neste mundo onde todo mundo aprende a partir antes de aprender a ficar.
Eu não me apaixono pela perfeição. A perfeição é uma mentira bem vestida. Gosto de quem sangra, de quem tropeça, de quem perde a guerra num dia e aparece para lutar outra vez no seguinte.
Também erro. Muito. Carrego ferrugem na alma e algumas rachaduras que o tempo nunca consertou. Ainda assim, continuo aqui. Permanecer sempre foi mais difícil do que conquistar.
Não quero possuir ninguém. Posse é medo fantasiado de amor. Se alguém ficar ao meu lado, que fique porque o mundo inteiro está aberto diante dela e, mesmo assim, ela resolveu acender um cigarro, servir um café e dividir o silêncio comigo.
É isso que me interessa.
Não a prisão.
A liberdade de ir... e a coragem absurda de permanecer.
Porque, no fim, amar talvez seja só isso: dois sobreviventes olhando um para o outro depois de todas as tempestades e dizendo, sem dizer palavra alguma: "Ainda estou aqui."
“Aprenda a abandonar aquilo que te atrasa, sejam hábitos, pessoas ou qualquer outro peso. Nem tudo precisa acompanhar você até o fim, pois o sentido da jornada está em percorrer o caminho com propósito.” — Leonardo Azevedo.
“Minha alma nunca aprendeu a esquecer; apenas aprendeu a transformar lembranças em poesia.”
— Juliana Hoffmann Liska
Sorte não é esperar que o mundo nos favoreça.
Sorte é ter a inteligência para aprender, a disciplina para se corrigir e a coragem para enfrentar as dificuldades.
O homem que melhora a si mesmo todos os dias não depende da fortuna. Ele transforma cada experiência em conhecimento, cada erro em aprendizado e cada obstáculo em força.
A verdadeira sorte é ter a oportunidade de se tornar, a cada dia, um ser humano melhor.
“O verdadeiro professor é aquele que possui o dom natural de transmitir tudo o que aprendeu, pois descobriu a riqueza do saber e deseja remover a cegueira que a ignorância causa às pessoas.”
Toda democracia precisa de tribunais capazes de dizer “não” quando o poder aprende a dizer “sim” a si próprio.
Respeito
Aprendi que o respeito vai além
do que se imagina.
Respeitar é olhar outra pessoa
sem julgar a sua sina.
O respeito vai além
de qualquer coisa no mundo.
É enxergar no outro ser humano
uma história
e também seu submundo.
Respeitar é necessário,
é saber até onde pode ir,
porque aquilo que, para você,
pode parecer certo,
no outro pode ferir.
Nildinha Freitas
"Quando eu era apenas crítico, via inimigos por toda parte.
Quando aprendi a refletir, comecei a enxergar seres humanos."
"A maturidade não me fez abandonar as perguntas.
Apenas me ensinou a desconfiar também das minhas próprias respostas."
Há um conflito silencioso entre quem somos e quem mostramos ao mundo. Desde cedo, aprendemos a vestir máscaras como quem veste um casaco em dia de frio: para suportar o ambiente, para caber nos lugares, para não ferir nem sermos feridos. No entanto, essa proteção também pesa. A aparência de força, muitas vezes, esconde um coração em tempestade; o sorriso social, por vezes, cobre ruínas que ninguém vê.
Vivemos tentando equilibrar a verdade interior e a versão aceitável de nós mesmos. Queremos ser acolhidos, mas tememos que nossa essência, crua e imperfeita, assuste. Assim, vamos aparando arestas, calando dores, podando sonhos, como um jardim bonito demais para parecer real. O problema é que, quando negamos demais o que sentimos, a alma cobra em silêncio.
Ser humano é justamente carregar essa contradição. Somos casa e vitrine, abrigo e espetáculo. E amadurecer talvez seja isso: diminuir a distância entre o rosto que oferecemos ao mundo e a pessoa que, em segredo, pede apenas o direito de existir por inteiro, sem pedir desculpas.
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