Dedicatória para a Mãe

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Sonhamos demais com o paraíso, ou ao menos com uma série de paraísos sucessivos, mas cada um deles é, muito antes de morremos, um paraíso perdido, no qual devemos nos sentir perdidos também.

Com este sonhar tudo, tudo na vida te farás sofreres mais.
Será a tua cruz.

E pode levantar-me desta poltrona deixando os sonhos no chão...

Meditava? Não. Gilliatt sonhava. Não se deixava abater pela maré.

Meus sonhos são perfeitos pra satisfazer a necessidade de perfeição que a realidade não me proporciona.

Pois eu sonhei contigo e caí da cama.
Ai, amor, não briga! Ai, não me castiga!
Ai, diz que me ama e eu não sonho mais!

Chico Buarque

Nota: Trecho da música Não sonhe mais.

Todas as mulheres são maravilhosas,
são a mais divina criação,
donas de todos os sonhos e desejos, inspiração de poetas,
acalanto de homens em guerra.
São musas, damas, anjos, princesas e flores,
até que um dia viram sogras. :)

Ir levando no caminho os amores perdidos
e os sonhos idos
e os fatais sinais do olvido.

Ir seguindo na dúvida das horas apagadas,
pensando que todas as coisas se tornaram amargas
para alongarmos mais a via dolorosa.

Não eras para os meus sonhos, não eras para a minha vida,
nem para os meus cansaços perfumados de rosas,
nem para a impotência da minha raiva suicida,
não eras a bela e doce, a bela e dolorosa.

Não eras para os meus sonhos, não eras para a minha vida
nem para os meus quebrantos nem para a minha dor,
não eras para os prantos das minhas duras feridas,
não eras para os meus braços, nem para a minha canção.

Dinheiro na mão é vendaval na vida de um sonhador.

Estou dentro dos grandes sonhos da noite: pois o agora-já é de noite. E canto a passagem do tempo: sou ainda a rainha dos medas e dos persas e sou também a minha lenta evolução que se lança como uma ponte levadiça em um futuro cujas névoas leitosas já respiro hoje. Minha aura é mistério de vida. Eu me ultrapasso abdicando de mim e então sou o mundo: sigo a voz do mundo, eu mesma de súbito com voz única.

Clarice Lispector
Água viva. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1998.

O vendedor de sonhos

Quem quer a sorte grande
Apregoa o cauteleiro
Sem que ninguém o mande
Percorre o País inteiro
Para quem lhe sorria
Exclama quer comprar loteria
Se o número acertar
Poderá sorrir de alegria
Os seus sonhos realizar
Alguns podem comprar
Outros só sonhar
A vida de sonhos é feita
Mas nem todos se podem realizar
A felicidade não é prefeita
O dinheiro não a pode
Comprar...

A impossibilidade de tudo quanto eu nem chego a sonhar

Dantes eu queria
Embeber-me nas árvores, nas flores,
Sonhar nas rochas, mares, solidões.
Hoje não, fujo dessa idéia louca:
Tudo o que me aproxima do mistério
Confrange-me de horror. Quero hoje apenas
Sensações, muitas, muitas sensações,
De tudo, de todos neste mundo — humanas,
Não outras de delírios panteístas
Mas sim perpétuos choques de prazer
Mudando sempre,
Guardando forte a personalidade
Para sintetizá-las num sentir.
Quero
Afogar em bulício, em luz, em vozes,
— Tumultuárias [cousas] usuais —
o sentimento da desolação
Que me enche e me avassala.
Folgaria
De encher num dia, [...] num trago,
A medida dos vícios, inda mesmo
Que fosse condenado eternamente —
Loucura! — ao tal inferno,
A um inferno real.

No final, nós somos apenas algumas pessoas, vivendo debaixo do mesmo céu, sonhando o mesmo sonho.

Você já teve algum sonho que parecia ser real, e quando vai acordar, você só quer ficar na cama, mentindo com os olhos fechados para se prender a isso?

Se agarre em todos os seus sonhos, e faça deles o que você quer que eles sejam

Meu maior alimento são os meus sonhos.

Nunca precisei de sonhos para interpretar minha vida, mas da vida para interpretar meus sonhos.

Quando me vi tendo de viver comigo apenas
E com o mundo
Você me veio como um sonho bom
E me assustei