Da Lutas e Decepcoes da Vida vem a Vitoria
OLHAR DE MULHER
Sedutor
poderoso
quando pisca e corteja hipnotiza
Vencedor
quando irradia
faz melodia
De bem-fazer
quando energiza
diviniza
Casa sem mulher
casa não
homem sem mulher
homem vão
Dia sem mulher
dia sombrio
mundo sem mulher
mundo sem pio
Cultura sem mulher
cultura vadia
terra sem mulher
terra vazia
Olhar de mulher
olhar de emoções
entre prazeres e paixões
seduzir e convencer
Faz homem viver
regenera e cria
faz vida ser
Mãe que tudo afilia
Olhar de mulher
olhar para acreditar
ver para querer
viver para amar.
Casal da Serra, 22 de Setembro de 2000
É imprescindível que os estudiosos da obra zeliniana se debrucem cada vez mais sobre a força da poesia na obra de José Lins do Rego, pois ainda é um tema pouco estudado no meio acadêmico, o que não faz jus à riqueza de sua técnica criativa, que é reconhecidamente uma das razões pelas quais o levou ser amplamente reconhecido como um dos romancistas regionalistas mais prestigiados da literatura brasileira.
Artífice de verdadeiros poemas em prosa, José Lins do Rego poderia muito bem, sem nenhum demérito, ser chamado de poeta, pois foi criador de uma vasta produção de textos líricos impregnados da mais pura poesia, que nada devem aos mais renomados poetas do modernismo brasileiro.
A realidade é que José Lins do Rego, o eterno menino de engenho, como foi aclamado, soube, com grande desenvoltura, buscar na linguagem figurativa os usos de metáforas, comparações, aliterações e outras
figuras de linguagem para criar uma narrativa que é ao mesmo tempo poética e acessível, transformando a linguagem cotidiana em algo extraordinário e belo.
Através desses recursos, Zé Lins procurou estimular a imaginação e a reflexão do leitor, permitindo que ele visualizasse e experimentasse o texto de maneira mais profunda, fomentando a capacidade de criar imagens vívidas em sua mente, tornando assim a leitura de sua obra uma experiência muito mais rica, envolvente e prazerosa.
A prosa-poética do autor do monumental Ciclo da Cana de Açúcar é uma característica distintiva de sua escrita e tem um papel essencial em seu legado literário. Sua capacidade de combinar a riqueza da prosa com a beleza da poesia permitiu-lhe criar obras que não apenas contam histórias, mas também evocam emoções, paisagens e culturas de maneira única e memorável. Seus romances regionalistas, com sua prosa-poética, continuam a encantar leitores e ser apreciados pela sua riqueza literária.
Em José Lins do Rego a poesia faz-se
presente como em poucos escritores nacionais, permeando grande parte de sua obra, de maneira surpreendente como as cheias do rio Paraíba, que ninguém mais do que ele soube narrar em nossa literatura, descrevendo sua força recriadora de cenários, modificando a paisagem seca do Nordeste brasileiro em mata ciliar florida, verdejantes pastos, e
um mar de lavoura de cana de açúcar, que se estendia viçosamente, dançando ao vento, embandeirado pela umidade das várzeas. Mas a poesia na obra do autor de Usina não é apenas um mero recurso estético, utilizado para o embelezamento do texto literário, mas uma ferramenta indispensável para ênfase de seu realismo lírico, destacando-lhe, não apenas como um proeminente escritor regionalista da geração de 30, mas como um dos maiores prosadores da literatura em língua portuguesa.
É fato notório e indiscutível que através de sua prosa-poética, José Lins do Rego construiu um dos painéis mais fulgurantes de nossa literatura, ornando-a com seu realismo lírico, inclusive aferindo fortes
denuncias sociais contra a ganância dos senhores de engenho e dos usineiros, contrastando a beleza da paisagem nordestina com a dura realidade da vida rural, criando assim uma tensão literária expressiva, que contribui grandemente para a riqueza e a profundidade da história, acentuando a compreensão dos problemas sociais, da cultura, dos costumes e dos valores do Nordeste do Brasil.
A força da poesia de José Lins do Rego permeou todos os seus romances, todos os seus escritos, todos os seus pensamentos. Havia dentro dele, na sua formação literária, uma paixão perene pela poesia, o que lhe fez, não apenas ser um leitor voraz desse estilo de linguagem, mas um cultivador desta arte, levando-a para seu labor diário, de literato da cabeça aos pés, de fabuloso contador de histórias, um dos maiores expoentes do romance regionalista brasileiro.
Se dói tanto de um modo frenético, se dói quando precisa mostrar a dor, se a dor for intensa e fraca, Use seu coração para criar a melódico e sua mente pata trazer a Letra da dor.
Kethelyn Cristina da Silva Pereira. Compositora, cantora, mesmo que sem fama.
Assim como Cristo foi perseguido, sigo firme na fé, sabendo que o sofrimento faz parte do caminho da cruz.
As ameaças que recebo não me desviam do propósito; pelo contrário, fortalecem minha confiança em Deus.
Ser anglo-católico é abraçar a tradição da fé com a abertura ao diálogo e à inclusão, sempre voltados para o Deus da vida que nos renova diariamente.
Na vivência anglo-católica, encontramos um equilíbrio entre a liturgia sagrada e a missão acolhedora, refletindo o amor do Deus da vida em cada gesto de fé.
Ser anglo-católico é cultivar uma espiritualidade rica em história e devoção, mantendo o coração aberto para a presença viva de Deus em nosso cotidiano.
Nas sombras de 2003, a verdade nunca foi enterrada; hoje, meu saber transforma-se em risco, e uma cruz, que não é divina, busca calar o que jamais se apagará.
O Peso do Silêncio
Na catedral de pedra fria,
onde ecoa o som da devoção,
nasceu uma sombra sombria,
ferida aberta pela ambição.
O pastor, amado pelos seus,
guiava almas pelo caminho,
mas mãos ocultas, cheias de breus,
espreitavam em completo desalinho.
Era noite, um altar sagrado,
um visitante ao fim da missa,
com olhar vazio e passo pesado,
entrou onde a luz se avisa.
Um disparo rompeu o ar,
o rosto sereno ao chão tombou,
a fé tremeu, não pôde evitar,
e o sangue do justo ali jorrou.
O silêncio grita nos muros do templo,
a justiça caminha com passos lentos,
os nomes se perdem, mas não o exemplo,
de um homem que partiu nos ventos.
No Trilho da Traição
Da cidade das montanhas altas,
saiu um homem ao cair da tarde,
com olhos frios, promessas falsas,
e no peito, um coração covarde.
Levaram-no ao altar,
não para prece ou oração,
mas para o destino selar,
com disparos de traição.
As velas ardiam na sacristia,
testemunhas mudas de um crime vil,
um tiro rasgou a calmaria,
e o justo tombou sob o olhar febril.
O trilho do trem acolheu o mal,
a arma lançada ao esquecimento,
e de volta às ruas de Minas Gerais,
comemoraram o triste evento.
Mas a justiça, mesmo tardia,
nasce na voz que insiste e clama,
pois a verdade jamais esfria,
e o fogo do justo não se apaga.
Vozes que Calam
O templo viu, mas não gritou,
as paredes ouviram, mas não falaram,
os justos choraram pelo pastor que tombou,
e as sombras para sempre ali ficaram.
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