Cuidar da Infancia
O que me atravessa?
Atravessa-me a vida neste instante,
o sentir tão cru,
tão profundo,
sem nenhum molde…
Atravessam-me imagens:
dias que se foram,
dias que chegam,
dias que ainda se vão…
Atravessam-me histórias reais,
livros vivos,
prontos para serem decifrados…
Atravessa-me o amor,
o desconhecido,
a conexão,
um olhar…
Atravessa-me o caos,
o incerto —
e então, a calmaria.
Atravessa-me o intenso,
o orgulho,
o medo
e a plenitude…
Atravessa-me a vida no todo:
o que pertence,
e o que vai passar…
Atravessa-me o pensamento,
com ardor,
com cura
e com despertar…
Atravessa-me o interior,
o silêncio —
onde muito se é dito.
Atravessa-me o inteiro,
o existir,
o acolher…
Atravessa-me o peito,
com uma dor
que já não sei se dói…
Atravessa-me como nunca atravessou —
e me transformou.
E hoje sei:
Tudo que me atravessou
me libertou.
Me fez viver.
Atravessa-me a alma.
Atravessa-me tudo.
Atravessa-me sempre…
Na infinitude desse atravessar:
no tempo,
na vida
e no agora.
O bolsa família não é a solução, ele é o problema.
Só teremos a solução quando o empresário deixar de ser visto como vilão e passar a ser enxergado como herói.
Tem dias que o meu corpo fala…
Seu corpo já falou com você?
Acho que ele fala todos os dias, na verdade…
Tem momentos em que é como se ele se desprendesse da consciência e seguisse um caminho só dele.
Mas, no fundo, ele não está distante — está tão presente que sou eu que não consigo perceber o exato momento em que ele precisa de algo.
Ele fala.
Fala nos fios que se soltam, como se nunca tivessem nascido ali.
Fala no nó que se aperta no peito, clamando, em angústia, por algo já vivido.
Fala nos lábios que se racham, quando não recebem o elemento essencial da vida.
Fala nas gotas que rolam das janelas da alma e vão direto ao chão.
Fala no suspiro que escapa, quando o pensamento se perde ao longe.
Fala nas marcas que emergem de dentro para fora.
Fala na consciência, quando ela simplesmente desliga…
O quanto fala um corpo cansado.
Um corpo que percorre tanto, todos os dias.
Um corpo que precisa de acolhimento…
Um corpo que merece vida.
Nesse coração cabe tanta coisa…
Como pode?
Tem tanto amor, tem tanta paz…
Tem café.
Tem música.
Tem selva e flores.
Tem festa.
Cabe o naipe de copas e uma jornada de descobertas.
Como pode caber pessoas, sentimentos intensos, afetos e amores?
Ele não é grande em tamanho,
ele se expande em profundidade…
Ele recebe, ele doa e nunca falta.
É um próspero coração!
Nele cabem mundos inteiros…
Cabem sorrisos, olhos e ruguinhas de expressão.
Cabe o sol todinho,
constelações…
Cabe um grande oceano, onde te encontro sempre.
Cabem lutos e saudades
de quem já se foi
e de quem permanece aqui.
Cabem amores que não podem ser vividos,
amores para viver na intensidade,
amores que não se sustentam só com amor,
amores escondidos,
amores tão fortes que roubam pensamentos…
Quantos amores cabem em um coração?
Cabe o detalhe que passa quase despercebido.
Cabe a admiração, cabe a presença, cabe o momento…
Aquele momento em que te vejo
e te sinto pelos olhos…
O momento que transforma,
que desprende,
que ecoa aqui dentro…
Dentro desse próspero coração…
em que cabem tantas coisas…
"Saudade não é ausência, não é afastamento, ao contrário, é presença, aproximação; quem sente saudade, ainda traz dentro de si a pessoa e os momentos. É um sentimento que dá a mão para a esperança, é uma espera que acalenta os dias porque em algum momento vai findar".
Um bom dia pra gente se perceber 🌼
Não tem nada mais reconfortante, sereno e tranquilo
do que se perceber em meio ao caos …
A paz de se pertencer,
o calor quentinho de estar aqui.
Confortavelmente inteira,
com olhos de vida.
Ana Caroline Marinato
E, no final, você é muito para uns e pouco para outros…
Mas, para você, você é o suficiente.
A vida, para só viver, é doce, é bela — longe de qualquer expectativa que a atravessa.
O que sabem sobre ti não é nem o mínimo da grandeza de tudo o que você é.
Tantas coisas a descobrir, tantas vidas para desvendar…
E ainda tem gente classificando, encaixotando, colocando o extraordinário em pequenos espaços “seguros”.
Enquanto isso, o verdadeiro vai passando numa velocidade intrínseca, onde tudo precisa ser palpável, categorizado e atenuado para caber.
Imagina que sensível e enternecedor seria se as pessoas se deixassem ser tocadas…
Se se permitissem viver em um mundo com olhar de amor.
Enquanto isso, oportunidades vão passando, o incomum vai sendo conformado, o magnífico ficando no passado.
Onde o olhar não pode se demorar, onde o coração não se permite acolher…
Se olhassem com olhos de vida…
Tantas coisas perceberiam…
Notariam até que os espaços “seguros” impedem os olhos de ver.
E, na visão do que não se tem, o extraordinário se perde.
11/03/2026
Ando pensando muito.
Sentindo muito.
Sendo muito para tão pouco…
Dando tanto, recebendo em doses homeopáticas…
A intensidade é tanta que já não comporta mais.
Espaços vazios tão cheios de nada,
que não absorvem o todo.
Sentindo tanto, pensando em nada,
e, ainda assim, assimilando tudo…
Entendendo tudo…
Entendendo sempre.
Como seria bom só relaxar…
Só ser.
Só sentir.
Só viver.
Como seria bom não encaixar,
mas, ao mesmo tempo, caber em tudo, o todo e pertencer.
Sem se moldar, sem atenuar,
só ser…
Sem ser muito, sem ser pouco, sem ser nada,
só sendo.
— Ana Caroline Marinato
12/04
O que ninguém te conta sobre domingo
é que ele é mágico.
Como pode um único dia ter tanta vida?
Tem vida da hora que acorda
até a hora que vai dormir.
Abre a janela,
e aquele sol tímido
pronto para aquecer…
De manhã, tem cheiro de café passado na hora.
Passa um tempinho, tem cheiro de sol…
E, conforme vai passando o tempo,
tem cheiro de vida,
de casa,
de feijão fresquinho…
O sol fica calorado, calado,
e o ritmo em paz.
O coração quentinho.
Crianças e suas risadas,
o barulho e o movimento,
música…
Uma despedida do fim de semana,
um convite à renovação.
A energia necessária para mais dias de vida
e descobertas…
Domingo é mágico,
só precisa parar um pouquinho para perceber…
Ana Caroline Marinato
_Um amor perdido …
Sinto falta,
Sinto falta da sua bagunça,
Sinto falta da sua calma,
Das suas cores…
Do seu cheiro de café,
Sinto falta de você falando do céu, e dos planetas que estavam lá,
Se era Júpiter, se era Marte…
Sinto falta de você falando das suas peculiaridades, das coisas que você gosta…
Isso era importante, nunca vou achar algo assim.
Nunca vou achar ninguém igual a você.
Então por que você deixou isso passar?
Eu não sei…
No que diz respeito ao conhecimento, todos nós passamos por essas três fases: DUVIDAR, REFLETIR, AFIRMAR ou não. Dito isso, todos nós somos ignorantes ou sábios em algum departamento da vida e do conhecimento.
Ser IGNORANTE, SENSATO ou SÁBIO, diz mais respeito a PESSOA do que o conhecimento que ela possui.
Errei.
Como errei.
Há um marco na vida de todos homem.
Um marco onde descobrimos que há decisões impossíveis de se alterar.
Quando percebemos o impacto das decisões.
Quando percebemos o que causamos.
Quando vemos lágrimas irreparáveis.
Quando sabemos que ferimos pessoas as quais já não podemos mais nos desculpar.
Quando percebemos que abandonamos alguém quando essa pessoa mais precisava de nós.
Quando falhamos.
Quando não soubemos cuidar.
No dia em que tomamos a pior decisão.
Eu passei por isso.
E feri alguém que esperava meu cuidado.
Feri alguém a quem prometi cuidar.
Como miserável homem que sou, falhei.
E nunca mais a vi.
Usar a posição, status ou função como ferramenta de justiça egoísta só mostrará o quanto distante se estar de Cristo!
03/05/2026
Não é um espaço vazio.
Não tem paredes ou limitações.
Ele expande, ele tem vida…
É semelhante às profundezas do mar.
Aquele que me deu nome,
o que me acolheu,
que deu sentido a quem sou.
Onde eu nado livremente,
como se já conhecesse cada esconderijo daquele oceano.
Eu sou a extensão.
Eu vivo ali.
Também é o meu lar…
Os meus mergulhos não me afogam.
Eles me dão consciência de quem eu sou.
E, quando retorno, é o sol que me recebe,
com a sua força e clareza.
E essa é só uma pequena parte
da beleza do pertencer.
Ana Caroline Marinato
Recentemente, ouvi um episódio do Pequeno Expediente, de Flávia Gaeta.
O episódio era “O que é ser mulher?”.
A Flávia ficou impactada pela pergunta do seu Analista e não conseguiu responder a essa pergunta tão profunda com simples palavras...
Buscou em Clarice, Mary Shelley e Elis Regina as melhores definições, tentou colocar em palavras algo tão genuíno e, no final, ficou sem uma resposta concreta.
Eu entendi o que quis dizer, Flávia.
Afinal, como algo tão espetacular pode ser definido assim?
Ser mulher não tem uma única definição.
Não abrange apenas o que os olhos podem ver ou as mãos tocar.
Ser mulher é se reconhecer em cada uma.
É uma essência, uma força que eu vejo em você e reconheço em mim,
que reconhecemos em todas as mulheres que vieram antes e em todas que perpetuarão esse legado.
Somos a união e a integração de dois sexos, mas ser mulher está além disso.
Não é posicionamento, é sabedoria ancestral, que, para muitos, é considerada uma maldição, mas, para quem consegue ver, é uma dádiva.
Não é sobre religião ou espiritualidade.
É sobre o que antecede e o que perpetua.
É um Rio Fluido que interage no tempo.
Não importa o século, pois também não é linear.
O futuro influencia o passado, e vice-versa... no legado que é construído, explicado e entregue como um presente.
Retornando à essência, ser mulher também é entrega, como mencionou.
É se expor sem medo.
Sei que a resposta não te satisfaz, eu senti em você.
E eu te acolho como parte de mim, como a grandeza e a profundidade que eu vejo em você.
Não é para ser explicado em palavras.
É para ser vivido na essência.
Mas, se você se visse com os meus olhos,
a resposta pediria licença
para saltar ao vento
e existir no mundo.
Bailando com as palavras,
que sempre escorrem dos seus dedos,
nascidas do seu interior...
02/05/2026
Como é bom ter ciência de tudo que você é e da potência do que pode ser.
Do oceano enorme de possibilidades que existe dentro de você.
Do quão grandiosa e infinita é a maré de descobertas que emerge quando você se permite aceitar todas as partes do todo.
Quem imaginaria que algo assim poderia acontecer…
Quando achamos que temos todas as respostas do mundo, percebemos que a vida não tem a ver com controle.
Tem a ver com viver e a forma que você vive.
O controle não está em suas mãos e, quanto mais cedo percebemos isso, ajustamos o que é possível, tangível e verdadeiro.
Percebemos o magnífico que sempre esteve diante dos nossos olhos, tão perto… E, às vezes, por ignorância ou por se permitir viver no automático, perdemos o essencial.
Nunca é tarde para um recomeço, para perceber o que antes não se via.
Ana Caroline Marinato
02/05/2026
Eu amo o quentinho do café em minhas mãos, quando abraço o copo com os meus dedos.
Amo ver pessoas passarem, com seus sonhos, suas histórias e pensamentos.
Perceber que existem muitos mundos nesse mundo e que cada um tem o seu particular.
Quando eu era pequena, pedia pra Deus para pensar sobre o pensamento e a visão de outras pessoas.
Hoje, entendo que Deus nunca me permitiu viver isso do jeito que eu queria. Afinal, como seria dar uma espiadinha em algo tão particular?
Como uma criança pode ter esse tipo de pensamento?
Bom, até hoje não descobri…
Recentemente, decidi não questionar tantas coisas sobre mim. O nível de cobrança tem diminuído um pouco e, com isso, tenho me permitido viver…
E isso tem me feito um bem danado, porque eu tenho percebido coisas sobre mim que antes eu não sabia.
Esse momento também tem me permitido abraçar a Ana que eu já conhecia. E não só a Ana…
A Carol também, aquela que tinha pensamentos peculiares e deveras questionadores para uma criança de 8 anos.
Tem sido interessante esse processo de integração e descobertas.
Ana Caroline Marinato
Entre flores, nuvens, estrada e silêncio… eu.
Uma pequena parte do todo.
Ele sorriu pra mim.
Ele sempre sorri…
E o meu coração sempre aquece.
Como pode criar coisas tão perfeitas e magníficas,
capazes de tocar tão fundo?
Eu só tenho a agradecer
por poder contemplar o seu íntimo.
Agradecer por sempre ter a oportunidade
de caminhar na presença do sol.
Agradecer por perceber
e me encantar com cada cor
que surge nesse longo caminho.
Por cada nuvem,
em seu formato único,
que mais me lembra um pensamento.
Por um azul tão infinito
que me traz paz.
Eu vejo e sinto,
porque também faço parte disso.
Você também.
Você também tem olhos de vida…
Se permita.
Ana Caroline Marinato
Sabe o que mais me intriga?
A complexidade e a magnitude do céu.
Ele me abre um vazio no interior.
Não um vazio de ausência,
onde o vácuo é absoluto.
Mas um vasto lugar,
onde a imensidão cabe perfeitamente.
Ele me convida a perceber o infinito de possibilidades
e, ao mesmo tempo,
o quão pequena eu sou diante de tudo.
Se eu pudesse trazer para essas palavras
o mais lindo céu que já vi…
E se pudessem tocá-lo
como eu o toquei…
Observei camadas
e deixei que cada ponto de luz me atravessasse.
E hoje percebo
que uma parte dele reside em mim.
Afinal,
existem coisas impossíveis desver.
E é por isso que eu sempre me lembro:
as estrelas são possíveis
para quem tem o céu no coração.
Ana Caroline Marinato
Sabe? Hoje eu estava pensando…
Às vezes nos protegemos tanto,
que deixamos de viver algo magnífico.
Por medo.
Por tudo o que já nos aconteceu.
Por todas as construções que já iniciamos.
Por todo o amor que depositamos naquilo que é “nosso”.
E eu estou aqui,
tão exposta a tudo,
com sede do que é feito para mim.
Do que encaixa
e, ao mesmo tempo, liberta.
Vivendo todos os dias.
Descobrindo o tempo,
o que me tranquiliza,
o que me toca
e o que me encanta.
Vivendo amor em todos os detalhes.
A vida está pronta para viver.
Ana Caroline Marinato
16/05
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