Cuidando do meu Jardim
“Sorrisos, cachaças e traições”
Um bom dia! amargo, meu café
Desespero, não! Ainda tenho tempo
Agradeço em dia a falha que plano
Afinal, quem eu seria
Se não fossem meus demônios?
Uma parede, apenas beijos
Embriago brigas e sermões
Desatento, entre espasmos aceito
Sorrisos, cachaças e traições
Também penso sobre isso
Na cama, quando o tempo dá voltas
Achei meu jeito de ser fútil
É tão intrigante quanto inútil
Um delírio lúcido sem respostas
”Sobre ela e eu”
Inútil seja meu paladar vazio
Hoje pensei ter certeza de tudo
Perguntas, cavavam o próprio abismo
Beiravam a ira de um absurdo
Acena com calma, respira
Fecha o olho, ainda é dia
Não me respondo como antes
Meus dedos frios são poesias quente
Já nem entendo meus sujeitos mortos
Agarro um álcool e um inconsequente
Um sonho lúcido e um precipício
Salto de peito e espero meu guia
Sorrindo com frio na barriga, caía
Armado ao amargo fato, dizia
O sorriso é uma falha no caminho
A vida, consciência de uma faixa
O choro é a verdade de um sorriso
E a morte, é um gato numa caixa
A ausência dos meus Pais, deixo meu coração sangrado e minha alma ficou metade morta. A saudade são estilhaços de vidro em meu coração!
O quarto onde eu guardava minhas tralhas não tem mais nada meu;
e a cama onde eu dormia, nem mesmo está mais lá.
Livros, estantes e tudo que eu gostava de comer eu levei para fora;
você só sabe o que é seu quando você vai embora.
Na casa de meu avô eu me tornei um visitante;
mesmo assim no meio dia nunca tem comida para mim, como se eu não fosse tão importante.
E por respeito eles toleram quem mais tem ódio;
da família de idiotas que eu tanto amo, só mais um episódio.
Como diz meu pai: ''mantenha seu inimigo perto de você para que ele veja a sua vitória."
Então seu inimigo não precisar saber o que você vai fazer no seu futuro, mais nunca abaixe sua guarda. porque seu inimigo pode ser seu melhor amigo.
mantenha sempre alerta.
Meu sonho é me tornar um antiestresse. É necessário, você não acha? Sem isso, imagina só como o mundo ia ser chato.
Percorri cada espaço do meu finito mundo e não, não te encontrei.
Parti para outros mundos, mundos os quais nunca sonhei, andando por estradas solitárias, tristes e sem vida.
Alcancei distâncias que os homens criaram com as suas guerras e, em algumas, cheguei a lutar, pensando que assim iria te encontrar.
Tudo foi em vão, apenas uma grande dor e muitas lágrimas pude encontrar, nesse tempo de pouco tempo no qual tentei, sem tempo, te encontrar.
Gritei no imenso silêncio da tua ausência e o que escutei foi apenas o silêncio da dor de não te ter.
Meus olhos te chamam, meu corpo te deseja e minha boca sente a saudade dos teus beijos.
Meu samba é a voz do povo
Se alguém gostou
Eu posso cantar de novo
A onda quebrou na praia
E voltou a correr no mar
Meu amor foi como a onda
E não voltou pra me beijar
O BÊBADO E A EQUILIBRISTA
De João Batista do Lago
(Para meu irmão Júlio César, in memoriam)
E lá se vai ele!
Equilibrando-se sobre a corda-vida
segue o bêbado trançando dores,
cerzindo rancores póstumos,
cosendo seu livro de dissabores…
Vê-se de cá, de bem longe,
um zumbi errante
e todos seus vagabundos amores
fazendo-lhe procissão e coro
às suas preces de socorro:
― “a corda-vida não te sustentará
o equilíbrio de que necessitas.
Há um abismo entre teus polos:
abaixo de ti apenas a cova
tua, deitará esquecida a ossatura
da carne antes corroída pelo
colírio de pó de antimônio.”
Hoje não mais cerzes
nem dores… nem dissabores…
E nem mesmo sabe-se do teu equilíbrio,
e nem mesmo sabe-se da corda-vida.
“És apenas lembrança
― lembrança pela vida bebida.
Hoje és, apenas, arcanjo.”
AO MEU OUTRO AMIGO
De João Batista do Lago
Dize-me, tu, meu outro irmão,
que não tenho isenção para defender
a mata onde vivo com meu povo.
Tu, meu outro irmão,
que não conhece a mata
para além do tapete verde da tua sala.
Tu, meu outro irmão,
que não entende da defesa da vida,
só quer transformar a mata em vintém.
Tu, meu outro irmão,
que deseja tão só minha destruição,
por que deseja o fim da minha nação?
Tu, meu outro irmão,
que do anzol não sabe a serventia,
queres a morte do rio, meu alimento.
Tu, meu outro irmão,
que desconhece toda minha etnia,
que não sabe do Tupi-guarani e do Macro-jê.
Tu, meu outro irmão,
conhece os Tenetehara, os Awá-guajá e os Urubu-Kaapor?
Povos de língua Tupi todos são.
Tu, meu outro irmão,
sabe do Apaniekrá e Ramkokamekrá; dos Pukobyê, Krikati, Timbira e Krenyê?
Todos são povos originários: Jê.
Tu, meu outro irmão,
ouviste falar dos Akroá-Gamela e Tremembés?
Ainda hoje lutam por reconhecimento étnico e a demarcação de suas terras!
Então, tu, meu grande irmão,
toma a minha mão e vem. Vem defender a mata,
vem defender a flora, vem defender a fauna.
A existência, meu outro irmão,
depende de nós, depende da nossa união.
É o nosso legado para toda nova geração.
E todo aquele que tiver tramando o meu fim
Erre o caminho e encontre a felicidade
Entrei com meu barquinho no mar do teu mundo, misterioso e tão profundo, navego sem saber para onde vou, sorte que a lua iluminou, olhei para o cruzeiro do sul e o caminho ele me mostrou, e se meu barquinho não suportar e nas ondas do teu mar ele naufragar, chegarei no teu cás nem que eu tenha que nadar...
SE MEU JEITO TE SURPREENDE... ENTÃO BUSQUE ENTENDER... QUE POSSO IR AONDE NINGUÉM FOI E POSSO ESTAR AONDE NINGUÉM VER... POIS O SOL DA MINHA EXISTÊNCIA... PODE OFUSCAR AQUELES QUE NÃO TEM A ALMA, COM A SENSIÍVEL AURA DE LUZ!
Almany Sol - 13/07/12
