Cuidado
Céu Estrelado
No dia a dia, é preciso cuidado,
Pois a inveja espreita em todo lugar.
Olhe para o céu em um dia estrelado:
Nem sempre as nuvens estarão por lá,
Mas, de repente, surge alguma,
Apenas para o brilho das estrelas ofuscar.
Quando o cuidado vem de dentro.
Às vezes, a semente não percebe que já virou árvore,
porque vive olhando apenas para o céu que ainda deseja alcançar.
Esquece das raízes que se aprofundaram em silêncio,
do tronco que resistiu aos ventos,
das folhas que nasceram mesmo depois das tempestades.
Se cobrando para tocar as nuvens,
ela não vê que já oferece sombra, abrigo e vida.
Por isso, seja como a chuva mansa sobre si mesmo:
em vez de tempestade que castiga,
seja água que nutre,
voz que encoraja,
mão que acolhe o próprio crescer.
Porque quem aprende a cuidar do próprio jardim
descobre que floresce muito antes de perceber.
Simone Cruvinel
Respeitar o outro é o primeiro passo para ser respeitado. Corrigir alguém exige cuidado, tom certo e intenção de ajudar, nunca de humilhar.
Transformo a dor do outro em cuidado, pois quem valoriza a vida sabe que o carinho é o único remédio para a carência da alma. Amar as pessoas é acreditar no bem de todos.
"Cuidado com quem provoca o choro alheio para alimentar o próprio ego; a conta da vida não falha, e o peso de pisar em alguém acaba sendo cobrado no próprio caminhar."
"Cuidado ao fazer alguém de degrau: o topo construído sobre a dor dos outros é o lugar mais instável para se viver."
"Cuidado: quem hoje ri da queda do próximo, amanhã terá que caminhar sozinho, porque ninguém constrói lealdade sobre o deboche."
"É legítimo proteger o seu espaço e a sua paz, mas cuidado para que a armadura não fique tão pesada a ponto de você se tornar aquilo que mais temia nos outros."
"Cuidado: quando você gasta todo o seu tempo sendo o algoz de alguém, você acaba perdendo a sua própria identidade no processo."
"Cuidado para não rir do esforço de quem hoje está por baixo, pois amanhã o mundo gira e você vai precisar de uma oportunidade que só quem tem visão pode te dar."
"Cuidado ao zombar do esforço de quem está começando; a história é feita de pessoas que riram do que não entendiam e acabaram pedindo emprego para quem criticavam."
"A crença sem o cuidado pelo próximo é como uma bússola em um deserto: ela aponta o caminho, mas não sacia a sede de quem caminha ao seu lado."
Cuidado ao subestimar a visão de um Maxx escorpiano; a manipulação ali acontece nos detalhes que ninguém vê.
A Rua Não é Garagem
A primeira lata não fez barulho.
Foi colocada com cuidado, quase com carinho — como quem demarca território sem querer parecer invasor. Um gesto particular, silencioso, que dizia: “aqui é meu.” Não havia placa, não havia autorização. Apenas a convicção íntima de que a rua, por um instante, poderia ser privatizada.
E ninguém disse nada.
A segunda lata já veio com mais segurança. A terceira, com naturalidade. Logo, o espaço público ganhou dono — não por lei, mas por hábito. Um hábito perigoso: o de transformar o coletivo em extensão da própria casa.
Ali, naquele pedaço de asfalto, a cidade começou a encolher.
Porque toda vez que alguém ocupa o que é de todos como se fosse só seu, algo maior se perde. Não é apenas uma vaga. É o princípio. É a regra. É o pacto invisível que sustenta a convivência.
E então surge a pergunta inevitável:
e se todos resolvessem fazer o mesmo?
Se cada morador colocasse suas latas, seus cones, seus objetos — defendendo seu “direito” particular — não teríamos mais ruas. Teríamos um mosaico de pequenas propriedades ilegais, uma cidade fragmentada, onde o espaço comum desaparece sob o peso do ego.
A lata, nesse caso, deixa de ser objeto. Vira símbolo.
Símbolo de um abuso pequeno, mas revelador.
Símbolo de uma lógica perigosa: se ninguém impede, então pode.
E é aqui que o silêncio mais pesa.
Porque se há quem avance indevidamente, há também quem deveria conter. A fiscalização não é um detalhe burocrático — é a linha que separa o uso legítimo do abuso cotidiano. Quando ela falha, não apenas permite: ensina.
Ensina que a regra é flexível.
Ensina que o espaço público é negociável.
Ensina que cada um pode criar sua própria lei.
E a cidade paga o preço.
A ausência da Prefeitura — da secretaria responsável, da presença institucional — não é neutra. Ela participa. Ainda que pela omissão. Ainda que pelo atraso. Ainda que pelo costume de não ver o que está diante dos olhos.
Porque a desordem não nasce grande.
Ela começa assim:
com uma lata.
Uma lata que ninguém recolheu.
Uma lata que ninguém questionou.
Uma lata que virou precedente.
E quando o precedente se espalha, já não é mais sobre um morador.
É sobre todos.
A rua, que deveria ser passagem, vira disputa.
O direito, que deveria ser comum, vira privilégio improvisado.
E a cidade — ah, a cidade — vai sendo tomada não por grandes crimes, mas por pequenas permissões.
No fim, aquela lata solitária não guardava apenas uma vaga.
Guardava uma pergunta que insiste:
de quem é a rua, afinal?
Maxileandro Lima
Tenha cuidado ao dispensar aquilo que acha pequeno,.pois até a maior das árvores já foi apenas uma semente!
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