Crônicas de Amor
Não poderás sonhar.
Entretanto quem quer correrá,
se o futuro não está nos ajudando,
eu te juro que encontrará,
um jeito simples de continuar sonhando.
Pena que o futuro já não existe
e o fim que nos foi cedido está nas placas,
não achava que lhe deixaria tão triste,
desculpe pelas vossas emoções estampadas.
Juro que não tentei ser sádico,
mas meu coração é fálido.
Eu não pude me mudar.
Eu achei até que eu seria,
uma forma, um ser que amaria,
perdoe-me, disse que há como sonhar.
Não há...
Porcos imundos bailam no salão.
Eu gostava de cartas rasgadas
e vejo o futuro que sangrará.
Entre ruas alagadas,
não é em dinheiro que nadará.
Somos maior que estes,
imundos, até a morte veio parcelada,
com o fim batendo à porta
as suas mãos já devem estar lavadas.
Entre corpos caídos no chão,
entre quem paga a vida a cartão,
não haverá mais mortes em vão,
quem cairá, é quem já devia estar no chão.
São eles! Os que estão acima de nós.
São eles! Os que dizem ser a nossa voz.
São eles! Quem fala bonito e não faz.
São eles! Quem não deveria ter paz.
Atirem em suas caras. Matem!
Quem fez nada por muito.
Matem! Quem está em cima do muro.
Matem! Ou acham que vai ter perdão?
Matem! Quem nos entoca no escuro.
Matem! Não deve haver salvação.
Imprevista.
De sangue enxuto,
nasceste em minha visão.
Em luto, mútuo,
morreste sem salvação.
E quando disseram: pareces triste.
E o que fizeste, olhei, eu sei.
A quem mentistes?
Por proteção, pensei.
Não queres simplórios,
todos os que vêem
não leem os olhos.
Então não existe mais,
esperança por fazer,
o que resta é estar,
viva, por assim dizer.
Continuação do sonho.
Quem diz que viu, mentiu,
quando queres controlar,
e quem lhe disse que um assobio,
é possível só ouvir e não palpar?
Não pense que estiveste errada,
a vida, é molde próprio pra moldar,
a vida é a continuação do sonho,
pouco após o acordar.
Quem vos disse que o fim é aqui?
E quem disse que o fim existirá?
Pouco após tu partir…
Rosas começaram a chorar.
Então palpando teu caminho,
pus-te em meu sonhar,
viajando só, sozinho,
a ti, continuo a imaginar.
Estrelas.
As estrelas inacessíveis,
não sentimos pelo toque,
mesmo que toquemos,
não as subestimo.
A luz que nos chega,
nos clareia e incendeia,
nos cega e brilha,
nos faz estrela.
E as estrelas humanas,
que beijo na terra,
têm o mesmo brilho que as celestes.
No céu da tua boca,
eu faço estrelas, eu ponho sol.
No céu da tua boca,
faço-me teu igual nó.
Sou apenas um contador de histórias
Uma presença em momentos incriveis
Um observador das maiores maravilhas
Porem há algo de ruim em presenciar
Há algo ruim em escrever
Há algo ruim em contar histórias
Nem sempre quem conta sentiu
E quem escreve viveu
Ainda mais quando os dois são apenas um.
(O Contador de histórias)
INTENSIDADE
Ás vezes a intensidade da saudade nos causa cegueira, tampa nossos olhos para as más coisas que a pessoa que você sente falta te causou e a falta que você sente dela é maior do que qualquer coisa que ela tenha feito contra você e a ponto de você querer perdoar, a ponto de te fazer querer esquecer tudo isso e ajeitar as coisas, voltar no tempo em que era tudo um mar de rosas, onde um apoiava o outro em tudo, onde tinham uma verdadeira vontade de estarem cada vez mais próximo um do outro.
Tenho notado, que seus lábios já não buscam os meus.
Seu olhar já não se perde no meu.
Tuas mãos buscam contatos, que não com o meu corpo, que ainda deseja o seu.
Seus elogios, hoje críticas, seus carinhos, hoje adormecidos, esquecidos.
O romantismo ficou em livros.
Já não existem mais frases e nem juras de amor.
O eu te amo, distante ainda ouço, com a sensação, que a qualquer momento se esvairá.
Então desejarei ficar surdo para fazer de conta que ainda falas mas sou eu que não escuto.
A janela
Foi por essa janela
O desejo
Ensejo
O aroma da cafeína
O corpo sem camisa
Tudo se acabava ao fechar da cortina
E quando a abria
Lá estava em mais um dia
Ou noite
Por vezes madrugada, silenciada
Apenas o som da porta me indicava
Ah, essa janela
Se falasse, contaria
Que deste lado da cortina eu pedia
Para me banhar na mesma água que em ti escorria
Sim, daqui eu ouvia
Não levou muito
Também não pouco, para a janela fechar
A porta se abrir e a mesma lua nos iluminar
Tomada em meu romantismo que te faz graça
Ouvi o sino tocar
O mundo parar
Uma vontade de nunca te deixar
Hoje não mais espectadora
Posso sair da janela
Fechar a cortina
E ser tua a vida toda.
De vez enquando cultivo a liberdade
Mas é a saudade quem a mim conduz.
De vez enquando sou igual crepúsculo
Com coração no escuro
Fico aluno, sem luz.
De vez enquando a saudade aperta
Em mim falta a coberta
Todo anoitecer.
Mas eu já sei com toda clareza
Não me falta certeza
O que falta é você...
Por vezes paro a pensar como você me tira do equilíbrio, um simples gesto é o bastante para que no mesmo instante tudo em mim já se abale.
É, pensam que sou forte mas por que não tiveram a sorte de ser você ao meu lado, um rapaz da cara fechada que sem precisar você fazer quase nada, lágrima aos olhos vem molhar.
Tudo é muito intenso, quanto mais eu penso, mais eu me contento até passar por sofrimento se ao meu lado tu esta, pois nessa vida o que quero passar todos invernos no teu colo e te Amar.
Reluzente
Teus olhos são lindos brilhantes,
Moldados no mais belo rosto,
Emitindo seus brilhos cintilantes,
Que jamais fora exposto.
Oh quão exuberante beleza,
Vos sois a minha guia linear,
Que orienta com fios de sutileza,
Por todos os dias o meu caminhar.
Oh estrela linda e incandescente,
A sua beleza e o calor me faz delirar,
Enfeitiçado pelo seu raio reluzente,
Num delírio que me fez vertiginar.
Inspirei-me na sua pureza,
Pra estes versos confeccionar,
Imortalizando a sua beleza,
Numa flor a desabrochar.
DuArt 25/ 03 / 2018
Fonte de Inspiração
Chegou com simplicidade,
Encantando meu coração,
Mostrando-me a realidade,
Chamando minha atenção.
Nossos olhares se cruzaram,
Sem titubear me encantei,
Teus lábios me intimaram,
E o seu pedido aceitei.
A imagem fixou no pensamento,
Aguçando o sentido do desejo,
Efervescendo o meu sentimento,
Que sai a procura de um beijo.
Lábios carnudos e avermelhados,
Por um batom de sabor diferente,
Com movimentos bem acanhados,
Sob uma veste bem envolvente.
Num final de tarde de verão,
O sol se pondo no horizonte,
Uma imagem típica da estação,
Refletida sobre o monte.
Com malícia e sedução,
Conseguiu me envolver,
Minha fonte de inspiração,
Que mudou o meu viver.
Com o meu jeito romântico,
E uma voz aveludada,
Exibindo lindo cântico,
Assentado numa calçada.
Acompanhado por um violão,
Num dedilhado eletrizante,
Pelos acordes da canção,
Com um estilo dominante.
Com notas agudas e graves,
Misturando a dissonância,
Passando por várias claves,
Sem perder a elegância.
Hoje és a música que gosto de ouvir,
O abraço que espero para me envolver,
Na ansiedade mais louca sem me atrevir,
Simplesmente por medo de enlouquecer.
O futuro infelizmente não consigo prever,
Mas confesso que tenho um lindo passado,
Estou no momento equilibrando o meu viver,
Sempre agradecendo o presente conquistado.
Du’Art 30 / 04 / 2017
Espera
Como o tempo demora
Pra quem tanto espera
Os ponteiros do relógio param
As imaginações do tempo separam
Enquanto espera sonha
Na doce vontade medonha
Para que acabe a demora
Do tempo que separa
E quando acaba a espera?
Como fazer o tempo para
Já não controlo o tempo
E viver intensamente o momento
E no tempo que não para
Vai viver no futuro as lembranças
De um momento único na esperança
A primeira taça de vinho que não mais separa
SORRISO
Às vezes aparece nas fotos
Um sorriso que esconde
A dor da solidão de fato
Mas que não corresponde
Fotos com pouco sorriso
Verdade de amor escondido
Sorrindo não revelado
De um coração cansado
Apareceu em um olhar
Um raio de felicidade
Sem esperar acontece
Uma boca pra falar
Hoje tenho um sorriso na alma
Alguém que o brilho vai me trazer
Quando esse dia chegar acalma
E meu sorriso será por prazer
Eli Ferreira
Nita
Nita mulher doce
Capaz de brilhar
Só com a luz do olhar
Em um rosto complacente
Nita traz em si a harmonia
Que ate no andar traz há poesia
No olhar a doce melodia
De um conjunto sem distonia
Nita em tudo é beleza
Gestos suaves e delicados
Na ternura que realiza
O carinho no toque dos dedos
Apenas Lembranças
Hoje me senti incomodado
Senti meu coração estranho,
Um tanto triste e acelerado,
Com a voz um tipo fanho,
Confesso não entender,
Tudo estava maravilhoso,
Isso me veio a acontecer,
Preferi um pouco de repouso,
Percebi algo complicando,
No peito uma dor irritante,
Sinal que estava fibrilando,
Por ser uma dor constante,
Confesso que senti tristeza,
Ao descobrir o motivo da dor,
Me causando uma forte incerteza,
Sem saber se foi amizade ou amor,
O tempo lentamente foi passando,
E essa dúvida pairando no ar,
Tendo a mente e o coração conflitando,
Com sua maneira de me encantar,
Como a lua vagando no horizonte,
Por uma constelação brilhante,
Fazendo de minha inspiração a fonte,
Lapidando o mais lindo diamante,
Cada vez mais me enfeitiçando,
Tirando a minha total concentração,
Parecia estar realmente me amando,
Mas percebi que era encenação,
Seus olhos brilhando como faróis,
Iluminando a escuridão da neblina,
Senti o momento de ficarmos a sóis,
Mas desapareceu de forma repentina,
Ainda permaneci a sua procura,
Encontrando tamanha dificuldade,
Talvez seja apenas uma loucura,
Desencadeada por sua saudade.
DuArt 16/ 12/ 2017
Tempo Perdido
Ofusquem-me lágrimas, hoje não me importo de chorar,
Aqueçam as minhas pálpebras com o calor das tuas águas,
As mágoas de ocasiões passadas, trazem-me martírio e lamento.
Quanto tempo perdido, quantas frases sem nexo lançadas ao vento.
Ignorância. Tudo o que eu aprendi e fiz. Ignorância.
Para nada serve viver por viver, existir por existir,
Tive a chance de plantar flores, mas, abracei a inconstância,
Tive a chance de dançar na chuva, mas, o medo dos raios me fez desistir.
Ofusquem-me lágrimas, hoje faço questão de chorar,
Ceguem-me, tal qual uma fonte de águas quentes, sobre pedras a jorrar,
Não posso voltar ao passado, em busca das coisas que ficaram lá,
Coisas minhas, íntimas, secretas, que não quero compartilhar.
Assim como a flecha corre em direção ao alvo, eu corro em direção dos sonhos que em minha mente fazem morada.
Solte a imaginação. Ela é como o balançar das nuvens, você percebe, mas não acredita. Por quê? Todos dizem que ela está parada.
A imaginação é livre, você pode acreditar, assim como seus sonhos.
Imagine agora. Um park, com flores de outono no chão, o ar frio, mas nem tanto, uma estradinha. Você senta em um banco, com seu cachorro ao lado e ele te lambe, mostrando carinho por você. O vento sopra mais forte. Agora deu vontade de tomar um chocolate quente, em um local todo feito de madeira, mostrando certa simplicidade.
É tão perfeito que nem parece ser verdade. Mas é... na sua mente e ela está leve para aceitar tudo o que há de bom para entrar. Olhe ao seu redor, tudo está tão perfeito.
Inexplicável
Como é difícil,
Explicar o inexplicável!
Esquecer o que foi esquecido!
Apagar o que foi apagado!
Destruir o que foi destruído!
Não relembrar um passado!
Que se alojou em meu subconsciente,
E que sem sair de minha mente,
Por mais que eu esteja consciente,
Ainda relutando desesperadamente,
Confesso não me entregar,
É como um texto bem redigido,
Gravado num disco rígido,
Onde tudo fica arquivado,
Até mesmo um arquivo corrompido,
Que um dia poderá ser recuperado,
Pelas flechas de um maluco cupido,
Que sem pontaria e sem direção,
Alcançando como o perfeito alvo,
O centro exato de meu coração,
Me deixando frágil e destruído,
Por um amor cego e atrevido,
Que me abordou de forma estranha,
Utilizando de sua artimanha,
Transformando em amor bandido.
