Criação e inspiração
O tempo se curva, a eternidade acena,
a criação geme por vida plena.
E entre lutas, e dores,
um grito sobe e alcança os céus:
“Vem, Senhor Jesus!”
Não é um clamor de desespero,
mas de amor sincero e verdadeiro.
É saudade do lar que não se vê,
é a voz da fé que diz: “Eu criei!”
Deus não olhou pra mim por mérito,
Não me viu melhor que ninguém.
Mas com olhos de puro amor,
Me achou no meio do desdém.
Ele me viu no fundo do vale,
Na poeira da rejeição.
E disse: “Esse é Meu filho(a)!
Vou restaurar seu coração.”
Se fui o pior, Ele foi maior,
Se pequei demais, Sua graça foi melhor.
Agora sou prova viva do favor,
De que o Amor venceu a dor.
Mesmo sendo pecadora, o Teu amor me encontrou.
"...sim comadre: formiga quando quer se perder cria asas"
Foi a frase que ouvi mamãe falar ao telefone.
Mais um, dos tais ditos populares.
Claro, crianças estão sempre antenadas!
Encerrada a conversa das comadres, era a hora da minha pergunta:
- Mamãe, por que uma formiga quando quer se perder cria asas?!
Resposta imediata:
"Filha, isso é apenas um ditado popular.
Significa que vivemos sob a tutela da família e então resolvemos alçar novos vôos, criando asas...
Esse ditado também é muito usado quando jovens que por sua imaturidade e rebeldia, acabam prejudicando-se por não escutarem seu pais.
Imagine se mamãe tivesse nascido nos idos de1990, época em que a tecnologia começava a se integrar à vida cotidiana das pessoas. Hoje, ela certamente estaria atuando na área de cibersegurança, protegendo informações e garantindo a segurança digital.
Desde pequena, me sentia envolvida pelos ditos populares repetidos por mamãe. Ela costumava dizer: "É preciso desconfiar até do vento e, não confiar, de olhos fechados, nos sapatos que calçamos sem antes verifica-los". Essas palavras ecoam até hoje..
Mamãe era uma mulher intuitiva e precavida.
Sua sabedoria vinha de experiências reais e de lições aprendidas no convívio com outras pessoas.
Hoje, estamos imersos em um mundo virtual repleto de ameaças e vulnerabilidades, onde a cautela é fundamental. Em meio a tantos desafios digitais, os ensinamentos de mamãe sobre desconfiança e prudência, ganham ainda mais relevância.
O pensamento pode te levar a lugares incríveis, você pode criar um mundo só seu e compartilhá-lo se assim desejar.
Ingrato
Dei-lhe o melhor de mim, meus sonhos e a juventude, meus dias e noites, meus beijos e abraços e todos os sentimentos de quem ama e quer bem. Esmagastes meu coração em suas mãos até sangrar, sugastes todo o néctar de sentimentos puro e verdadeiro nutrido por ti, mastigastes tudo até não haver um brilho de esperança em meus olhos e por fim cospe tudo em pedaços retorcidos.
SENHOR DE MIM
Quando você aparece...
Meus pensamentos criam asas quando vejo esses lábios lindos, e voam ainda mais alto quando você me fala palavras doces...
Olho através desses olhos brilhantes em tom café, e me perco em um mundo fantástico onde você é o senhor dos meus desejos e eu sua rosa menina, entregue em seus braços para me fazer mulher.
Sua pele macia, seu perfume, suas mãos... por um momento me roubam as palavras e sou incapaz de descrever o que eu sinto.
Te desejo e te quero cada vez mais. Ainda que as palavras me faltem, meu corpo confirma.
Cria do vacilo
Nada além de chuva cai do céu...
Então mané, para de achar que apenas sua fé lhe dará: carro, mansão, dinheiro ou status. Arregace as mangas e descruse esses braços.
Vá trabalhar vagabundo, lembre que você não é o filho do dono do mundo. Pois esse filho morreu pra nos salvar, então deixa de ilusão e vá trabalhar.
Nada além de chuva cai do céu...
E aí vai procrastinar e depois fazer jejum para graças alcançar? Aê vacilão, tô vendo que seus pais não vai perder o bebezão.
Vá trabalhar vagabundo, lembre que você não é o filho do dono do mundo. Pois esse filho morreu pra nos salvar, então deixa de ilusão e vá trabalhar.
Nada além de chuva cai do céu...
Quer saber o que é choque de verdade? Será quando descobrir aos 40, que tem maturidade e experiência de moleque de 7 anos de idade.
Nada além de chuva cai do céu...
Pois é, já não é engraçadinho... grisalho, barrigudo, mimado, diabético e pressão alta. Paciência? Perdeu playboy, vai ficar sozinho.
A inspiração vem da dor, sempre da dor... Cada gesto de escrita nasce de uma ferida fresca ou de um hematoma emocional, sem essa dor, minha voz se calaria. Reconhecer que só a angústia me impulsiona a criar é aceitar que a beleza de cada frase vem acompanhada do sabor amargo de lembranças que preferiria esquecer.
Ultimamente, sinto que meu combustível criativo está baixo, como um pássaro que pausa o voo para descansar. Mas sei que essa pausa é apenas um respiro, um momento necessário para renovar as forças. A inspiração talvez esteja se recolhendo, preparando-se para voltar com mais intensidade, e minha voz, mesmo silenciada por ora, ainda guarda em si o poder de ecoar novas histórias.
Como uma criança, anseio por sentir com verdade, falar com leveza e desconhecer a mentira, pois nela, nada há de natural. A criança não finge, apenas existe, inteira e sincera no que sente.
Alguma pessoa
(Inspiração adolescente)
Andando num lugar muito movimentado
Notei pessoas de vários tipos.
Eu não pensava normalmente,
Sonhava com algo...
E foi com esse pensamento
Que deparei com dois olhos,
Olhos grandes, crianças...
Estes eram puros,
Pareciam castanhos!
Traziam, bem no fundo,
Tristezas não reveladas,
E alegrias que nos enganam.
Eras uma quase criança; então um apelido se fez!
Olhamo-nos...
Meus olhos não são sonhadores
Como os das crianças...
Mas sim de querer paz!
Tu, apesar da idade,
Apesar do tamanho,
Tinhas um rosto tão jovem, infantil...
Será que nunca mais verei,
Aqueles olhos castanhos,
De tristezas não reveladas
E alegrias que nos enganam?
Sim, foi só um relance!
Mas só os olhos falam da alma? Do caráter?
E os sentimentos?
Talvez sejam verdes!
Diferentes dos meus...
Talvez teus olhos, enormes,
Sejam a revelação do mais puro amor!
Ou me enganei?
Será que nunca mais verei,
Aqueles olhos castanhos,
De tristezas não reveladas
E alegrias que nos enganam?
Outros passos eu dei.
E me fui...
Pensando sempre nos olhos tão sonhadores
Que põem qualquer um a sonhar
E a pensar em amar!
Tudo desapareceu.
Morreu!
Seguistes um caminho, para mim indiferente...
E eu segui o meu, que para ti é desconhecido.
Na verdade, nunca mais te vi!
Agosto/ 1967
Sonhos maravilhosos
(inspiração adolescente)
I
Sonhei, tu estavas entre estrelas...
Uma festa só de luzes!
Meu amor junto a mim!
II
E como em murmúrios de lágrimas,
E em tinir de cristais,
Começamos a dançar
A nos amar
A correr em pleno salão...
Tu estavas em plena emoção,
E tua sensível alma
Não cabia em si de alegria!
III
Ao veres o sol bem longínquo
Gritastes e me chamastes:
__ A M O R
IV
Uma vida nunca imaginada,
Com grandes seres em jornada
Para nos mundos estranhos o amor colocar.
E eles vieram a mim,
Deram-me a vida sem fim...
V
Mas os murmúrios não paravam,
E continuamos dançando lá no alto...
Como se estivéssemos num palco.
VI
Meus melhores dias,
Minhas melhores horas tinham que terminar,
Morrer...
E a linda valsa nunca escutada,
Seus lindos traços jamais imaginados,
Findaram...
E só lembro:
Os murmúrios como as lágrimas,
Os tinires como em cristais,
O começo da dança,
- A valsa,
O salão todo em luz,
Estrelas...
1967
Tentações humanas
(Inspiração adolescente)
Da escuridão gélida da noite,
Sem conter um ar de vida em cores,
O feroz ser das multidões longínquas
Fez-se mais uma vez presente!
Conseguias derrubar montanhas onipotentes,
Destruir mil vidas encarniçadas.
Enquanto outras, ainda mais desgraçadas,
Se debruçavam no mundo tristemente...
Em cada face amiga que surgia,
Mais um tremor entre o céu e a terra se fazia,
Mais uma vez plantar seu ódio conseguias!
Tu, o que queres?
O que desejas?
Nenhuma resposta!
Mas algo era certo: era o diabo que surgia!
Agosto/1968
Perdão do esquecimento
(inspiração adolescente)
Pequei!
Se pequei, pecastes mais!
Eu gritei...
E de um surdo eco me arrepiei.
De joelhos mais uma vez fiquei...
Procurei teu olhar sem encontrá-lo.
Queria-te por toda força junto a mim.
Mas nada fazia sentido...
Tudo desfeito!
O amor que nos unia, findou.
Ódio em teu olhar notei!
Compreendi que entre nós tudo estava acabado...
Chorei noites, fiz nascer dias.
Construí e imaginei mortes.
Mas seu perdão eu nunca mais teria...
1968
Sem nome
(inspiração adolescente)
Iluminou-se um caminho.
Fez-se em chamas o Universo.
Estrelas entreolharam-se
Mas simplesmente não se viram...
-- e nem podiam.
Voltaram-se todas para o mesmo caminho...
Num pequeno fim de mundo
Encontram e iluminaram um tesouro,
Tesouro que transmitia amor...
Era um pequeno mundo sem fim,
Onde um menino surgiu, abençoando a Humanidade!
Dezembro/ 1969
.P.A.L.A.V.R.E.A.N.D.O.
PRIMEIRA NEUROSE
(inspiração adolescente)
Sou eu,
Simplesmente isso:
Neurótica.
Vinda de neuroses!
De um caminho...
... beira da loucura!
Sem cura,
Sem remo.
Vai devagar infiltrando-se em minh’ alma.
Escolhe um canto,
Ali mora...
Instala-se!
Cresce e depois simplesmente morre.
Sim, vem com ela a morte.
Eternamente.
Sempre.
Leva-me e leva-o também.
Sempre assim.
Amém!
Jan/ 1969
SEGUNDA NEUROSE
(inspiração adolescente)
Neurose ou loucura?
Até o título mudei.
Passou à frente.
És segunda!
A primeira? Destruída...
Esta? Maltrapilha, fulgurante.
Também, caminha!
Ah, sim, resides em mim.
És amiga nova.
Bem-vinda sejas!
Queres ficar? A casa é tua.
Não mais minha... nem da outra, a primeira.
Como vês, sou bem mais tua amiga.
__ Mas, notes bem, não confia.
Vás levando.
Mores em mim!
Fiques mais. Assim... caminha.
Não tenhas dó.
Há muito não sei disso...
Sou sozinha!
Ah, o amor?
Quantos o temem.
E tu?
Não respondes... é impossível.
Tu és destruição.
O amor constrói. Cria vidas!
Bem, como eu sei?
__ Já amei:
Tomei uma flor...
Rebusquei-a. Maltratei-a até!
Mas ela era perfeita!
Quem não a amaria?
Como vês, quem não ama alguma coisa?
E tu, amas também?
Set/ 1970
BEIRA
(inspiração adolescente)
Com licença!
Aqui não é lugar pra mim.
Eu sou um revoltado...
-- Ora quero amor.
-- Ora a solidão.
Com licença!
Aqui não é lugar pra mim.
Eu sou um neurótico.
-- Ora não sei por onde vou.
-- Ora encontro só caminhos.
Mas com licença!
Aqui não é lugar pra mim.
Bem, eu sou um quase louco.
-- Ora não reconheço imagens.
-- Ora, há hora em que há menos ainda.
Com licença, eu me vou!
Aqui não é lugar pra mim.
-- Ora nem para ti.
-- Ora nem para nós todos!
Nós somos... quase.
Só isso!
Um pouco de nada com um toque de cor!
Set/ 1970
ZOO ? !
(inspiração quase adolescente)
Zodíaco, um aquário...
Lendas mitos e, no fundo, um saber.
Zodíaco, um peixes...
Do mar, do mistério, do homem nu.
Um áries...
Fogo e brasão, representação de gente histérica!
Do taurus... fugidio, rico e que acelera a vida.
Do gêmeos com câncer...
Leva o espírito, mata a matéria compadecido e passivo...
Zodíaco, astrologia leonina...
Marca o marco, ponto largo; o universo gira.
Ah, virgem!
Vida santa, martiriza a flor
Protege seus restos com o poder da vontade.
Signo libra e escorpião...
Vem do amor, marca a música, é imortalidade.
Num quase findar, sagitário...
Arredio, constrangido, que a vida leva.
Que marca o mundo...
Capricórnio...
fim de tudo.
Quase vida.
É terra, da teimosia e das cores negras que não existem.
Todos, tudo unido num poço fundo...
Mistérios que se compadecem da alma humana.
Set/1970
