Criação e inspiração
A normalização do erro cria homens fracos.
Leiam a frase: "Tempos difíceis criam homens fortes; homens fortes criam tempos fáceis; tempos fáceis criam homens fracos; homens fracos criam tempos difíceis". Agora, pensemos: qual é o meu tempo?
A modernidade nos empurra para um cotidiano de pura automação de tarefas. Basicamente, o nosso hoje é o reflexo do ontem, com pouca ou nenhuma diferença. Pouco se muda, pouco se acrescenta.
O conforto das coisas prontas, a praticidade trazida pela modernidade faz com que nossos esforços sejam direcionados para todas as direções de forma rasa e nem sempre eficaz.
E, quando a atenção e o pensamento divagam no turbilhão das coisas existentes, fixar a atenção e o pensamento torna-se tarefa árdua.
A crítica, construtiva ou não, nasce da observação, do pensamento analítico, do conhecimento, do desafio. Perpassa pelo caminho árduo da busca pela razão e confronta o status quo.
Acreditar que tudo está certo é um erro reforçado pelo comodismo ao qual socialmente estamos sujeitos. Se a sociedade toma determinada decisão, ela deve estar certa, e, estando certa, terei que seguir sem questionar. Ora! O livre arbítrio que possuímos tem o poder de romper os grilhões ou aceitar o açoite. E, neste caso, podemos fazer a escolha.
Quando o que antes era um erro se torna coisa comum, é porque tal situação foi normalizada. Isso não quer dizer que ela tenha se tornado certa, mas que há uma "tolerância" em razão de sua prática.
Mas não se esqueçam: a normalização do erro é uma armadilha sutil que mina a força moral e a capacidade de superação dos indivíduos. Quando a sociedade passa a tratar a falha, a mediocridade e a falta de esforço como meros fatos aceitáveis da vida, sem exigir responsabilidade ou incentivar a correção e o crescimento, estamos cultivando uma geração de homens fracos. Essa fraqueza se consolida na fragilidade de caráter e na aversão ao desafio.
O homem moldado nesse barro, sem a pressão necessária para seu total desenvolvimento, acaba por tornar-se propenso à vitimização e à complacência. Não desenvolver a resiliência necessária para enfrentar as adversidades é o mesmo que esperar que suas falhas sejam automaticamente perdoadas ou ignoradas. A verdadeira força é burilada na autocrítica, na observação pausada e sensata do ambiente no qual estamos inseridos, na humildade de reconhecer o deslize e, crucialmente, no esforço determinado para se levantar e fazer melhor.
Aceitar a normalização motivada pela cegueira própria, em razão de uma percepção equivocada do ambiente em que se está inserido, é o mesmo que aceitar tal fato como o fim da jornada, em vez de um degrau para o aprimoramento. Isso, em última análise, enfraquece o espírito e limita seu potencial.
O fato de estar presente não quer dizer que você esteja realmente presente. Não normalize, antes, questione. Não aceite a visão utópica daquilo que um dia foi regra, e não acredite que há mar no Brasil.
Pense e reflita.
Não acredite.
Massako 🐢
Cada qual adota o comportamento que é melhor para sua vida, e a escolha é um direito inalienável da pessoa humana. Nosso histórico de perdas e ganhos é que vai nos mostrar qual o melhor modelo, daí porque há de se buscar entender e respeitar as diferenças.
Entre o incômodo de uma mentira educada e uma verdade deselegante, o silêncio pode ser a melhor alternativa.
O melhor presente que podemos dar às pessoas, e ao ambiente que dividimos com elas, é tornar os sinais de nossa passagem invisíveis a olho nu, mas transformá-los em marcas indeléveis em seus corações.
Teve pessoas cujas vidas se tornaram perenes fontes de inspiração para erros que eu jamais deveria introduzir na minha.
Uma das descobertas mais deliciosas da maturidade é a de que podemos viver muito melhor sem aquela enorme quantidade de coisas que antes acreditávamos “indispensáveis”, e de como a vida fica tão mais leve sem elas.
Ideologicamente não duvido de que passaríamos muito melhor sem as religiões. Nenhum de seus maiores líderes fundou igrejas. Mas também reconheço que, para muitos que não conseguem andar com as próprias pernas, as muletas ainda são importantes, ainda precisam que alguém lhes dite o que fazer, já que não conseguem pensar por si mesmos. E é no meio desse medo todo de enfrentar suas verdades que os "fazedores de cabeças" encontram espaço para se multiplicar e encher os bolsos em cima da miséria e da boa fé humanas.
A forma de criar um escudo protetor contra as pessoas que nos constrangem o espírito é primeiro criar para nós mesmos as regras de convívio que estabelecemos com elas e em nenhuma circunstância abrir mão delas para que descubram que não podem atingir-nos com sua prepotência, tentativas de insurgência ou poder de intimidação. A segunda medida é definir canais de contato que nos permitam refletir sobre o que nos pedem, avaliar tudo o que possa induzir-nos a erro e escolher com toda cautela as decisões que se mostrarem mais confiáveis.
Estado de graça: “Minha nossa! Nem em sonhos poderia imaginar tanta coisa grande ao alcance de um passo!”
Estado de raiva: “Mas por que, caramba, demorei tanto no pequeno, com toda essa imensidão pedindo para ser vivida?”
A vida me ensinou que todas as pessoas, sem exceção, possuem um lado melhor e um lado pior, uma face conhecida e uma face oculta, e que não é isso, necessariamente, que as encaixa na classificação de boas ou más, mas sim o cuidado com que utilizam seus dois lados para que outras não se machuquem com eles.
Se ajoelhar aos seus desejos é prender a si mesmo, criando o mais perigoso dos abismos entre o momentâneo e a responsabilidade, entre a infantilidade e a maturidade. Sejais maduros e disciplinados. Só assim serás árvore que dá frutos
Esses dias me chamaram de bom criador de conteúdo.
Mas, pra ser sincero, eu não me vejo como criador de nada, muito menos de conteúdo.
Se tivesse que escolher um nome, talvez “destruidor de conteúdo” me caísse melhor.
Eu gosto é de desmontar, de rasgar até o osso pra entender como as coisas respiram.
Sempre fui mais curioso com os processos do que com os resultados.
Quando criança, minha obsessão era quebrar eletrônicos.
Desmontava até o fim, sem motivo algum.
Era só o fascínio de ver onde cada coisa se encaixa.
E foi assim que acabei virando artista.
Não me importo com a obra pronta, nem com elogios.
O que me move é falar do caminho, do que aconteceu até chegar lá.
A arte nunca termina, nunca repousa.
A beleza está no processo, na descoberta, na criação que sangra e não para.
Isso é infinitamente mais profundo que qualquer obra finalizada.
E eu não crio conteúdo, apenas tenho conteúdo de mais pra compartilhar.
