Covinhas no Rosto

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Sorrio por economia de forças, para que o rosto não quebre. Por dentro, há um mercado de lembranças em liquidação: tudo pela metade. Compro apenas o necessário, memórias que me sustentem até o amanhã, e guardo o resto numa caixa que só abro quando a noite me desafia.

Quando lembro de rostos que se foram, sinto biblioteca. Cada rosto é livro que permanece em pé. Releio páginas e guardo citações vivas dentro do peito. A memória é editorial que não fecha jamais. E eu sou leitor fiel dessa editora íntima.

O mundo é um baile de máscaras onde eu cheguei com o rosto nu e agora todos se afastam, assustados com a honestidade da minha tristeza. Não nasci para o carnaval das aparências, prefiro a quarta-feira de cinzas, onde tudo é cinza, mas ao menos é real.

Sombra e Espelho
​Olho no espelho e vejo o rosto do meu pai,
E neles, os olhos de quem veio antes.
É uma história que não morre, que não sai,
Narrada em traumas e gritos distantes.
​A pobreza não é só o prato vazio,
É o medo constante de nunca chegar.
O abuso é um nó, um emaranhado fio,
Que as mãos da criança tentam desatar.
​Somos prisioneiros de um ciclo invisível,
Moldados por sombras que não são as nossas.
Onde a alegria parece algo impossível,
E as raízes da dor são fundas e grossas.
​Porém, o "Eco das Gerações" pode mudar de tom.
Se a consciência desperta e a ferida se trata,
O que era castigo torna-se um dom:
A força de quem a própria sombra resgata.

A Fome

A fome…
Agora todos reconhecem a tua presença.
Negar-te no rosto do povo é pura indiferença.
Levas contigo a nossa alegria,
Enquanto impostos nascem em nome do progresso —
Mas já duvidamos da promessa chamada esperança.

Angola,
Mais uma vez te escrevo,
Não para acusar,
Mas para aliviar a alma cansada.
Há dias em que somos tentados...
Não sabemos mais se a honestidade ainda salva.
A fome invadiu os nossos bairros,
Descontrolada, feroz —
Alguém que a dome!

Tiraste-nos a dignidade,
E agora rondas as nossas casas como um espírito sombrio.
Pagaremos mais impostos...
Quem sabe assim desapareces.

As igrejas transbordam nos nossos bairros —
Ó Deus,
Agora nos alimentamos apenas pela fé!

Mas mais do que a fome,
São esses pensamentos que me matam.

Só de pensar;
Boas lembranças
Nos traz um sorriso no rosto.

Somos mães , somos pais

Somos aqueles que, antes mesmo de conhecer o rosto de nossos filhos, já os amávamos com uma intensidade que não cabe em palavras. Somos aqueles que dedicam décadas (não dias, não meses ) à construção de algo que o mundo parece, cada vez mais, disposto a desmontar.
Vivemos tempos sombrios. Tempos em que pessoas que não conhecem nossos filhos, que não os amam, que não participaram de nenhuma lágrima, de nenhum cuidado, de nenhuma noite em claro, querem destruir o que levamos uma vida inteira para construir . Nós, mães e pais, não criamos apenas indivíduos, criamos seres humanos. Ensinamos amor próprio e amor ao próximo. Ensinamos que a vida só é possível porque existe o outro, porque vivemos em sociedade.
A maternidade e a paternidade são caminhos de amor, mas também de renúncia. De tempo dedicado, de investimentos invisíveis, de cuidados constantes. A partir do momento em que um filho nasce, a vida já não é mais apenas nossa. Não vivemos mais só por nós. Caminhamos por uma estrada desconhecida, sinuosa, cheia de medos e inseguranças. Ainda assim, seguimos. Desbravamos. Enfrentamos tudo e todos. Vivemos momentos de entrega profunda, de exaustão extrema. Passamos por fases difíceis e superamos, uma a uma.
Aquilo que para nós é amor, para muitos se tornou algoritmo e lucro. Há quem esteja vendendo a desumanidade como estilo de vida, auto ajuda. Estão transformando o egoísmo em virtude, a indiferença em proteção, a falta de empatia em força, o individualismo em conquista.Uma ambição desenfreada que corrói o que o ser humano tem de mais belo: as relações humanas, o cuidado com o outro, o amor.
O que vemos crescer é uma geração cercada por vozes que ensinam a se desconectar, a endurecer, a se fechar. Humanos cada vez mais vazios, mais intolerantes, mais agressivos, mais autossuficientes , ou pelo menos acreditando que são. Consumidores de ideias que os afastam daquilo que os torna verdadeiramente humanos.
Mas há algo que muitos esquecem.
A mãe vida e o pai tempo não dormem. Não se cansam. Não desistem. Não param.
E mais cedo ou mais tarde, eles ensinam aquilo que quem não ama jamais conseguirá ensinar: que ninguém vive só por si. Que existir é, inevitavelmente, coexistir. Que o amor , esse que tentam reduzir, distorcer ou vender , continua sendo a única força capaz de sustentar o que ainda nos resta de humanidade.
Que toda mudança seja pra dignificar o ser humano, jamais desumanizar. E que nossos filhos sejam exemplos de mães e pais , humanamente melhores.

Iaponira Barros

⁠No rosto da vida moram coringas, palhaços, malabaristas e flautistas. Cada um usando sua maquiagem do dia.

Debbie Villela

Ame o seu próximo com atitudes genuínas, enxergando em cada rosto a imagem da bondade e da criação divina.

A ILUSÃO DA APARÊNCIA: Passam horas maquiando o rosto e buscando status para se sentirem superiores no espelho, mas têm a alma vazia, incapazes de estender a mão para aliviar a dor de quem realmente precisa.

A riqueza de mentira para humilhar: Passam produtos caros no rosto e ostentam o que não podem para fingir que são superiores, enquanto ignoram completamente o sofrimento de quem tenta vencer com suor e honestidade.

"Você e eu somos a sociedade. Se não vivemos em harmonia, o erro do mundo tem o nosso rosto."

O espelho reflete o mesmo rosto, mas os olhos que o habitam pertencem a um estranho que nasceu no momento em que a dor chegou.

( Kaoma )
minha melhor amiga de rosto angelical que esconde as mágoas da vida atrás de sorrisos suaves, como quem aprendeu a suportar o peso do mundo em silêncio, mas que mesmo assim nunca me deixou nunca virou as costas, nunca soltou minha mão e permanecendo firme como abrigo nos dias difíceis, presença constante em meio ao caos, prova viva de lealdade em um mundo onde muitos partem, sendo mais que amiga sendo parte de mim, minha melhor amiga, minha certeza em forma de gente.

Às vezes, me sinto uma alma sem rosto, quando estou em qualquer lugar por aí, parece até que não sou real, e tudo o que estou vivendo é uma ficção dentro de uma realidade que parece que me escolheu, mas não eu...

Amor invisível


Eu amo alguém sem rosto, sem corpo e sem nome. Amo como se o próprio amor me abraçasse. É um sentimento que não sei explicar, mas sinto, com certeza, que ele existe. Está em algum lugar deste mundo ou talvez além dele. É como se nossas almas se reconhecessem nessa travessia silenciosa, ainda sem encontro, mas já entrelaçadas no invisível.


Não é como o amor carnal. É encontro de essência, de espírito, onde não há distância nem tempo. Ali, nos reconhecemos, nos entregamos, e nos alimentamos desse laço sutil.


Assim como o corpo precisa do alimento físico, a alma também busca o seu sustento. E é nesse amor invisível que ela se fortalece, se nutre e continua a existir.

"Num impulso de indignação
escondi de você por um instante
o meu rosto,
mas com bondade eterna
terei compaixão de você".
(Isaías 54:8)

“Seu olhar me encontrou quando o mundo virou o rosto. Minha gratidão começa aí.”

Teorema do Olhar Elevado

Não é o rosto — é o gesto contido,
é o queixo erguido em ângulo preciso,
como quem conhece o próprio domínio
e mede o mundo sem pedir aviso.
Teus olhos não miram de frente,
deslizam em órbita sutil;
não fogem — escolhem o instante,
como quem calcula o próprio perfil.
Não há riso aberto, espalhado,
há curva mínima, estratégica intenção;
um desdém doce, arquitetado,
feito assinatura em declaração.
Tua mão no cabelo é bússola leve,
aponta o centro da própria atenção;
não é vaidade — é narrativa breve,
é direção consciente da percepção.
Há fogo na cor que te veste,
mas gelo na calma que sustenta o olhar;
combinação rara — teste e convite,
porta entreaberta que sabe fechar.
Chamam de pose. Eu chamo de código.
Chamam de foto. Eu chamo de sinal.
Pois quem domina a própria imagem
já ensaia comando no plano real.
Se a ciência diz que rosto não dita
o caráter ou o coração,
a expressão, porém, sempre grita
a postura diante da multidão.
E ali, no ângulo exato da cena,
não vejo acaso nem distração:
vejo mente que calcula a arena
e alma que aprecia o desafio da atenção.

John Rabello de Carvalho

"Carrego sempre uma expressão séria no rosto e raramente deixo transparecer o que sinto. Mantenho um olhar firme e uma postura reservada, mas, por trás dessa fachada, há um mundo de pensamentos. Minha cara fechada é apenas o meu escudo contra o mundo, contra aqueles que me julgam ser a pior espécie humano por conta do meu estilo de vida dentro do Rock, com meus cabelos compridos e minhas roupas pretas.
​Contudo, vivo dessa forma e sou uma boa pessoa. Não confunda meu semblante sério com falta de simpatia; é apenas o meu jeito de observar uma sociedade que se deixa levar pelo exterior. Quem vê meu rosto fechado não imagina a calmaria que carrego por dentro e, quando há uma grande tormenta interior, ela se mantém presa dentro de mim para que ninguém ao meu redor seja atingido. Jamais julgue um livro pela capa: antes de tirar suas conclusões, leia a obra atentamente."


John Rabello de Carvalho


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