Como a Vida Imita o Xadrez de Gary Kasparov
... sejamos
como São Tomé: dedos rijos
frente às nossas feridas e dúvidas;
e olhares redobrados diante
dos bizarros avessos
do mundo!
... é inegável
que a apatia de muitos,
como por encanto, se diluíra
quando questões sensíveis à sua
subsistência lhes forem brutalmente
usurpadas: seus bens, seus bolsos
e o mais valioso dos seus
predicados, a sua
liberdade!
"Se vos falei das coisas terrenas,
e não crestes,como crereis, se vos falar
das celestiais" ( João 3:12 ).
Como argumentou o 'Messias', a Verdade - bem
como as questões envolvendo o espírito - não é
um fator meramente abstrato ou metafórico, mas
ligada, sobretudo, a uma realidade que nos acompanha, estejamos onde
estivermos!
... sem os leitores
não existiria o senso literário — sequer
suas variantes, como a poesia — porquanto
deles nascem e prosperam todo o
estímulo, as criações e a
elementar utilidade da
palavra!
... e mesmo
uma breve história ecoará
como uma expressiva fração de
uma história maior, na qual, sempre
chegamos no meio, dela uma vez
mais saímos e a ela outra vez
retornamos , sem que jamais
se acabe!
... se todo animal
nos inspira a mais sincera ternura,
como se explica o 'animal-homem',
sempre às turras com seu
semelhante?
... o que rotulamos
como 'caos', na verdade, não nos
assedia como uma força devastadora;
porém, como um movimento renovador —
um caminhar, por vezes íngreme, entre o
perecível que nos desafia e aprimora
e o imperecível que nos emancipa
e eterniza!
... num cenário de
apreensivas distorções e incertezas,
como este, falar a verdade tornou-se a
mais repugnante das violações; visto que
ainda são poucos os capazes de
minimamente compreendê-la
e vivê-la!
... não aportamos
nesta terra para servirmos como
passivos porta-vozes de seus maus-tratos
e incompatibilidades com o real
sentido de viver, mas para
transformá-la!
... se primeiro,
como dizem,partirão os bons,
isso significa que bem cumpriram
a sua tarefa — quanto aos maus, como
dizem, demandarão mais tempo no
intuito de se depurarem dos
próprios abusos e
miasmas!
... um
paradoxo assaz curioso:
não há como mudar o que somos
sem que primeiro, honestamente,
aceitemos quem na verdade
somos!
... aquilo
que rotulamos como
privações materiais e culturais,
em nada serviu de 'escora' àqueles que,
de posse de idônea autodeterminação,
tornaram-se prósperos — mas, como
um desprezível artifício daqueles
que as exploram e
perpetuam!
... o pecado
visto como uma afronta ao
senso comum, por vezes, esconde
um ato de coragem na superação dos
próprios vícios e crenças — uma vez que a espontaneidade é fruto doautoconhecimento
adquirido, jamais refém de regras
estabelecidas!
... Percebam,
meus amigos, como tudo
neste mundo se contorce preso
às incultas 'linhas tortas' — isso porque
as refinadas 'linhas retas', até aqui, não
obtiveram sequer um breve sopro de
acolhimento em nosso cardápio
existencial!
... e mesmo
um provável tropeço — e não serão
poucos — com o tempo, se revelará como
um bem maior para o espírito, em razão das
dolorosas correções a que se sujeitará, a ponto de transformá-las num eficaz antídoto
aos seus ainda imaturos
desalinhos!
... tanto lá quanto cá,
tudo se manifesta como um processo
de descobertas, ações e ajustes contínuos,
cabendo a cada espírito não apenas limitar-se
aquilo que já compreende e vive, mas, sobretudo, buscaro que, solícito e dedicado, possa
aindadescobrir, assimilar e
realizar!
... a escassez
de bens materiais não resume o
conceito de pobreza, assim como a riqueza
nem sempre será sinônimo de abundância...
Ambas, contudo, serão meios de elevação
para o espírito, ao suscitarvalores
como a superação e o senso
solidário!
... extrair
do homem comuma ilusão,
bem como seus embaraçosos fiascos, é
desconhecer ou mesmo desacreditar aquele que, sem dúvida, é o mais eficaz dos fundamentos que esculpem a
suafelicidade: a própria
experiência!
... um insuspeito
espírito revolucionário não consiste
em lutar por nossa felicidade como um
bônus futuro — mas em vivenciá-la , a cada
instante, como um fator dominante
do nosso impermutável
agora!
"Como conceber que
um ateu alimente a ideia da inexistência de Deus,
se não movido por Sua inequívoca presença?", questiona Fiódor Dostoiévski.
Lembrando que tanto a crença cega quanto uma descabida descrença são pálidos desdobramentos
de nossas ainda sofríveis presunções,
nada mais!
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