Como a Vida Imita o Xadrez de Gary Kasparov
Súplicas pela chuva
Deus do céu a ti suplico,
pois so tu sabes como és grande o sacrifício, confesso que eu nao mereço, pois muito são os meus erros ocasionados por meu enorme defeito.
Falhas tenho sem igual, e de falhas eu vivo mal, se colocarme em uma balança, despencarei como uma âncora.
Deus eu sei que nao mereço, mais nao conheço um outro alguém, que disfaz o mundo inteiro, para fazer-me tamanho bem.
Deus, do bem que tu me fazes, muitos eu nao agradeço, quando recebo, se viro o rosto,e quando eu preciso eu peça de novo, novamente tu me consedes, independente da minha atitude.
Parante a ti eu me prosto, e sem palavras eu choro, minhas lágrimas se tornam súplicas, océu es teu , Deus, concedei-nos a chuva.
Diminua o peso do fardo ao menos durante o inverno, cale a boca do diabo, que rilincha do distante e de perto.
O restante das estações fazes assim como queira, se teremos chuva ou nao, é futuro , tu tomas de conta.
Mais para apaziguar o sofrimento da hora, mande chuva Deus agora.
#Mizlane Souza Neves💕
"Como eu poderia ser a mesma depois tudo que eu passei?
Seria um insulto à minha dignidade e à mulher fantástica que resgatei."
Eu me recuso a ser diferente de mim mesmo, sou como sou e amo ser eu mesmo e sempre serei eu mesmo, ninguém além de mim.
Levei anos para me aceitar como sou, mas agora, amo tudo isso.
Se os outros não gostarem, que assim seja.
A distância, para mim, é como a matemática. Multiplica a saudade, divide o coração e soma a esperança de te ver, diminuindo a minha dor.
É difícil perceber e se acostumar que nada será como antes, e isso, de um jeito ou de outro, machuca.
Traição é como um espelho quebrado, distorceu a imagem e se for consertar sai "caro" e nunca será igual.
Prece, rezo, oração, cântico, meditação e gratidão. Não importa como você se expressa ou o nome que dá a isso; todos os caminhos abrem portas e nos elevam.
Lembre-se de que as energias negativas não precisam de convite; elas entram em nossos espaços e afetam nossa alma se não houver proteção. Em contraste, as energias divinas precisam ser convidadas. É através das manifestações como prece, rezo, oração, meditação, cântico e gratidão que as bênçãos divinas recaem sobre nós.
Talvez, se a situação estiver densa, você não sinta melhoras no primeiro ato, mas não desista. Saiba que você está sendo escutado(a). Cada passo nessa jornada é importante, e a persistência traz transformação. Continue a convidar a luz e a abundância para sua vida, e confie no processo.
As dores físicas podem ser vistas como campainhas de Deus, chamando nossa atenção de maneira amorosa. Elas são manifestações do corpo e da alma, pedindo auxílio e nos convidando a refletir sobre o que precisamos ajustar em nossas vidas. Essas dores podem nos ensinar a ouvir nosso interior, a cuidar de nós mesmos e a buscar equilíbrio. É um lembrete de que, muitas vezes, precisamos parar, respirar e prestar atenção ao que nosso ser realmente deseja. Ao reconhecer essas mensagens, podemos iniciar um processo de cura e autoconhecimento, permitindo que a dor se transforme em um caminho para a saúde e a harmonia.
Um dia, a fruta cai,
A saúde se esvai,
E o grande amor,
Como um sonho, se dissolve no ar.
Só então percebemos,
O valor das coisas simples,
A doçura de cada fruta,
Quando a colheita se torna distante.
A saúde, antes um tesouro,
Se revela frágil ao adoecer,
E lembramos do vigor,
Que antes não soubemos agradecer.
O amor, tão forte e vibrante,
Só é sentido na ausência,
Quando a saudade aperta,
E o coração busca sua essência.
Valorizamos o que se foi,
Quando a vida se torna um labirinto,
E nas complexidades do dia a dia,
Encontramos a beleza do que é simples e bonito.
Assim, que possamos aprender,
A cada instante, a cada olhar,
Apreciar as pequenas dádivas,
Antes que se deixem de amar.
A literatura brasileira pode ser entendida como uma tentativa contínua de construção de identidade nacional, mas não de modo linear ou estável. Desde suas origens, ela se constitui como um campo de reflexão sobre o próprio país, suas fraturas históricas, suas influências externas e suas tensões internas. Mais do que um reflexo passivo da nação, a literatura brasileira participa ativamente da elaboração simbólica do Brasil, questionando e reconstruindo constantemente aquilo que se entende por identidade nacional.
Essa instabilidade pode ser percebida ao longo da evolução de seus autores. Machado de Assis, por exemplo, não apresenta uma obra linear. Seus primeiros romances ainda dialogam com o romantismo, enquanto sua fase realista introduz a ironia como uma forma de leitura do mundo e do ser humano. A ironia machadiana não é apenas um recurso estilístico, mas revela uma visão ontológica: o ser humano é contraditório, autoconsciente e frequentemente incapaz de compreender a si mesmo plenamente. No entanto, em sua fase final, como em Esaú e Jacó, essa ironia se suaviza, indicando que a própria visão de mundo do autor se transforma ao longo da vida. Machado, portanto, encarna uma consciência literária em movimento, que evolui e se reconfigura.
Em Clarice Lispector, a literatura deixa de ser apenas narrativa de acontecimentos e passa a se concentrar nos estados do ser. Sua linguagem pode tanto revelar quanto dissolver o sujeito. A epifania clariceana, recorrente em sua obra, é um momento de revelação que simultaneamente desestabiliza a identidade do personagem. Em A Hora da Estrela, por exemplo, a linguagem se apresenta mais linear, enquanto em outras obras se torna mais hermética e introspectiva. Em todos os casos, porém, há uma tensão contínua entre revelar o sujeito e desorganizá-lo, indicando que a identidade nunca é plenamente fixa.
Essa dimensão ontológica também se manifesta em Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. O sertão, ali, é simultaneamente geografia e metafísica. Embora a narrativa se construa a partir de histórias de jagunços, essas histórias funcionam como pano de fundo para reflexões mais profundas sobre Deus, o diabo, o amor e a própria realidade. O sertão rosiano representa um estado existencial no qual o ser humano questiona constantemente o sentido de sua existência. A linguagem regionalista, elaborada e inventiva, não limita o alcance da obra; ao contrário, serve como veículo para questões universais e ontológicas.
Na poesia de Carlos Drummond de Andrade, o “eu” frequentemente se apresenta deslocado. Esse sentimento de inadequação é simultaneamente psicológico, social e metafísico. Ao afirmar que não será o poeta de um mundo caduco, Drummond revela tanto sua leitura crítica da sociedade quanto sua própria percepção existencial do mundo. O deslocamento não é apenas individual, mas também histórico e ontológico, refletindo a dificuldade de encontrar um lugar estável em uma realidade em transformação.
O modernismo brasileiro, por sua vez, buscou romper com a tradição europeia, mas também se constituiu a partir dela. Influenciado pelas vanguardas europeias — como o cubismo, o futurismo e o expressionismo —, o modernismo brasileiro não pode ser considerado totalmente revolucionário. Ele representou, antes, uma reconfiguração cultural que reposicionou o Brasil dentro de um cenário internacional. Embora tenha introduzido novas formas de expressão e valorizado elementos nacionais, manteve diálogo constante com modelos estrangeiros, revelando a complexidade da construção de uma identidade cultural autônoma.
Lima Barreto exemplifica a fusão entre literatura e política. Sua obra é simultaneamente um ato literário e um ato político. Ao desconstruir visões ufanistas do Brasil e expor desigualdades sociais profundas, ele revela um país distante da imagem idealizada. Sua escrita, crítica e amarga, continua atual justamente por evidenciar problemas estruturais que persistem. A literatura, nesse caso, torna-se instrumento de lucidez social e histórica.
Na poesia de Cecília Meireles, a temporalidade assume caráter ao mesmo tempo nostálgico e metafísico. Seus versos frequentemente refletem sobre a passagem do tempo e a transitoriedade da vida, construindo uma nostalgia que não se limita à memória pessoal, mas se expande para uma reflexão existencial sobre o destino humano. O tempo, em sua poesia, é consciência da impermanência.
A questão da identidade nacional atravessa toda a literatura brasileira. Durante muito tempo, a produção literária refletiu fortemente influências europeias. Apenas ao longo do século XX, especialmente após o modernismo e nas décadas seguintes, é possível perceber a consolidação de uma identidade literária mais autônoma. Ainda assim, essa identidade permanece instável, construída em diálogo constante com referências externas e internas. A literatura brasileira não define uma identidade fixa; antes, revela a dificuldade de estabelecê-la de forma definitiva.
Por fim, a relação entre forma estética e verdade social é central na tradição literária brasileira. Em obras como Vidas Secas, de Graciliano Ramos, a linguagem seca e direta corresponde ao conteúdo narrado, criando uma unidade entre forma e temática. A estética não suaviza a realidade, mas a traduz e a intensifica. Quando forma e conteúdo caminham juntos, a literatura alcança maior potência expressiva e crítica.
Assim, a literatura brasileira pode ser compreendida como um espaço simbólico em que a identidade nacional é continuamente construída, questionada e reformulada. Ela não oferece respostas definitivas, mas evidencia a complexidade de um país cuja identidade permanece em permanente elaboração.
Eu não sei quando tudo começou
Só não queria que terminasse assim
Mas como tudo tem seu fim
O meu agora chegou pra mim
O Banquete de Argila
À noite, as xícaras são sentinelas brancas sobre a mesa,
Rígidas como o gesso do meu parto, aquele erro, Aquele nó indesejado que o sangue não soube desfazer.
Você parou no umbral,
O hall transformado em abismo,
Partindo antes mesmo de habitar o próprio rastro.
Agora você retorna,
espectro de louça e mágoa,
Bebe o chá amargo nas minhas xícaras de ossos.
Enquanto o ódio flutua na superfície, como nata.
E papai aquele gigante de botas e fúria ruidosa
Me expulsa do mundo com um gesto de ferro,
Me tranco do lado de fora de mim mesmo.
Ariel
Meus olhos brilham
não de luz, mas de naufrágio.
Ao te ver, tudo em mim afunda como os móveis pesados no fundo da minha memória.
As lembranças afogam-me com mãos familiares,
Elas sabem exatamente
onde apertam.
Ainda te amo depois de tudo,
Depois do seu silêncio,
Depois do corte seco do tempo entre nós.
Ariel,
Seu nome é um relâmpago preso
na minha língua.
Eu o digo e sangro.
Eu o calo e morro um pouco.
O amor não me salvou ele me deixou mais vivo
do que eu suportava.
Amar-te foi um excesso,
Uma febre que recusou cura, um corpo pedindo fim não por ódio à vida, mas por ter sentido demais.
Sinto tua falta
como quem sente falta de um órgão vital.
Respiro,
mas é um ensaio malfeito.
Se morrer fosse apenas dormir dentro de ti, eu já teria fechado os olhos
Há muito tempo.
Augusto
Foi há alguns anos,
numa noite ao pé do lago.
Como sabeis todos, foi lá que encontrei
aquele que sempre soube amar;
vive ainda em meus pensamentos,
e amar-lhe era mais que amar a mim mesmo.
Eu era um jovem moço,
ele, um belo jovem,
nesta cidade ao pé do lago;
mas o nosso amor era mais que amor —
o meu e o dele era carnal,
um amor sagrado e profano.
E foi esta a razão por que, há muitos meses,
nesta cidade ao pé do lago,
à luz do luar eu ainda soube amá-lo;
mas a vida o tirou de mim
para encerrá-lo em meu sepulcro,
nesta cidade ao pé do lago.
E o rosto triste, no reflexo da água,
ainda murmura:
eu te amo…
Sim, foi essa a razão — como sabem todos —
que eu te perdi, Augusto.
Numa quinta-feira gelada,
o vento saiu da nuvem
e matou o amor que um dia soube amar.
Mas o nosso amor não era para sempre,
ridicularizado pelos deuses;
e nem os demônios sob o lago
poderão separar minha alma
da alma de Augusto.
Porque a luz triste do luar
só me traz sonhos
do dia lindo em que soube amá-lo;
e as estrelas na sexta sombria
só me devolvem os olhares
do meu amor que um dia soube amar.
E assim ‘stou deitado toda noite
ao lado do meu sepulcro,
sem Augusto,
no sepulcro ao pé do lago onde nos conhecemos,
ao pé do eterno murmúrio do lago.
Não temos como voltar ao passado para consertar um erro mas podemos recomeçar e não cometê-lo novamente.
Não te confesso o amor que sinto.
Apenas o deixo viver em mim,
como um perfume
que o vento não leva.
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