Coleção pessoal de Zeta
Título: Quebre o Bule
Chá e café, no amargo e no mel,
um gole na xícara, um passo pro céu.
Surto que vem, devaneio que vai,
ciclo que gira, mas nunca se esvai.
Quem lê, sente.
Quem vê, entende.
Quem não entende… que siga em frente.
Cuspo loucura, engulo fissura,
bebo a incerteza, mastigo a secura.
O chá se derrama, se espalha, persiste,
o bule trincado resiste, resiste…
Quebre o bule, deixe cair,
deixe o destino ferver e sumir.
Loucura servida, sem cor, sem medida,
fundo da xícara, fim da partida.
Prazer!
Olá, muito prazer,
Sou o'que seus olhos…
não podem ver
mas pode sentir
sem me ter
e pode me ouvir
sem me querer
mal interpretar
pode até ser
mas difícil…
me esquecer!
Título: Solidão.
A solidão é o tempo do agora,
o momento sem plateia,
o abraço do poeta,
onde ninguém se interessa.
O mão a mão sem gente extra,
apenas você e sua alma na peça,
um instante sem tensão,
vivendo sem explicação.
A solidão é o eco
dos que não ouviram,
a fala dos que não falaram,
a decepção dos que não tentaram,
a família que abandonaram,
os amigos decepcionados,
ou amores terminados.
A solidão é tudo,
quando não sobra nada,
mas deixa tudo,
quando falta nada.
XXII - O Sussurro e o Estrondo
Se atenção estiver prestando,
o sussurrar das mais silenciosas almas ouvirá;
mas, se não atenção prestar,
nem o estrondar dos demônios será capaz de captar.
Então, no silêncio busque ficar,
para que, assim, possa enfim compreender
o que parece vazio tem a oferecer.