Coleção pessoal de Zeta

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⁠Es-co-lar & Des-co-lar.

Nos moldam quadrados, sem margem ou cor,
Nos ensinam datas, mas não o valor.
E quando a vida exige, o que nos resta?
As fórmulas frias ou a mente aberta?

Nos preparam pro mundo que já não existe,
Mas ignoram aquilo que a vida insiste.
O que fazer quando o medo apertar?
Quando o cliente gritar, como reagir?

Finanças? Relacionamento? Nenhuma lição,
Mas decorar equações sem aplicação.
Nos ensinam o ontem, mas não o amanhã,
E ao fim da escola, o que resta, então?

O mundo não cabe num quadro negro,
E a vida exige mais do que medo.
Precisamos aprender a pensar,
E não apenas a memorizar.

⁠Dicionário Ambulante.

Carrego palavras como quem carrega o mar,
Em cada termo, um mundo a se desdobrar.
Para uns, um conceito, fechado e pronto,
Para mim, um universo que gira em confronto.

Dizem que sou só um rótulo a mais,
Sou buscador, artista, sempre a me refazer.
Na certeza do mundo, vejo contradição,
Pois onde há resposta, há outra questão.

Meu pensamento não cabe em caixinhas,
Ele voa, dança e traça suas linhas.
Se tentam me prender em definições,
Eu escapo, refaço, crio novas versões.

Sou mais que um nome, que um título dado,
Sou um enigma, sempre inacabado.

⁠Título: Fotos.

Fotos já manchadas, me lembram momentos,
passados que não voltam, não alteram, não envergam,
pessoas deixadas, amigos perdidos, amores apagados
aos quais eu mesmo havia despido.

Fotos são mais que isso, mas menos que aquilo,
recordam momentos que já não podem ser vividos,
florescem sentimentos que já achávamos ter morrido,
álbum infeliz, colocarei fogo e finalmente vou pedir bis.

⁠Título: Proibido.

Sabe o desejo que aquece o peito,
chama que arde sem ter jeito?
Te vejo dançando, me perco no tempo,
um passo, um giro… suspiro no vento.

Sorriso cortante, feito navalha,
olhos que encantam, sem dizer nada.
Musa esculpida em mármore quente,
deusa que passa e bagunça a mente.

Até as estrelas invejam seu brilho,
até o universo lhe escreve um trilho.
Se passa por mim, eu já sei o perigo:
cobiça, loucura, desejo proibido.

⁠Título: Amores Perdidos

Não existem amores que acabam,
todos mudam, mas não somem.
Ganham novas formas, outros nomes
alguns se tornam o que não se come,
outros, o que apenas se consome.

A raiva, às vezes, os faz detestáveis,
com aqueles pedidos que não voltem.
Mas os não concluídos permanecem presos,
nas correntes dos nossos sonhos,
memórias e do nosso lost.

⁠Título: Amigos?

Ainda somos amigos?
Você me fez essa pergunta...
me estendeu as mãos...
com um leve sorriso.

Eu, como se o mundo...
ali tivesse acabado...
falei com os olhos dispersos...
com a alma em pedaços.

Como ser amigos?

Se por ti...
daria minha vida...
até pessoas mataria...
como eu poderia?

Ter-te por perto...
sem tocar...
sem beijar...
sem amar…

Como poderia?

Ver você com outro...
apaixonada...
boba...
entregue…

Falando sobre o novo...
imaginando o futuro...
o beijando...
de novo.

E eu?

Preso ao passado,
tentando fingir...
tentando aceitar...
tentando não sentir.

Mas dói.

E não quero mais.

Te estendo as mãos,
mas não para amizade.
Apenas para o tchau,
para o adeus
até nunca mais!

⁠Título: Paralelos.

Hoje senti um frescor no vento,
doce e forte como um juramento.
Invadiu a pele, feriu o peito,
trouxe um nome que já era segredo.

Ela dançou entre as ruas vazias,
pintou sua voz nas lembranças frias.
E eu, sem querer, fechei os olhos,
como se o tempo voltasse ao relógio.

Achei que a teria até os dias meus,
mas sonhos se dissolvem no azul do breu.
Escreveria seu nome em versos eternos,
mas certos amores são só universos paralelos.

⁠Título: Perfume.

Recentemente senti um perfume que me lembrou o seu,
aquele doce que impregnava até no breu,
mas acalmava minha alma, pois lembrava que eu era teu,
e você não tem ideia do quanto isso me entristeceu.

Achava que a teria até os dias e noites de morfeu,
e a abraçaria igual às âncoras da prisão de Perseu,
talvez até escreveria um conto dedicado, só teu,
para que no futuro o filho meu a desejasse como eu!

⁠Título: Intacto.

Nada de beijos,
Nada de abraços,
Os amores mais puros
permanecem intactos.

Não são vividos,
nem são contados,
jamais se tocam,
jamais se acabam.

Sem pele, sem lábios,
sem corpo, sem voz,
só a lembrança,
só o adeus,
apenas nós.

São esses amores,
os verdadeiros,
inalteráveis,
eternos, sinceros,
inacabáveis.

⁠Título: Poeta e o Mundo.

Papel, tinta, verdades e mentiras,
Sentimentos, ilusões, criações sem intenções.
Doces palavras, amarguras divididas,
Poeta do mundo, mundo do poeta.

Verdades e falácias,
Amores que vivem pra quem?
De palavras e rimas, dedico a mim,
Não há você, essa é minha forma de viver.

⁠Título: Centelha.

Quando te beijo,
me sinto inteiro.
Quando te desejo,
o calor sobe ao peito.

Das juras, a comunhão.
Da promessa, a perdição.
Quero-te junto, comigo,
comovidos, vividos, crescidos.

Do fruto, a beleza,
vinda de nós —
corpos que geram
uma nova princesa.

O resultado do calor,
do amor,
do esplendor,
do sonho,
onde tudo tem valor.

Quem sabe
a ideia de criador
não me assuste mais...

Uma versão pequena
que, por enquanto, é nossa —
Em breve, centelha.

⁠Título: Meus Charmes.

Meus olhos cerrados,
sorrisos meia-lua,
as encaradas perfeitas,
os gestos elegantes.

Todo o charme,
as palavras bem escolhidas,
as tentativas sutis
de chamá-la,
abraçá-la,
cantá-la,
amá-la.

Mas…

Sem sinais,
sem brechas,
sem intenções,
sem amor.

Apenas…

ilusões.

⁠Título: Meus Braços.

Em meus braços
Eu te sentia,
Em minha retina
Eu te via.

Com meus lábios
Espremia
O sabor, a alegria.

Com meu coração
Eu te acudia,
Incendiava, falava, vivia.

Enfim, eu te desejava,
Como o vento deseja a brisa,
Como o fogo abraça a brasa,
Como a noite espera o dia.

E assim, nos meus braços,
Tu eras só minha.

⁠Título: Eu Deixaria.

Se o tempo me desse,
se o vento soprasse,
se a vida trouxesse...
eu deixaria.

Menos peso,
menos pressa,
menos pedaços de nós.

Para acalmar o âmago,
para secar o pântano,
para ter sem engano,
para amar sem plano.


Dedico a você: minha perda de tempo preferida.

⁠Título: Dias de prosa.

Há dias que são de lua,
silenciosos, cheios de brilho e mistério,
onde a noite se desenha em prata
e o tempo se espalha em versos.

E há dias que são de prosa,
de passos firmes e riso solto,
onde as palavras correm soltas
como vento na esquina do morto.

Na lua, o silêncio canta.
Na prosa, a vida dança.
Entre um e outro, sigo fundo…
no poço!

escrevendo como estou
dos ciclos do céu e do tempo…
novo.

⁠Título: Escrevi à mão.

A jovem mais bela, o sorriso mais sincero,
um coração que ainda desconhecia a paixão.
Até que, um dia, minha boca, sem consideração,
disse a um amigo: "A olho faz um tempão..."

Não entendo o que está acontecendo.
Ele riu: "É paixão, vai acabar perdido, Lucão!"
"Que paixão? Sou louco, maluco não!"

Mas, para mentiras, eu sou bom,
até que ele me convenceu a falar.
Não tinha coragem, nem noção,
então, uma carta escrevi à mão:
"Serás minha? Sim ou não?"

Tremendo, no papel deixei minha indagação,
entreguei com medo, quase sem olhar,
mas o "sim" que veio fez meu peito parar,
a cabeça girar, os pulmões gritar.
E num segundo, sem hesitar,
quis ao mundo inteiro cantar
o quanto feliz me fez ficar.







E a felicidade, fugaz como o vapor do café, se dissipou com a mesma rapidez... Mas, nesse breve instante, a vida me ensinou que até o mais efêmero pode ser eterno dentro da memória ao qual guarda o peito.

⁠Título: Bilhete.

A jovem mais bela, o sorriso mais sincero,
um coração que ainda não conhecia a paixão.
Até que, um dia, minha boca, sem consideração,
falou com um amigo: "A olho faz um tempão."

Não entendo o que está acontecendo,
ele falou: "É paixão, vai acabar perdido, Lucão."
"Que paixão? Sou louco, maluco, não!"

Mas, para mentiras, eu sou bom,
até que ele me convenceu a falar.
Não tinha coragem, nem noção,
então, uma carta escrevi à mão.
"Serás minha? Sim ou não?"

No papel, meu medo, minha indecisão.
Entreguei tremendo, quase sem olhar,
mas o "sim" que veio fez meu peito parar.

E ele ficou, ficou e ficou...
Parou, parou… e nunca mais voltou.

Só que a felicidade durou o tempo de um café.

⁠Título: Lembranças.

Fotos manchadas me trazem lembranças,
de tempos que foram, de falsas esperanças.
Rostos perdidos, amores desfeitos,
sombras de risos há muito esquecidos.

Fotos são mais, mas menos que tudo,
revelam o ontem num traço mudo.
Tocam feridas que já se fecharam,
e fazem brotar o que sepultaram.

Álbum infeliz, relíquia vazia,
faísca no vento, cinza e poesia.
Queimando as memórias, me ponho a sorrir,
pois só o que arde se pode aplaudir.

⁠Título: Um carro na minha lua.

Ouvi o som das rodas a cantar,
Olhei a rua… nada por lá.
Um novo barulho no céu a soar,
E me pergunto: como pode falar?

Observo de novo, um riso a pairar,
Percebo que estou louco… e nada há
Por cá…

⁠Título: Única Rede.

Quero me conectar com almas.
Não celulares com internet,
Quero beijos, boca a boca,
O velho toque, tête-à-tête.

Aqueles amores de época,
Onde não havia telefone,
Onde não havia rede,
Pois a única era da varanda.

Quero amores de verdade,
Onde não havia grande vaidade,
Onde não precisava fotografar,
Para enfim na alma guardar.

Hoje tudo é tão ligeiro,
um amor que nasce e some,
sentimentos descartáveis,
feito stories, sem importância,
sem lembrança, sem nome.
Desliza a tela... some.