Coleção pessoal de Zeta

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⁠Título: Homem.exe – Erro 404

Homem robótico,
estruturado por processos,
algoritmos e lógicas,
peito de carne,
mas semblante de ferro.

Sentir? Ele sente,
mas age como fosse um código-fonte
compilado para ignorar a dor.

Porém…

Amar? Ele ama,
mas antes de se entregar,
roda mil simulações,
calcula riscos, estatísticas,
pesa variáveis no coração
e quando termina…
o fogo já virou cinza.

A mulher? Ah, sim, a mulher...
ela não esperou o processo.
Cansou da simulação emocional.
Fechou a aba.
Deletou os cookies.
E entregou seu amor
a um homem
menos robótico,
menos travado,
menos... bugado.

E agora ele está ali,
olhando a tela azul do destino,
analisando onde o código deu errado,
mas no fundo já sabe:
amar não é um sistema lógico,
é um vírus caótico,
sem antivírus que resolva o caso.

Título: Coração de gente.

Lógica de máquina, coração de gente
Homem que anda igual toda gente,
mas não sente, igual os outros sentem.

Circuitos frios, alma quente,
preso entre cálculo e sensação,
tenta prever, mas perde a razão.

Vive prevendo na tentativa de viver,
mas se machuca por não conseguir ser.
Não é profeta, nem visionário,
muito menos poderes tem.

É apenas um homem
que vê...
o que os outros não veem.

⁠Título: Quanto Veneno?

Quanto veneno
se pode tomar
antes de morrer?

Eu te pergunto:
quanto suporta?
Grãos ou rios
para entender?

Às vezes, a melhor escolha
é deixar ir, sem olhar para trás.
Seja família, seja amor,
ou um trabalho que te suga
até não dar mais.

Aprenda: nem tudo
que cresceu com você
precisa permanecer.
Se te fere, limita,
ou impede de crescer,
é hora de desaparecer.

Título: Don Juan, Hoje Não.

Agora vou apresentar, sem rodeio ou disfarce,
Um trecho pequeno de meus desenlaces.
Como sabem, até o momento,
Romance e eu? Puro tormento.

Pois quase sempre acabo sem norte,
Algo que para muitos é pura sorte,
Mas para mim? Um filme de terror!
Imagine só como o "eu" ficou…

Só de lembrar já me dá tremor:
O dia em que o pai dela veio me ver.
Era romance? Era paixão?
Talvez só uma grande ilusão.

Não era romance, não era paixão,
Mas eu, burro, tapei o coração.
Iludi a moça, pedi sua mão,
E veja só minha situação…

Jamais achei que na confissão
Traria o pai dela pra discussão!
Meu coração, irmão, gritou socorro,
Saltou do peito e pulou o morro!

Nem muito, nem pouco, só um bobo,
Achando que dominava o jogo.
Nunca fui um Don Juan, não,
Mas usei as malhas da sedução.

E que roubada! Em vão tentei,
Quase apanhei no portão, eu sei!

Título: Juntos, Talvez, Diferente.

Eu morri e revivi tantas vezes
que já não sei se morro ou se vivo,
se vivo ou se morro.

Não sei se confio em mais alguém.
Bia, o tempo tem me ferido, me maltratado.
Se eu ainda te tivesse e juntos crescêssemos,
talvez fosse diferente…

Estávamos muito distantes.
Eu morava em outro horizonte,
longe, muito longe…

Ah, Bia...
Não sei se, estando contigo agora,
serei capaz de confiar, de me entregar,
de realmente te amar.

Viverei sempre com o eco e a sombra
de que deixei de ser o primeiro.
Posso ter sido, em teoria,
seu primeiro namorado,
mas não tive seus beijos, seus abraços.
Não transamos alucinados
como adolescentes apaixonados.

Me desculpe... me desculpe...
Sinceramente, talvez eu nunca volte a ser completo.
Talvez viva para ser sempre esse idiota,
nada esperto,
que te perdeu antes
e te perde agora
por ideias bobas,
que agora já não volta.

Talvez seja por isso que não te ligo,
que não te chamo.
Não quero estragar esse falso sentimento humano.
Quero acreditar que fui seu,
e você, minha.

Se me aproximo agora,
o que será dessa miserável vida?

⁠Título: Felicidade Verdadeira.

Triste por fora,
feliz por dentro.
Enganando todos,
a todos momentos.

Pois felicidade
é melhor vivida,
do que aparentada,
falsificada ou ilusionada.

Para viver e amar
não precisa de fotos na internet,
apenas um coração,
grudado igual chiclete.

Uma boa companhia,
uma pessoa completa,
só sua, de mais ninguém.
Guardada apenas no momento,
para relembrar quando se veem.

Reanimei sem querer (e agora, faz o quê?)

Lendo um poema antigo,
olha só no que deu...
Reacendi uma chama,
que nem sabia que era meu!

Vi sua foto outro dia,
deu até um arrepio...
Tá mais linda que antes,
e eu aqui... meio vazio.

Ôôôô, e agora, faz o quê?
Se meu coração danado só pensa em você?
Ôôôô, o tempo foi, mas não levou...
Aquele moleque bobo que te amou!

Me diz, ainda dá risada
do jeito que eu falava?
Ainda vira o rosto
quando alguém te elogiava?

Se eu te puxasse pra dança,
será que ia lembrar?
Ou será que dois passos
já iam te tropeçar?

Ôôôô, e agora, faz o quê?
Se meu coração danado só pensa em você?
Ôôôô, o tempo foi, mas não levou...
Aquele moleque bobo que te amou!

Se quiser me chamar,
tô por aqui, sem pressa...
Mas se for me chamar,
chama logo... antes que eu peça!

⁠Título: Escrevi à mão.

A menina mais linda, o olhar encantado,
Mas meu coração? Andava parado.
Até que um dia, sem me segurar,
Falei pro amigo: "A olho sem parar..."

Ele riu na hora, nem quis escutar:
"Isso é paixão, não dá pra negar!"
"Que nada, rapaz! Deixa de inventar!"

Mas ele insistiu, rindo sem dó,
"Se gosta, confessa! Não seja um bocó!"
Coragem? Passei bem longe então...
Só me restou escrever à mão.

"Serás minha? Sim ou não?"
Dobrei o papel, tentei disfarçar,
Deixei na mesa, saí sem olhar.

Mas quando vi, lá estava o "sim",
O mundo girou, quase teve um fim!
Fiquei tão bobo, nem sei explicar,
Só quis gritar e sair pra dançar!

E hoje eu rio, lembrando então,
Da minha primeira grande lição:
Que às vezes o medo atrasa a paixão,
Mas tudo se resolve num bilhete à mão!

⁠Título: Assim me dizia.

No baú das lembranças, um dia encontrei
A menina que um dia me amou, eu sei.
Me chamava de algo, doce e engraçado,
Mas o nome exato? Ah, tá complicado!

Rebusquei memórias, fui longe buscar,
Naquele tempo bom de escola e olhar.
Não era "querido", nem "meu bem amado",
Era algo estranho, mas tão bem falado!

"Ah, Estrupício!", assim me dizia,
Com riso no rosto, cheia de alegria.
E eu, desastrado, mas cheio de afeto,
Fiquei com o nome... e com o amor quieto.

Título: Estrupício.

Revirei memórias, fucei no passado,
Lembrei de um amor... meio atrapalhado.
Na escola, inocente, bobo e sonhador,
Mas já carregava o dom do pavor.

Ela me olhava com brilho no olhar,
E um belo apelido vinha me dar.
"Meu anjo", "meu doce", seria? Quem disse!
Com todo carinho, me chamou de Estrupício.

Que sorte a minha, um nome de classe,
Soava elegante... mas só na audácia.
E eu, orgulhoso, sorria safado,
Mal sabia que era um xingado disfarçado.

E assim se passou meu primeiro carinho,
Com tapas, insultos e um certo jeitinho.
Se amor é isso, estranho que sou,
Talvez Estrupício... seja quem amou!

⁠Título: Atrelei a ela.

Os meus gostos, atrelei a ela,
mas quando o ódio veio, não pude mais usá-los.
Cada um trazia uma memória,
seria como reviver algo já enterrado.

Ao usá-los, era como cavar o que já não falávamos,
ressuscitando algo que nem sequer buscávamos.
Reanimando amores que já estavam apagados,
o melhor seria esquecer do passado.

⁠Título: Amei.

O que um dia amei,
atrelei a você,
e ao te odiar,
odeio o que amei.

Vinculei um gosto ao outro,
mas que desgosto,
um sabor amargo
de mal gosto.

O que antes amava,
hoje passo longe,
como se tentasse
me esconder no horizonte…

Vestígios dos Lençóis

Meu riso está tão triste...
Procuro suas mãos
no breu da noite,
na escuridão
do colchão.

Tateio e tateio...
Não sinto nada,
apenas a fronha,
onde um dia
te tive e desejava.

Te amava... e amava.
Nosso suor, pela cama,
sempre lá estava.

Escorria...
Pelo seu corpo,
nosso amor
líquido ficava.

Nossos receptáculos,
repletos de calor,
reluziam um brilho
jamais esperado.

Era o amor
de nossos corpos,
em memórias,
eternizado...

⁠Título: Ativar o Instinto.

Não é ilustrar o que quero aqui,
quero plantar sementes
para um dia florir.

Mais perguntas,
poucas ideias,
mais dúvidas,
menos colmeias.

Quero ativar o instinto,
alertar o indivíduo.
Aceitar não é pensar,
e não minto.

Necessário seria
criticar e ousar,
não bater e silenciar.

Sem esse falso jogo de moral,
onde o que buscam é desleal,
e as mentiras são sempre real.

⁠Título: Os Loucos Guiam os Cegos.

Penso que sigo — ou me conduzem?
Se pregaram em mim o que penso,
desde pequeno,
o que, de fato, é preciso?
O que é meu conhecimento?

Se os loucos nos guiam,
o que é são num mundo de cegos?
E o meio-termo, onde fica
neste tempo moderno?

Sou conduzido
ou condenado?
Se tenho um olho,
sou visão
ou sou alvo?

Como posso confiar?
Em quem posso confiar?
Se quem comanda
nem palavras brandas
consegue interpretar?

Se o país está assim,
a culpa é minha
ou de outro alguém?
Sou responsável
ou condenável
pelas línguas
dos loucos
que vêm?

⁠Título: Rei dos Afetos Imaginários.

O homem preso no impossível,
Refém do que já não volta.
Vive revendo o passado,
Cego ao tempo que revolta.

Prisioneiro de um ciclo sem corda,
Não pode voltar, nem o fim mudar.
Apenas imagina o improvável,
Vendo o que nunca há de passar.

Rei dos afetos sem matéria,
Monarca de sombras e ilusões.
Um reino vasto e intocável,
Erguido em frágeis emoções.

Sabe que nada é real,
Mas sente como se fosse.
Vive entre o sonho e o abismo,
Onde o tempo nunca trouxe.

Se é mentira, por que machuca?
Se é ilusão, por que é tão frio?
Se o toque nunca existiu,
Por que ainda arrepia o vazio?

Cada lembrança não vivida,
Cada amor que não se fez,
Cada rosto nunca visto,
Ecoando outra vez.

No trono de dores invisíveis,
Comanda espectros do que não foi.
Se tudo é nada, por que existe?
Se existe, por que não foi?

Mas um rei não pode abdicar,
Nem fugir do que governa.
Seu castelo é um labirinto,
Sua coroa, uma cela.

⁠Rei dos Afetos Imaginários

O homem preso no impossível,
Refém do que já não volta.
Vive revendo o passado,
Cego ao tempo que revolta.

Prisioneiro de um ciclo sem corda,
Não pode voltar, nem o fim mudar.
Apenas imagina o improvável,
Vendo o que nunca há de passar.

Rei dos afetos sem matéria,
Sabe que nada é real,
Mas sente—e isso dói na pele,
Que coisa sobrenatural.

Como é possível sofrer sem ter tido?
Como se apaga o que não existiu?
Se a dor não tem corpo nem nome,
Por que fere como quem partiu?

Reino de sombras e ecos vazios,
Onde o irreal se impõe como lei.
Se tudo é mentira, por que persiste?
Se nada existiu, por que eu sei?

Preciso Ser.

É preciso ser criança,
aquela que não perdia a dança,
brincava até aprender a sambá
e descansava apenas pra recomeçar.

É preciso ser criança,
sem medo do erro,
buscando sempre,
um novo acerto.

Não digo para Peter Pan ser,
mas há momentos,
em que jovem e adulto
devem aparecer.

Pois para aprender,
é preciso criança ser.

⁠Título: Soprou.

O vento soprou um cheiro seu,
doce veneno que me prendeu.
Fechei os olhos, senti no peito,
como se a vontade voltasse ao leito.

Lembranças dançam, tocam meu rosto,
ecoam promessas de um velho agosto.
O coração sussurra baixinho:
"Será que esse perfume era um aviso?"

Achei que a vida era feita a dois,
mas certos amores se vão depois.
Pintaria seu nome em cada estrela,
Mas me perco no cantar da sereia.

⁠Título: Sem Rumo.

Paixão, paixão, sem rumo, sem chão,
Que bagunça deixa meu coração.
Estraga o lado são, excita o lado cão,
Às vezes animal, às vezes não.

Espera um tempo até a próxima paixão,
Não tem quem suporte meu coração.
Existe muito amor guardado em vão,
Existe muita carga para a próxima decisão.

Paixão, paixão, com rumo, com chão,
Isso não é paixão, é um amorzão.
Caminho certo, com GPS de emoção,
Cuidado para não perder a direção.