Coleção pessoal de yonnemoreno
Glória
Fico feliz com a felicidade do infeliz, daquele que, mesmo sendo alvo, sustenta um equilíbrio quase sagrado.
Da sua boca escorre a redenção:
pura e transparente, como a saliva de uma verdade que não se esconde, um grito que atravessa o desespero e o ilumina.
Glória! Glória! Glória!
O amor migra no tempo
Quando amamos, tudo é real. Mas, quando esse amor migra para o passado, os anos vão passando e nós seguimos aqui. Até o tempo se dilui, a ponto de quase não restarem lembranças. Nada resiste ao tempo, principalmente quando o coração se perde no espaço, na dimensão da eternidade.
Autor: Yonne Moreno
Quando eu partir, quero despertar e descobrir que tudo em que acreditei é celestial e verdadeiro, onde a linguagem é universal e a empatia floresce de forma recíproca.
Hesitar e continuar
Há vezes em que certas mensagens pulam na tela do meu celular com certo afronto, e consigo distinguir que algo errado e triste está acontecendo do outro lado. Mas, em outras ocasiões, percebo uma mudança lenta, porém certeira. Não sei bem explicar, mas sinto, ao ler algumas mensagens — como a de hoje — que as palavras saltitavam, e as grafias sorriam com alegrias constantes e explícitas em cada curva dos parágrafos. Em cada esquina dos pontos e nos caminhos, os semáforos pareciam reticências, onde hesitar e continuar andavam de mãos dadas.
Eu queria ser feliz e sentia que você me sentia. No entanto, não compreendo que emoção é essa que persiste no abrir e fechar dos ciclos, retirando de mim todas as coisas negativas, mas também as positivas, mesmo você não estando mais presente. Essa emoção me privou da capacidade de me apaixonar novamente, mas ao mesmo tempo me deu a determinação e convicção de amar somente a ti. Meu corpo parece ainda recordar o toque dos seus dedos, suas mãos suadas e a intimidade que compartilhávamos. Fico refletindo sobre o meu dilema, pois você partiu, e eu permaneço aqui, incapaz de aceitar completamente essa realidade.
Essa situação cria uma confusão em minha mente; meus pensamentos estão turvos. A verdade é que não consigo mais ler o seu sorriso e luto para entender qual o sentido de ler o que ficou. Enquanto ouço músicas que parecem falar de nós, sinto uma conexão, mas tremo ao pensar que esse elo um dia poderá desaparecer, e minha memória poderá me trair. A impossibilidade de ir até você me obriga a aprender com a tristeza, e meu coração, em lágrimas, questiona se vale a pena guardar no peito esse amor profundo que se perdeu para a vida, que se perdeu para a morte.
Confusa!
O silêncio apavora quando grita.
Aconchega nos instantes de calmaria.
Entristece quando caminha junto à solidão.
Encanta quando chega carregado de lembranças e sorrisos.
E torna-se indescritível quando envolve em um abraço de amor.
MÃE
A água é pura, e a mão, cura.
Olhando para o céu, eu digo: “Glória a Deus!”
E com os pés na terra, clamo ao alto:
“Ó meu Pai, abençoai todas as mães…”
Simplesmente porque elas são santas sem véu, rainhas sem trono,
Majestosas, divinas, lindas!
Parabéns para mim, que sou.
Para ela, que foi.
Para vocês, que são e/ou serão.
E para todas as mães deste mundo.
Parabéns pra você, guerreira,
Elo divino — pelo seu dia, que são todos os dias!
Yonne Moreno
Às vezes, sinto vontade de desistir de tudo, virar as costas e seguir o caminho inverso — quem sabe esse seria o certo. Mas, ao olhar o horizonte, imagens passam vagarosamente pela minha mente. Lembranças de sorrisos dados e risos compartilhados trazem sentimentos que me fazem repensar minhas lutas e gritos silenciosos, renovando minha força para continuar na batalha, em busca de um amanhã mais próspero e feliz.
Quanto a dar tempo… bem, minha intuição me diz para não pensar nisso!
Sonhei com uma vida cheia de alegrias e acreditava que ela deveria ser como um conto de fadas, um espetáculo em que vivêssemos em constante felicidade. Pensando bem, como isso não é possível, decidi que vou viver essa vida nos meus momentos especiais de final de ano: um Natal próspero e um Ano Novo repleto de amor.
Nesse dia, escolherei acreditar no Papai Noel. Vou esperá-lo entrar pela chaminé e ficarei perto da árvore de Natal. Mas, antes disso, vou preparar a mesa com carinho, cheia de delícias para comer e beber. Vai ter de tudo: panetone, muitos salgados e doces também.
Vou escrever minha carta e deixá-la colada na árvore com meus pedidos. Pedirei paz mundial, que não sejamos omissos e que as nações se rendam ao amor. Rogarei ao Criador que salve nossas almas e que perdoe os meus pecados. Ao Papai Noel, pedirei que nunca me deixe perder a fé nele e, muito menos, a esperança.
Quero pedir que a igualdade seja finalmente uma realidade, que o racismo fique no passado e que nunca duvide da existência do amor. Pedirei que eu nunca perca a fé na humanidade e que a proteção divina esteja sempre com as crianças, que representam a pureza da vida, e com os idosos, que tanto merecem consolo. Eles vivem tão doentes e sem perspectiva… Precisam de um final digno!
Também peço proteção para nós, mulheres, e que o feminicídio seja apagado de nossas memórias.
Papai Noel, sei que minha lista de pedidos é extensa, mas falo em nome de muitos.
Neste Natal, escolho acreditar em você e no poder do amor e da fé!
Nós, seres humanos errantes, ansiamos por riqueza. Sejamos, então, ricos em viver plenamente nossas vidas e em cultivar nossos sorrisos. Essa é a única riqueza que realmente importa! Que cada um de nós seja portador de sorrisos e abraços cheios de bondade. Feliz Natal a todos!
Coração, permita esperança.
O pior é sentir você em mim e perceber que as mentiras existem.
Ter o apoio, mas não encontrar o verdadeiro suporte.
Estou morrendo por algo que é apenas meu.
Sinto-me como um carro quebrado que, apesar da aparência, já sofreu perda total.
Mas também sou um ator consagrado, um dramaturgo de peças inacabadas, com sorrisos isolados, lábios selados e um peito fechado.
Eu suporto toda essa dor.
Ah, coração sofrido! Morre um pouco, casualmente, dia após dia, mas não permite que a esperança se perca em seu trajeto!
Autor: Yonne Moreno
Quando percebi, o tempo já havia passado. O tempo passou, e agora sou até avó. Atitudes infantis desfilam diante dos meus olhos, e eu observo a inocência correndo para mim.
Davi Moreno, você é tão especial para mim. Sabe aquela fruta com as marquinhas dos seus dentinhos? Era uma banana! Estou sorrindo agora por causa dessa lembrança, ainda tão viva e guardada em mim. E os seus desenhos, meu amor? Estão todos guardados em uma pasta transparente. Eu amo cada pedacinho disso tudo.
Sabe, quando você diz: “Por favor, vovozinha”, eu fico em prantos. Esse amor é tão único, tão puro, que só consigo entender e sentir. Meu lindo, suas mãozinhas na areia e você correndo pela praia me fazem enxergar a sua grandeza e força, algo que as palavras não conseguem expressar.
Corra, pule, jogue bolinhas de sabão para o alto e deixe o vento levá-las! Hoje, a infância é o seu lugar.
Quando eu era criança, não pude desfrutar dessas simplicidades. Nas minhas aulas de etiqueta, não havia espaço para isso.
Agora, olho para o meu eu do passado e me vejo sorrindo. Davi, a vida com você não tem amargura.
Você é um menino alto, você é um artista, e eu sempre vou te amar.
Amor da minha vida, te amo, meu príncipe!
É tarde, mas cheguei bem.
Estou só, e logo bate aquele soninho: quero dormir em seu abraço.
Emoções crescentes me pedem para ligar para você.
Mas onde você está? Cadê o seu amparo?
Aqui não tem ninguém em quem eu possa confiar, nem a quem recorrer.
Não me sinto inteiro; sou somente uma metade, como tantos outros.
Então, penso em você. Penso alto. Vem amenizar a minha dor.
O tempo passa, e a ansiedade em te ver é grande.
Sinto uma leve brisa.
É a sua paz chegando.
Você está vindo me ver.
Fico preocupado, porque sempre vejo você chegar com um sorriso morto, e nos seus olhos tristes, o pedido silencioso e gritante de socorro pelos meus carinhos.
Sorrio com os meus olhos nos seus e digo:
“Olá, agora você está aqui.”
Cada passo seu em minha direção traz transformação.
Você acelera seus passos, seu corpo está quente, e eu, com um sorriso grande, te recebo em meus braços.
Nossas respirações se tornam curtas, fundidas em um só som.
Olho para o seu semblante e digo que minhas orelhas sentem falta dos seus lábios quentes.
Você me olha e sorri. Dessa vez, um sorriso verdadeiro, iluminado por alegrias saltitantes e infinitas.
É a pureza do amor!
É tão nítido! É tão lindo!
Em nossas mãos, sentimos nossas emoções emaranhadas.
Vejo o óleo corporal misturado ao suor em seu pescoço e consigo até sentir a fragrância do seu corpo em combustão.
Lado a lado, somos raios, e assim grito aos quatro ventos:
“Você é demais!”
Nessas horas, a vida tem cheirinho de chiclete doce.
O amargo da caminhada se dissipa.
As nuvens escuras são passageiras.
As horas viram segundos.
O final de mais um ano está chegando, e, como tudo muda, peço: me dê as suas mãos. Vamos mudar aquele final.
A gente está presente.
O amor, a dor e até mesmo os milagres impossíveis existem. A verdade é pura e transparente.
É recorrente: eu ainda amo amar você.
Nesse momento, lágrimas quentes descem pelo meu rosto, e eu acordo em prantos.
Sim, é recorrente.
Gosto de ouvir o som que vem da alma do cantor. Ele desperta felicidade nos corações com as batidas daquela música, que eu saboreio como se fosse champanhe.
”Tirar a vida é romper o cordão de prata; é atravessar a cortina que ainda não foi permitido cruzar.”
Sinto o frio cair ao anoitecer, como uma neve fina e gélida. Sinto isso há muito tempo.
Através do muro da vida, olho e observo: o túnel está próximo.
Há fogo em meu peito, expressando a angústia que me consome.
Meus olhos estão feridos; o tempo os machuca sem dó, sem piedade.
Ultimamente, sinto-me indiferente, e isso me preocupa.
Sinto um lar cuja base é o ar.
Os dias passam, e já não sinto mais aquele aroma familiar.
O tempo levou até isso.
Eu sinto muito, mas nós não nos queremos mais.
Sem razão, mas com emoção, forças quase sinistras nos atacam.
Estamos presos em um jogo: first life.
O fogo fere, o gelo queima.
A caçada é árdua, exaustiva.
Mataram as coisas boas, e já não há nada para comer.
Corro, procuro um sinal.
Um “sinto muito” surge em bocas que não são as suas.
O final da linha se aproxima.
Sem desculpas.
Sem aquele “perdoe-me”.
Nem mesmo um verdadeiro…
“Eu sinto muito!”
Há momentos em que imploro por aquele vento — aquele que carrega tudo o que não agrega, tudo o que machuca, tudo o que fere e sangra.
A chegada do Filho do Criador
Creia, ele será luz.
Sua luminosidade dissipará todas as sombras, e o calor do seu amor aquecerá o frio.
Não haverá espaço para o medo.
Lágrimas de felicidade brilharão como estrelas.
Entre raios de luz, ele virá, não envolto em luxo ou pedras, mas revestido de poder divino.
Ele contemplará os seus filhos.
Lembro-me de quando fiquei doente,
e, em meio a um simples louvor, ele me salvou.
Meu Pai!
Eu o exaltei.
Ele é puro, ele é perfeito, ele é justo.
E ele me disse: “Eu te perdoei”.
Eu perdoei.
E perdoarei, quantas vezes for preciso.
Neste momento, minha alma se ajoelha diante do Filho do Criador, em reverência.
Oh, meu Deus, Pai onipotente,
Criador de tudo, obrigada pela minha luz, pela minha vida, e por cada novo dia que virá, até o fim da minha jornada.
Quero salvar meu destino, mas o que leva alguém a preferir o silêncio profundo, onde a paz prevalece, ao ruído caótico da vida moderna?
O que faz uma pessoa se sentir em casa no vazio, em vez de encontrar conforto nas vozes daqueles que compartilham sua humanidade?
O que nos faz amar mais nossos pets, seres irracionais, do que aqueles que se dizem racionais?
O que nos leva a duvidar da humanidade visível e, ao mesmo tempo, a buscar fé no invisível?
E o que, afinal, ainda me faz acreditar em você?
Quero salvar meu destino, mesmo sabendo que em sonhos te vi roubando o meu. Tenho minhas dúvidas. Será que estou me tornando um eremita da era moderna? Ou será que estou apenas à beira da loucura humana?
Sempre fui diferente, nunca me encaixei. Sempre quis ser a louca da vez, mas nem nisso consegui me encontrar.
