Coleção pessoal de yonnemoreno
Ver o mar translúcido e o cair das ondas douradas quebrarem diante de seu destino foi algo assustador. Vê-lo lutar com todas as suas forças foi apavorante, mas presenciar o sol se apagar diante dos próprios olhos foi um ato doloroso para o ser humano.
O céu é um jardim onde as estrelas são colhidas como flores do deserto;
onde a lua sorri, presa ao manto azul;
onde as nuvens tentam esconder a beleza das estrelas.
Onde o sentimento das lágrimas nos olhos do ser amado
se transforma em momentos que jamais se esquecem.
Com a mão direita, eu peço a paz.
Queria ter o poder de gerar calmaria em um mundo caótico. Penso no renascer. Sim, às vezes o ato de renascer vem e me assusta, porque sinto que é como olhar para trás e dar adeus a algo que, em algum momento, foi bom, foi conforto, foi amor.
Às vezes tenho a sensação de estar em dívida com o mundo, mas, ao mesmo tempo, sinto raiva do destino. Afinal, ele dá rasteiras na vida, e a queda dói, maltrata, podendo até matar. E não há o que fazer, pois são coisas do bad boy chamado destino.
Medo da profecia!
Fico pensando como seria o remake da vida, se isso fosse possível.
Seria opcional?
Seria racional?
Há dias em que acordo vestida de cinza, com a garganta presa. Nesses dias, não quero comparecer a lugar nenhum, não quero ver olhos nem bocas. Quero apenas brincar de escrever, onde sou sorriso e felicidade.
Meus olhos
Meus olhos enxergam cores que os seus não veem.
Meus olhos percebem energias que poucos conseguem perceber.
Não há como sustentar uma felicidade inexistente,
nem uma riqueza falsa ou um glamour impertinente,
pois meus olhos veem além das aparências.
O sol sobe, e uma infinidade de borboletas se instala em mim,
porque sei que sombras vingativas se dissipam com o calor que me invade.
O sol continua quente.
A metáfora sou eu em você.
Tudo é riquíssimo, mas o tom é triste.
O lobo agora está na matilha.
Salve-me, até porque quero a luz.
A flor de lótus não trouxe a felicidade prometida.
E você, Lobo, olhando para o infinito…
Isso me fere, pois seus olhos estão frios,
o sorriso morre em sua boca,
e você não está em mim.
Tu choras
Eu sei o que você quer.
Das rosas, ofereço apenas espinhos,
até porque você sabe: algo floresceu,
mas já morreu.
E, mesmo em noites quentes,
a queda é certa,
e o choro vem.
Seu nome
Ouvir o seu nome é como um feitiço suave:
meu coração acelera,
o ar suspende o tempo,
meu peito se enche de você,
e tudo em mim se transforma em felicidade.
TU: Ano xv
Estou condenada a ouvir o seu nome,
mas estou feliz — por favor.
Você precisa me dizer
se o inferno está cheio de mentiras e dores.
Reflito muito e concluo:
você tem que estar aqui,
no conforto dos meus braços.
Você tem que dizer.
Por favor, transforme-me.
Consolo-me nessa transformação profunda.
Vamos ser felizes.
Ouça-me.
Estou condenada a ouvir o seu nome.
Sinto saudades do seu eu,
meu menino do sorriso largo.
O ano 15 está chegando.
Tudo passou tão rápido,
num piscar de olhos.
Minhas lembranças estão tão nítidas
que posso até tocá-las.
Será que esse amor se tornou obsoleto?
Não importa —
porque, para mim, ele continuará sendo atual.
Saudade da 88
Um suspiro, e a lembrança da goiabeira — aquela cujas folhas secas forravam o chão do quintal, enquanto apenas o brilho da lua e das estrelas testemunhava a magia do amor. Lentamente, em esteira, a mente do ontem e as lembranças invadem, sem pedir licença, o meu hoje. Saudade da 88!
Imperfeitos
Nós, seres humanos, somos todos imperfeitos e cheios de anomalias.
A falta de regularidade não significa que fomos malfeitos; somos apenas seres que se tornaram defeituosos ao longo da vida.
Ser imperfeito é um fato e, imagino eu, a razão pela qual estamos aqui é para descobrir como nos aprimorar e nos aperfeiçoar, a fim de mostrar ao Criador que fizemos o nosso melhor.
O ser humano me lê como uma pessoa quase normal, mas nem tanto forte.
Uma leitura didática, porém analógica.
No entanto, se mergulharem em mim, descobrirão o quanto de poder tento esconder, o quanto de filtros utilizo para não me reconhecer por completo.
Faço isso para me proteger, até porque a exposição trinca e dizima o ser humano.
É um vírus letal — mortal e imoral.
A dúvida se torna um perigo. Questiono e reflito:
a gente não dá as costas e ainda assim fica sem entender por que passou e não ficou.
Agora o efeito cessou, e tudo se apresenta assim — com dores, e o sorriso não se abre.
Mesmo assim, à sombra, em soslaio, vejo… e pouco entendo.
Senti o efeito passar por mim.
Não é literal; é fato.
Estou me quebrando aos poucos.
Ossos puídos não param de surgir — é certo. Segundo a minha ciência, não há o que fazer.
Rio aqui, pois há coisas que, lá atrás, jamais imaginei existir. Ainda assim, concluí em meu TCC, na Universidade da Vida, que verdades também são cruéis.
Aprendi que o super-homem também envelhece, também sente cansaço, reflete muito e morre.
Eu não estava vagando,
eu estava andando.
Eu não estava perdida, nem inerte;
eu estava pensando.
Estava somente pensando.
Às vezes, os vazios se acumulam.
Preenchê-los, em certos momentos, é doloroso; em outros, é revigorante.
O meu eu revolto
Desde quando amor dá um tempo?
Amor conta o tempo.
Para ficar junto,
para beijar na boca,
para correr juntos e abraçar gostoso,
para acariciar intimamente
e dar gargalhadas sincronizadas.
Sempre juntos.
Desde quando amor dá um tempo?
Amor conta o tempo!
Quanto tempo é preciso
para entender o óbvio?
Menino… bom menino.
Você foi usado, humilhado, machucado, abusado, quebrado e, por fim, descartado.
Que Deus, em Sua infinita misericórdia, cubra você com luz dourada.
Que o amor eterno e a felicidade plena sejam agora o seu lar.
A saudade permanece.
Mas o seu nome, em alto e firme tom, clamamos por justiça.
E esse clamor continuará ecoando, provando o quanto você foi — e é — grande.
Milhões o viram nas telas.
Sob o seu brilho, não apenas na China, mas de norte a sul do mundo, você apareceu, foi conhecido e permanece vivo na memória de todos.
O mundo ainda o vê, ainda aprecia a sua voz, ainda admira a sua atuação.
Isso não morrerá.
Justiça. Sim, justiça.
Sinto que todos nós — aqueles que te amam — negligenciamos os sinais.
Eles estavam ali, explícitos.
E, mais uma vez, perdemos um ser de coração puro.
Perdemos para vermes, escrotos, monstros sem alma.
Deixamos passar.
Não percebemos, mesmo quando os pedidos de socorro estavam ali, expostos ao vivo para o mundo, nas suas próprias mãos.
Você estava nas mãos de monstros.
Perdoe-nos pela nossa negligência.
Mas a justiça será feita.
Justiça para o menino-homem.
Justiça para Yu Menglong.
É curioso como o todo se dissolve
e se transforma em um tudo incerto.
Peço uma pausa —
a cabeça gira,
e o medo encontra morada.
O amor, outrora suave,
capaz de embalar o coração,
até aquele que nos lança
à vertigem do “te amo”,
perdeu o encanto
e virou eco vazio no mundo.
Antes, era açúcar cobrindo a alma;
hoje, carrega um amargor silencioso,
que caminha junto
ou nos espera,
paciente,
em algum ponto do tempo.
