Coleção pessoal de yonnemoreno
Antes e agora
Anteriormente, lembranças me faziam mergulhar em águas profundas.
Agora, tornaram-se amigas antigas que trazem sorrisos à minha boca.
O peso de uma lembrança
Eu preciso falar de uma lembrança quase perdida no ar.
A princípio, ela deixa minha boca seca, e a falta de ar me arfa.
Neste mundo de bons e maus, eu preciso contar até dez e, em outros momentos, me finjo de morta.
Amor é luz
A missão do ser humano é amar.
Amar até transbordar.
Amar mesmo quando dói.
Mas por que tão poucos compreendem?
Por que a pureza assusta
e a verdade pesa tanto nas mãos?
Mentiras se espalham como neblina,
atingindo aqueles que só desejam sentir, que partilhar instantes doces,
oferecer o coração sem máscaras.
Hoje, o amor anda enfermo.
Precisa de cuidado, de tempo,
às vezes até de remédio,
porque vive em crise,
vive esquecido de si.
O “eu te amo” já não ecoa como antes.
Cai solto no mundo,
palavra leve demais,
como balões perdidos nas sombras das ruas,
onde os olhos já não brilham
como os de quem ama de verdade.
Viver neste universo exige luz
e coragem para lutar contra a escuridão.
Ainda assim, o que é bom encontra caminho.
Sempre encontra.
Que o ciclo repetitivo da dor seja rompido,
que a vida se refaça em delicadeza,
e que a luz do amor alcance
todos aqueles que, apesar de tudo,
ainda acreditam.
O sopro
Eu escrevo para mim, não para ti.
Recomponha-se. O sopro da verdade e do amor reacendeu meu coração, e, desde então, eu sigo feliz.
A promessa, a verdade e o tempo
Você precisa me dizer se o seu coração está bem.
Agora tudo é mistério, e ainda assim, tudo faz sentido.
Agora eu entendo aquela promessa dita: um mundo cor-de-rosa.
Você prometeu um mundo onde não cabiam tristezas nem mentiras.
Você não mentiu…
O tempo é que não foi verdadeiro.
A desordem dos sentimentos
A paixão deixa a alma bagunçada, o amor agitado e o corpo em ebulição.
Dá vontade de pegar toda essa comoção, embrulhar e dar de presente.
Mas… para quem?
Para os ignorantes, incrédulos, mal-amados e infelizes.
Para provar que os sentimentos mudam a estrutura física e biológica do ser humano.
Então penso: e o controle?
Na verdade, até existe um controle, mas, na maioria das vezes, ele é desgovernado — sem rumo, perdido por aí.
Refúgio
Aqui, nas montanhas, em um refúgio no alto — bem no alto — cravado no lugar que amo profundamente, vivi dias maravilhosos.
Caminhos de vegetação densa se fecham como um abraço afetuoso, exalando a fragrância da mata que me envolve e me conduz a um torpor doce, quase sagrado.
O sol se recolheu por instantes, mas a brisa permaneceu amiga. O vento corre em direção às nuvens num vai e vem constante, como uma brincadeira antiga de pega-pega. Após dias intensos, elas choram, inundando os verdes, as estradas e os chalés, lavando tudo ao redor e deixando o mundo mais colorido, mais puro, com aquele cheirinho íntimo de casa limpa.
Agora, observo o sol infinito, que parece querer sorrir e revelar seu brilho, embora as nuvens insistam em ocultá-lo. Dentro de mim, a saudade já se anuncia, mesmo antes da partida. Talvez porque, aqui, minha mente vagueie livre entre o real e o místico, lembrando-me de que, muitas vezes, aquilo que vemos não é exatamente o que parece.
vida
Ainda que muitos não encontrem a paz,
eu, ao me virar, ainda me encontro.
Ainda me emociono,
ainda que seja apenas um sopro.
Ainda assim, é vida.
E, sendo vida, talvez devêssemos nos sentar e observar onde está o erro,
pois não existe somatório feito de um número só.
Máscara
Disfarça e segue, até porque a neve não está caindo.
A inexistência de frio é marcante; apenas o seu coração permanece gelado.
A minha vontade é vê-lo puxar a janela do seu âmago e atirar ao chão a sua máscara, para que, lá embaixo, eu enxergue os seus olhos frios. Mas, ao me levantar e encarar a sua face, percebo que tudo não passa de uma farsa libidinosa para me atrair — um anjo sem escrúpulos.
É isso que séculos de escuridão fazem: transformam uma chuva de verão em tempestade fria. Vou dar um tempo, até que a brisa quente chegue. Temo, às vezes, que ao dormir eu escute o barulho da chuva cair em flocos, que a tempestade gélida retorne e o tremor me atinja.
Dúvidas
Às vezes, construímos muros e esquecemos por onde sair — ou talvez não queiramos lembrar.
Nessas horas, chuvas de dúvidas persistem e trazem pensamentos tempestuosos.
São esses pensamentos que oscilam a paz do ser humano.
A cada esquina, ruas se formam, e nós continuamos aqui, vivos, em nuvens de interrogações que cobrem a nossa mente.
O invisível que vive em nós
Assim como Deus, o Criador, é invisível,
a alma também o é.
Assim como Deus está em todos os lugares, a alma de cada um também está,
pois o Criador é o Deus que habita em cada um de nós.
EU somente
Se eu não sentisse essa rede de emoções — por mais clichês que pareçam —, esses sentimentos que me tomam dia após dia, eu não seria um ser humano; seria apenas um ser existente.
O Mar Está Ali
O mar está ali.
E hoje, Marli, é você quem parte.
Suas malas estão prontas,
e o caminho se abre à sua frente.
Ao atravessar o jardim,
não olhe para trás.
Sorria.
Você sempre foi do bem,
sempre amiga,
sempre luz.
Lembramos dos seus cabelos vermelhos,
da sua ousadia serena,
da sua marca única,
gravada em nós.
O mar está ali.
E nele deixo, por ora, o meu adeus.
Que a luz divina te cubra por inteiro,
que a paz te envolva,
e que o amor te conduza.
O mar estava ali.
Agora, ele vive em outro lugar —
dentro de nós.
Meu adeus a você, Marli.
Com amor,
com saudade,
com gratidão.
Minha amiga, te amo.
Que Deus, em Sua infinita misericórdia,
esteja com você.
Adeus, Marli.
O amor também pode ser o pedreiro da vida.
Ele constrói barreiras para proteger ou barreiras para afastar — e, assim, transforma vidas.
Para muitos, essa frase pode soar como um clichê.
Mas feche os olhos e sinta o ar entrando em seus pulmões. Ouça a respiração do ser amado em você. A transformação no ar é evidente.
Amo o som das letras dessa frase: elas dançam, espalhando cores que não consigo reconhecer, imagens e sons que me fascinam. O amor transforma rostos feridos em sorrisos brilhantes e os conduz a um simples, porém poderoso:
“Por que não?”
Eu lamento não ter o poder nas mãos para consolar a todos,
nem o poder de abraçar cada um.
Resta-me apenas fechar os olhos e, em minha mente,
fazer minha alma ajoelhar-se
e pedir ao Supremo que olhe por seus filhos.
Não mate tudo aquilo que depositei em você.
Não se iluda, pois o inferno existe — é insano, mas real.
Não se engane: feche os olhos, sorria e me siga.
Nós
A gente se vê e não se incomoda com a linguagem das palavras, nem com a dos corpos.
Na minha visão, somente a sua voz é o meu foco.
Nossos sinais não precisam de explicação: são feitos pela energia, pela telepatia — como o cheiro de doce sob uma lua vermelha, intensa em seu vermelho de magia constante.
Nesse momento, a felicidade torna-se intrigante, e a gente vê e respira poesia em tudo.
Um salve silencioso, cheio de surpresas é transmitido, como energias gritantes, que gritam sem som.
Então, eu acredito na felicidade —
e Deus me livre sair dessa sintonia.
Mas pensamentos pairam como nuvens de chuva e tempestade:
histórias escondem felicidades e tristezas, assim como a vida esconde aquilo que não se pode ver, amar, nem tocar.
Ver o mar translúcido e o cair das ondas douradas quebrarem diante de seu destino foi algo assustador. Vê-lo lutar com todas as suas forças foi apavorante, mas presenciar o sol se apagar diante dos próprios olhos foi um ato doloroso para o ser humano.
O céu é um jardim onde as estrelas são colhidas como flores do deserto;
onde a lua sorri, presa ao manto azul;
onde as nuvens tentam esconder a beleza das estrelas.
Onde o sentimento das lágrimas nos olhos do ser amado
se transforma em momentos que jamais se esquecem.
