Coleção pessoal de walkirya_carminatti

Encontrados 3 pensamentos na coleção de walkirya_carminatti

Olá amigo, te convido por um minuto entrar na minha mente e sentir meu universo AUTISTA.

Eu ouço mais que vocês, os ecos vibram dentro de mim esticando meus tímpanos e arranhando minha alma, isso me deixa confusa,com medo, assustada, tira minha atenção e já não consigo pensar. Eu vejo o mundo com sensibilidade visual, vocês iluminam tudo ao ponto da luz atravessar minha vista no fundo faz explosões tudo fica embaçado e mal consigo ver, sem dizer que as pessoas fazem escolhas nas cores das casas, e fachadas me causam dor emocional, por favor usem cores menos assustadoras para mim. Eu sinto o cheiro de tudo a metros de distância, quando pensarem em usar produtos pensem como eles entram pelo meu nariz passando pelo meu cérebro e quando chegam ao estômago eu estou tento crises terríveis de enjôo. Eu tenho um paladar sensível e também muito restrito, não me juguem por não comer tudo, alguns sabores trazem informações assim como cheiro e produzem dores no estômago, enjôo e dores de cabeça, pois meu organismo costuma rejeitar algumas coisas. Eu tenho sensibilidade ao toque e outras vezes não tenho sensibilidade, eu não gosto de ser tocada sem permissão, é como abusar de mim, sinto pânico e incômodo as vezes quero chorar e morder, imagine alguém abusar de você , te forçando a algo íntimo sem seu consentimento . Abraços são bons, quando queremos, forçar a isso é literalmente abuso, pessoas abusam de autistas diariamente e nem sabem, e não existem estatísticas dizendo: 90% dos abusos cometidos pelos neurotípicos aos Autistas são pela forma forçada de interação. Eu amo abraçar mas forçar a isso é mesmo abuso. É incômodo, as vezes o coração acelera, eu tento me esquivar de todas as formas, mas as pessoas tão abusivas me apertam contra o corpo delas, sinto nojo, vontade de chorar, é um abraço contra minha vontade é uma tortura para minha alma, já mordi minha irmã. Afasto meu rosto sempre o máximo, será que não vêem que é torturador? Sempre bom pedir, sempre é bom abraços, quando permitimos.
Eu gosto de deitar no chão, também fazer movimentos, assim como repetir coisas, eu aprendo observando e ouvindo, não grite comigo isso é abuso também, já falei que minha audição é sensível?!. Já tentou se comunicar pelos sentidos? Eu olho se tocar no meu rosto e pedir: Olhe pra mim! Eu ouço quando toca minha mão e me convida a parar tudo o que está tomando minha atenção para te ouvir, não adianta gritar da sala, do quarto ou até do meu lado, eu interajo com os sentidos, tente ter pelo menos a atenção de dois deles para estabelecer contato comigo.
Sabe os sentidos que pode combinar para ter minha atenção?
Visão- audição.... Fale comigo em bom e doce tom ao mesmo tempo que me faz olhar pra você mesmo que eu olhe para seu queixo ou pé já está valendo.
Visão - tato - audição... fale comigo ao mesmo tempo que toca meu rosto e me peça um momento pra me olhar .
Audição- tato... Já experimentou tocar minhas mãos ao falar comigo?
Tato - visão ....antes de querer que eu olhe para ti tente fazer conexão com objetos a minha volta que eu possa usar como atrativo enquanto olho para você.
É difícil meu mundo? Talvez nem tanto , eu vivo o seu 24hs e aprendi a sua forma estranha de se comunicar, aposto que também é inteligente igual a mim, para aprender a minha forma de interagir.

Se eu sou capaz de lhe entender, tu és capaz de aprender a me entender também?!

Walkirya Carminatti

Walkirya

Quando autismo é visto de fora

Não tem como dimensionar o autismo pra quem está fora dele. Pai, mãe, profissionais podem até entender, conceituar e chegar a uma compreensão muito próxima de tudo e muitas vezes nos ajudar a ter voz, mas a realidade é que só sabemos o que está dentro da gente e nada mais.
Nem eu como autista posso dimensionar o que há dentro de um outro autista, sua dor, sua dificuldade, seus pensamentos, como ele sente o mundo e como os sintomas e comorbidades ganham espaço dentro dele.
Porém tudo que vemos é por fora, não tem como entrar na sua mente e saber como tudo ao mesmo tempo se conecta e se desliga. Há quem diga que não sou autista, há quem diga que eu não me esforço o suficiente, há quem diga que só arrumo desculpas e me escondo atrás do autismo e suas limitações, há quem já pensou que eu era preguiçosa e uma aproveitadora por depender dos meus pais ou marido sendo adulta, há quem já me julgou e me chamou de dramática, que eu era mimada e nas crises, eu só queria chamar a atenção.
Ninguém estava dentro de mim para saber, que é triste e desesperador muitas vezes ser EU. Não conseguir estudar, não consegue trabalhar, não conseguir cortar um simples tomate sem me cortar, não conseguir colocar uma fralda no meu filho e passar talco até parecer um fantasma com a fralda toda torta.
Ninguém está dentro de mim, quando meu cérebro se cansa pelos estímulos, quando meu corpo perde toda energia e eu me esforço pra levantar e perco toda motricidade.
Ninguém está dentro de mim quando eu não sei entender as emoções e com isso atrapalho meus relacionamentos, quando eu não entendo as pessoas e elas gritam e brigam como se eu quisesse machucá-las.
Ninguém está dentro de mim pra sentir quanto as comorbidades me afetam, depressão, síndrome do pânico, disfunção executiva, dificuldade em ler e escrever, dificuldade com números e cálculos simples, coisas simples como ver a hora, esquerda e direita, quanto tudo isso é difícil e dói pra mim.
Ninguém está dentro de mim para saber quanto as crises me castigam, tiram um pedacinho de mim e me esgotam.
Ninguém está dentro de mim, como me dói e me fere, ser ingênua e sem malícia, ver quanto as pessoas se aproveitam disso.
Ninguém está dentro de mim quando me desespero pensando no futuro, sem pai e mãe, sem estabilidade financeira, sem tratamento, sem direcionamento.
Ninguém está dentro de mim quando sinto que quero colo, afago e um aconchego maternal e as pessoas não podem dar porque no mundo malicioso é errado uma pessoa adulta dar colo para outra pessoa adulta.
Ninguém está dentro de mim quando as pessoas que amo me magoam, é como se toda a dor do universo explodisse dentro do peito.
Ninguém está dentro de mim e mesmo assim continuam a falar de como é ser Eu, Autista.
Walkirya Carminatti

Walkirya

Vou tentar descrever como me sinto a cada momento da minha vida atual em meio à sociedade, em meio olhares duvidosos, mesmo tendo um cérebro superexcitado ou seja, um cérebro com mais conexões neurais do que o comum que significa que por diversas vezes não consigo dizer de fato que sinto ou como me sinto, mais fácil eu causar transtorno do que conseguir dizer mas nesse momento não precisa explicar para alguém específico ou para uma sala de aula, a escrita é o meu meio de comunicação preferido então quem sabe através dessas linhas eu crie conscientização em alguém. Explicar algo que não é visível para os olhos humanos é complicado pois a medida que você adquire auto-conhecimento demais e uma consciência bastante significativa das suas dificuldades perante o convívio social daquilo que por mais que você se esforce e Lute para mudar, não vai mudar, a mente você muda, por exemplo posso pensar que a cerveja traz algum bem em minha vida hoje, mas amanhã posso mudar de opinião e dizer que cerveja só causa males. O autismo é uma condição neurológica para toda a vida pois o autismo não está na mente, está no cérebro e o melhor termo que descreve um cérebro autista é dizer que é um cérebro hiperexcitadou. Um cérebro neurotípico se desliga de uma atividade e imediatamente passa para a próxima O que causa a impressão que são capazes de fazer várias coisas ao mesmo tempo, o que acaba sendo uma ilusão, no caso dos autistas de autofuncionamento O que são os autistas leves, é diferente nós temos um cérebro superexcitado conseguimos pensar e fazer tantas coisas ao mesmo tempo que acaba sendo insuportável para nós e para aqueles que convivem com a gente, somos um fardo pesado por diversas vezes. Um cérebro super excitado está sempre ligado em muitos pensamentos numa espécie de compulsão. É como se você não conseguir se nunca relaxar. Nesse exato momento estou tentando dar continuidade ao texto da melhor maneira possível da maneira em que o leitor não se desespere se dá explicação porém há uma grande dificuldade nessa atividade uma vez que pensamentos vem como um turbilhão.

Walkirya Carminatti

Walkirya carminatti