Coleção pessoal de usually_674

Encontrados 5 pensamentos na coleção de usually_674

Os médicos estão fazendo a autópsia
Dos desiludidos que se mataram
Que grande coração eles possuiam
Viscéras imensas, tripas sentimentais
E um estômago cheio de poesia.

O Homem De Lata


Ah, homem de lata,
tão cobiçado pelos solitários,
rei silencioso dos que nunca foram escolhidos,
por que foste pedir um coração
se teus olhos de ferro já conheciam
o peso de ver amores partirem
como fumaça levada pelo vento?


Tu vias mãos se soltando,
promessas morrendo nas esquinas,
gente amando sozinha
e gente incapaz de amar de volta.
Então por que desejar sentir?
Por que querer um peito pulsando
se o amor é uma tempestade
que sempre encontra onde destruir?


Ensina-me, homem de lata,
como enferrujar sentimentos,
como não esperar passos voltando,
como não morrer aos poucos
toda vez que alguém decide ir embora.


Ensina-me a não sofrer,
a não amar,
a não implorar migalhas de atenção
como quem recolhe estrelas quebradas do chão.


E eu prometo…
prometo esquecer aqueles sapatos vermelhos.
Nunca mais seguirei o som deles pela estrada,
nunca mais levantarei os olhos
quando passarem diante de mim.


E pela última vez, homem de lata,
juro que deixarei meu coração
parar de pedir abrigo
em quem nunca quis ficar.


Henry Keys

Na sombra fria do entardecer,
Ouço o silêncio da noite crescer,
As estrelas escondem seu brilho no ar,
E o vento parece querer me avisar.


Carrego em segredo um doce temor,
Mistura estranha de sonho e amor,
Enquanto meu peito insiste em bater
Por alguém que talvez nunca vá perceber.


Caminho entre dúvidas pelo luar ausente,
Tentando sorrir, fingir ser valente,
Mas o futuro dança como névoa no chão,
Confundindo esperança e solidão.


E se o destino mudar meu caminho?
E se a dor for meu único carinho?
Mesmo assim guardo essa chama acesa,
Frágil, inquieta, cheia de incerteza.


Porque amar também é se perder,
É cair no escuro sem saber
Se ao final da noite haverá amanhecer
Ou apenas saudade para sobreviver.


Ainda assim, em silêncio, eu espero,
Mesmo com medo, mesmo sem saber ao certo,
Que um dia duas almas possam se encontrar
E juntas, enfim, aprendam a sonhar.

⁠Anos atrás
Eu não te conhecia tão bem
Só era mais alguém
Mas os seus sonhos eram meus também

No fim, você me deixou a paixão
Os sonhos nunca podem deixar de ser em vão
E o nosso amor foi mais forte que a razão
Você me deu a luz e o calor do seu coração

Eu te escrevi com cuidado,
como quem escolhe palavras
igual escolhe alianças:
pensando no futuro.


Te dei bom dia com vontade,
puxei assunto, inventei assunto,
sustentei conversa sozinho
como quem segura algo
que já tava caindo.


Você respondeu… às vezes.
Curto.
Frio.
Distante.


E eu ali,
tentando transformar “oi” em história,
tentando fazer de pouco
um quase tudo.


Eu planejei nós
antes de existir “nós”.
Pensei em datas,
lugares,
detalhes que você nunca viu.


Falei com sua irmã,
sonhei alto,
senti fundo.


E você…
online.


Mas não pra mim.


Doía mais imaginar
do que saber.
Doía ver você presente no mundo
e ausente comigo.


Eu me perguntava:
“será que fiz algo errado?”
Mas no fundo eu sabia…


Amor não deixa dúvida o tempo todo.


Então eu parei.


Não de sentir —
porque isso ainda fica.


Mas de correr,
de insistir,
de tentar caber
onde não tinha espaço.


Agora eu respondo,
mas não imploro.
Eu falo,
mas não puxo.
Eu existo,
mas não me deixo de lado.


Porque eu entendi, finalmente:


Eu não era demais.
Eu só tava sendo demais
pra quem oferecia de menos.


E se um dia você perceber
o silêncio que eu deixei…


Vai entender que não foi falta de amor.


Foi amor-próprio chegando.