Coleção pessoal de TixaGomes
Esperar para Ver
Houvesse o estrondo dos canhões e armas nos filmes antigos somente, mas ainda se ouve o som de aviões de caça e metralhadoras no presente. As drogas são tão populares, que existem mais que a luz do sol, brisas frescas, amor verdadeiro, respeito e todas as ondas de todos os mares. A criança só chora e desespera, por ser incompreendida, comprada, calada, assassinada, sexualizada, negligenciada...
E ela pergunta-se qual o futuro (se o houver), que lhe espera. Barreiras continuam sucessivamente a surgir, as diferenças permanecem a ser motivo de matança, os pobres são espezinhados e enxotados. Líderes falam em unir, mas sempre a nos dividir. Quem tem neurodivergência ou doença mental, chamam-lhe de incapaz ou de louco, mas não sabem pelo que passou e tem de passar, que é na realidade o mais genial.
Usam a doutrina divina para o seu encobrimento, como se fosse a vontade d’Ele, que assim seja, mas quando chegar o momento do seu retorno, quando Ele os castigar, que não finjam arrependimento. Ninguém quer aprender ou simplesmente escutar, não quando não são eles que sofrem.
Então eles que continuem...continuem, mas não se queixem ao ver como as modas vão parar!
Tixa Gomes
Desastre
Venha, Deus à terra
deite sobre ela a sua gentileza.
Venha, Senhor depressa
mas Venha de escudo e espada,
de colete e de armas,
pois o tempo é outro
mas a sua criação permanece
contra o tempo e a ordem
contra paz e o amor
sem o próximo e o dever.
Venha, meu Rei à terra
mas prepare-se bem
que mares de novo se erguendo
e a terra vão varrer.
Venha, Omnipotente com cuidado
que a doutrina foi esquecida,
o pão está escasso
e o peixe corre.
O vinho ainda o há
e se acaba
nas veias de outro se escava
a tiro e à facada.
Haver bebida é sobreviver
haver luta é poder.
Venha, Omnipresente venha
proteja-se da melhor forma,
que todo o canto é buraco
e debaixo os ossos,
que antes eram carne viva,
de tão pontiagudos de partidos
usados como armas
nos ferem o pensamento.
Venha, ó Grandioso
e veja a sua arte derreter,
a tinta azul a corromper
e o verde em escassez,
onde a tela é escorregadia
e o brilho não vem do sol
mas dos olhos furtivos.
O cego aprendeu com os olhos enganar,
a criança para a guerra foi brincar,
as mães, porque outro lhes nasceu,
sempre a chorar
e os pais a morrer sem parar.
Líderes se inventam
ninguém os quer comprar.
Só porque numa cadeira se sentam
acham que o Seu mundo podem comandar.
Maldito seja o fruto,
tantos anjos e nenhum impediu,
tantas feras que grandes
dentes tinham
e que tamanhas forças possuíam
a árvore não quiseram derrubar.
Tixa Gomes
Ainda aqui estou
Estou sozinha num mundo cheio
Presa na minha própria gaiola,
Sinto-me vazia e incompleta
com o necessário para sobreviver.
Choro com olhos secos,
encarcerada na minha mente
na qual a alma não sabe se sente,
se mente ou permite-se desvanecer.
Feridas que não se veem,
Palavras que não foram ditas,
carente de demonstrações de amor.
Corpo existente que não se deixa viver.
Olhos que encaram furtivamente,
boca cozida por linhas passadas,
mãos que tremem de tanto cerrar,
cabelo forte que agora se encontra a ceder.
Pulmões esgotados de ar limpo procurar
e se em alguns momentos de felicidade
dou por mim a alucinar
a escuridão aparece para dela não me esquecer.
O meu sangue levado pelo mar,
minhas alegrias a voar pelo vento,
pés na terra a enterrar,
porém, estão as minhas dores a permanecer.
