Coleção pessoal de TiagoScheimann
Aos tolos, eu gritei que não sabem que o silêncio cresce e se espalha de forma destrutiva, como se fosse um câncer social.
É alarmante ver pessoas falando sem conversar e ouvindo sem escutar, uma multidão absorta que prefere manter o som do silêncio.
A luz intensa do farol feriu meus olhos, dividindo a noite e revelando a verdade nua de dez mil almas emudecidas.
Eu caminhei sozinho por ruas estreitas, sentindo o frio e a umidade sob o halo da lâmpada, buscando fugir dos sonhos inquietos
A noite mais longa revela o contorno verdadeiro do nosso rosto à luz das pequenas certezas que resistem.
Vence quem transforma o luto em ofício diário e converte a saudade em canção que constrói pontes invisíveis.
Resiliência é aprender a dançar com as próprias cicatrizes, fazendo delas o compasso que mantém o corpo erguido.
A esperança é um mapa rabiscado com lágrimas e mãos calejadas, apontando caminhos que poucos ousaram pisar.
Quem atravessa a noite com os olhos abertos aprende que a aurora não é escolha, é promessa escrita nas frestas da madrugada.
Fé é acender um pequeno fogo dentro do peito quando o vento lá fora tenta fechar até as janelas da esperança.
Viver é segurar a própria sombra pela mão e aceitar que ela caminha conosco. É reconhecer que luz e escuridão não são inimigas, mas complementos. E que só existe cura quando deixamos de fugir de nós mesmos. A partir daí, o resto é reconstrução.
Meu coração carrega cicatrizes que não conto
a ninguém. Não por vergonha, mas porque algumas dores não cabem em palavras. Elas apenas me lembram do caminho que trilhei.
E por mais tortuoso que tenha sido,
ainda estou aqui.
Nem todo vazio é ausência, às vezes é convite. Convite para habitar lugares internos que ignoramos por medo. Mas quando os habitamos, descobrimos tesouros enterrados sob camadas de silêncio. E então entendemos que estar só é, às vezes, estar pleno.
