Coleção pessoal de thiagoaugustinn
Às vezes, as pessoas tentam reduzir aquilo que não conhecem: sua história, suas dores silenciosas, as noites em que você quase desistiu e mesmo assim continuou. Quem olha de fora vê apenas o resultado, mas ignora o caminho cheio de esforço que te trouxe até aqui. Não permita que opiniões rasas tenham mais peso do que a sua própria trajetória.
Ser diminuído ou humilhado não define quem você é — define apenas a limitação de quem não consegue reconhecer a luta do outro. Valorize cada passo que você deu, principalmente aqueles que ninguém aplaudiu. O seu caminho tem valor porque foi você quem o construiu, com coragem, quedas e recomeços.
Respeite sua própria história. Quem conhece o próprio esforço não se curva ao desprezo alheio; segue em frente, com a dignidade de quem sabe exatamente o quanto custou chegar onde está.
Entre Ficar e Partir
Este ano houve dias
em que existir pesou mais que o corpo.
Respirar parecia um compromisso longo demais
para um coração cansado.
Não era desejo de morrer —
era vontade de silenciar o ruído,
de descansar da própria consciência,
de apagar, por um instante, a dor de ser.
Mas algo — pequeno, quase invisível —
permaneceu.
Uma centelha teimosa
que recusou o fim.
E talvez viver seja isso:
não a ausência do abismo,
mas a escolha silenciosa
de não pular hoje.
As coisas não têm estado bem nos últimos anos
E eu não sei mais onde guardar as minhas lágrimas.
Ainda dói muito tudo isso, mas eu me tornei um personagem da minha própria tristeza
A cada dia eu acordo com vontade de não acordar mais
E viro a cabeça na cama e olho para o teto e não consigo enxergar a luz
Ainda dói muito tudo isso
A cada passo que dei tentando fugir, eu acabei por seguir um caminho que me levou a um grande precipício.
E todos os sorrisos que eu dei foram uma farsa
Eu tento, tento, eu tento todos os dias me tornar uma pessoa forte e poder reconstruir o meu caminho
Mas, ainda dói muito tudo isso.
Eu grito, grito, eu grito, mas eu estou sozinho
Me desculpem por eu não gostar de despedidas
Me desculpem por querer ir embora
Me desculpem por não saber onde guardar as minhas lágrimas
Mas ainda dói muito tudo isso
Havia um rapaz que morava “de favor”, expressão bonita para esconder o desconforto diário de não pertencer a lugar nenhum. Naquela casa, ele ocupava pouco espaço: um canto, uma cama emprestada e o silêncio. Falava baixo, não por timidez, mas porque aprendera que, para os outros, pobre não tem voz — só eco.
As pessoas ao redor tinham uma régua curiosa: mediam gente em cifras. Quem tinha dinheiro, tinha valor; quem não tinha, devia gratidão eterna e cabeça baixa. E assim o rapaz era lembrado todos os dias de que valia menos que os móveis da sala, afinal, eles ao menos tinham sido comprados.
Mas a anedota da vida tem dessas ironias: enquanto o julgavam pequeno, ele crescia por dentro. Guardava humilhações como quem junta moedas — não para gastar em vingança, mas para investir em si. Estudou quando pôde, trabalhou quando ninguém quis, e sonhou mesmo quando riam do seu sonho.
Um dia, sem alarde, ele saiu daquela casa. Não bateu portas, não fez discursos. Apenas foi. E o mundo, que parecia fechado para quem não tinha nada, resolveu se abrir para quem tinha coragem.
Anos depois, alguém comentou:
— Quem diria, né? Ele venceu na vida.
E a resposta mais sincera veio do silêncio: ele não venceu por ter dinheiro agora, venceu porque nunca aceitou a mentira de que só o dinheiro faz alguém valer alguma coisa.
Quem vive ocupado demais
em provar que é maior que os outros.
Enquanto ela coleciona soberba,
eu cultivo silêncio, tempo e sonho.
Há quem confunda correria com grandeza
e humildade com vazio.
Desocupado, sim —
de ego inflado,
de máscaras,
de aplausos falsos.
E isso, convenhamos,
é uma bela ocupação.
Há alguém chegando de mansinho,
sem promessas em voz alta,
mas com presença que acalma.
Surge como luz no fim da tarde,
quando o dia já cansou de doer.
É alguém que não invade,
apenas fica —
e, ficando, transforma.
Ainda é começo, ainda é mistério,
mas o coração, atento,
já reconhece:
há algo bonito nascendo aqui.
Aprendi a me amar no limite exato da dignidade,
onde o silêncio vira resposta
e a ausência, proteção.
Não me curvo à arrogância disfarçada de poder,
nem alimento egos que se nutrem da minha luz.
Amor próprio é escolher ficar inteiro,
mesmo que isso signifique partir.
Quem é narcisista exige palco;
eu escolho a paz.
Às vezes, a dor mais profunda não vem de estranhos, mas da própria família. Parentes que só enxergam falhas, que criticam, ofendem e falam pelas costas, esquecem que palavras também ferem — e ferem fundo. O bem que você faz se torna invisível, como se nunca tivesse existido, enquanto qualquer erro vira julgamento. Essa falta de empatia cansa a alma, corrói o amor e deixa marcas silenciosas no coração. Porque quando quem deveria acolher escolhe ferir, o peso não é pequeno: é diário, é injusto e machuca mais do que se pode explicar.
Pessoas arrogantes costumam caminhar com passos altos demais para perceber o chão que pisam. Confiam excessivamente no próprio brilho e esquecem que nenhum sucesso é eterno quando falta humildade. A queda, quando vem, não é castigo do destino, mas consequência do desprezo pelo outro e pela realidade. E então aprendem, muitas vezes tarde, que quanto maior o orgulho, mais dura é a lição — pois só quem se curva para aprender consegue permanecer de pé.
Aceitar a morte não significa desejar o fim, mas compreender o valor do intervalo. Quando reconhecemos que somos passageiros, aprendemos a escolher melhor o que levamos na bagagem do dia: palavras mais verdadeiras, abraços demorados, perdões que não podem esperar. A consciência da finitude amadurece o olhar e ensina que nada é banal, porque tudo é irrepetível.
Ninguém está contando o tempo comigo! As horas passam com um piscar de olhos! E eu me encontro a choramingar, infeliz aqui dentro! O coração aflito! A vida é como uma mágica, a energia acende a luz, quando se vê, já brilhou! E quando se vê, já apagou! Vamos ser ligeiros e viver essa vida com destreza! De pouco vale contar o tempo que passa, vivendo a vida com tristeza! Porque o tempo passa e o relógio do tempo é como mágica! Quando se vê, a luz apagou , a hora passou e a vida acabou!
Ficar calado é uma forma de dizer sem conceituar. Os conceitos são formulações fáceis, o silêncio não. Descobrir o que o silêncio diz requer mestria, observação minuciosa.
É bom não saber dizer...
Bom mesmo é ser compreendido, mesmo quando não sabemos dizer...
Amar é uma forma de crer em silêncio!
“Deitado no chão, travando uma luta contra o papel de parede no teto do meu quarto! Ninguém por perto! Fecho meus olhos e sinto o meu rosto se inundar de lágrimas! Coração apertado, respiração ofegante! Desejando infinitamente encontrar a Deusa da luz imaginária, a rainha do fim e também do recomeço! Ela chegou! Eu sinto a dor reconfortante da sua presença! Já veio meio me buscar? Eu estou indo. Eu já não sinto mais os meus pulsos, já não sinto mais meu coração bater, eu já não sinto mais a vida. Eu não tenho mais nada a perder!”
Janela
Da janela eu vejo um raio de sol, que penetra suavemente através da cortina e encobre meu quarto de luz!
Da janela, quando aberta, eu escuto o barulho dos pássaros…
Da janela, eu vejo a vida correndo lá fora.
Da janela, eu sinto a brisa beijar o meu rosto!
Eu me levanto, preparo meu café e da janela, eu rezo para que alguém venha sussurrar em meu ouvido, dizendo que ama.
Da janela, eu avisto os meus sonhos
Da janela, eu sinto a vida que é bela!
Quem parte deste mundo, abandonando a sua própria carne e revelando o seu espírito para a eternidade, obriga-nos a aceitar uma valiosa lição: amar, a cada instante, quem fica.
Quando eu fecho os olhos, eu sinto que estou em paz comigo mesmo. Não me culpo por eu ser inteiro e de verdade. Sou um oceano profundo de sentimentos intensos! Eu seguro a sua mão sem intenção de soltá-la. Esteja preparado para o salto no abismo do meu coração! Quando eu fecho os olhos, eu sinto que posso ser recompensado pelo amor que eu dou. O universo conspira a favor de quem corre para o lado em que está o amor. O universo brinda com luz quem é luz. Quando eu fecho os olhos, eu sei que não saio perdendo! Eu ganho, afinal, o universo conspira a favor daquele que dá amor de verdade, sem exigir nada em troca.
Há sempre o seu cheiro no meu lençol… A cada encontro, eu fico cada vez mais impregnado de amor e desejo… É uma vontade de estar ao seu lado que não cessa, que não tem fim! Teu cheiro no meu lençol é como uma semente do amor plantada em meu coração! Só faz crescer a cada vez que eu te encontro e te sinto perto de mim, a cada vez que eu sinto o teu cheiro aqui.
