Coleção pessoal de suzana_travassos_valdez

121 - 140 do total de 133 pensamentos na coleção de suzana_travassos_valdez

Sabia, contudo, que a memória do amarelo cintilava em mim como folha de ouro dos afectos largados.

Voltei-me assustada. Ninguém! Apenas o encarvoado das fachadas e o azul invisível do céu a cair sobre mim.

Teria eu o direito de forçar a entrada a quem me encarcerara por entre as páginas e as palavras?

Como se de um milagre se tratasse, nasceu claridade amarelada daquele lampião.

A humidade da noite entranhava-se na minha pele, a pedra trajava-se a relento.

Talvez o sol não dourasse as lembranças, como ali, naquele momento no interstício de tempos, entre a noite e a madrugada.

O vazio interior não era edifício ideal, antes casca de ostra sem pérola.

Naquele silêncio que enfrentava, onde as palavras não chegavam nem partiam, sentia-me perdida.

O que éramos nós, sem o assombro, o espanto, a sensibilidade? Conchas do Mar Morto? Perfeitas por fora, mas sem trazer o som do mar encostado ao ouvido, apenas o sussurro seco do próprio deserto.

O que eu temia era a nitidez com que percebia cada tremor de alma, o que me apavorava era, que a consciência, lúcida em demasia, como lâmina, me pudesse rasgar o pensamento.

Viver é arriscar! Escrever é aventurar-se e largar os arneses da vida!

Do Belo, tudo se frui, nada se exclui.

Sabia que a esperança era capaz de ser o mais cruel dos enganos e, ainda assim, o único abrigo possível.