Coleção pessoal de suzana_travassos_valdez
Apenas uma aranha na sua lida. Fiquei a observá-la naquele fascinante entretecer dos valorosos e inalteráveis fios de seda.
Outrora, nesse tempo garantidamente, já gasto pelos dias passantes, pelo desabar dos poentes, as crianças não detinham palavras de exigência.
Um mesmo medo, um mesmo tremor. Um outro horror de gente crescida a ser obrigada à intrepidez que nunca desejara.
Olhei, já em antecipação, para o lugar do ruído de sobressalto, horrorizei-me. O horror susteve o grito, o medo sufocou-o e deixou-me paralisada.
O pai ensinara-me a sensibilidade, a avó adivinhara-o desde sempre. O futuro di-lo-ia em susto permanente.
Aquela cor que não era sol nem lua, mas a terceira luz, a que só acendia onde o tempo se esquecia de passar.
Voltei-me assustada. Ninguém! Apenas o encarvoado das fachadas e o azul invisível do céu a cair sobre mim.
Talvez o sol não dourasse as lembranças, como ali, naquele momento no interstício de tempos, entre a noite e a madrugada.
