Coleção pessoal de SusannaAlmeida

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A quintessência,
o uno,
a menor partícula, eu ainda busco...
Pode ser que a encontre – ou não,
na pétala que não se abriu,
ou abriu e não ficou um só dia,
nem houve tempo,
porque assim estava escrito,
e caiu ao chão...
Por um átomo, um instante,
um clarão;
uma sentença!
Que eu não tenha compreendido...
E deixei passar...
A quintessência, eu ainda procuro...
Estaria ela, na incons-ciência
das coisas que guardo em minha despensa,
no escuro...?!

Não sou bailarina,
mas a vida me ensinou
a dançar
e a abusar dos ritmos.
Nem sempre conforme a música,
Apenas sigo dançando... [ao revés]
Dançando, vou atrás dos meus sonhos
a cada passo que dou;
a cada sopro de vida...
Que me anima os pés...

Criança, ainda,
Já, com tanta bagagem!
Para fazer a viagem,
fostes deixado na estrada.
Seus pensamentos pueris,
não lhe acompanham os pés,
obrigados a crescerem com os revés
da vida...!
E ganhar o chão,
e o pão,
e a lida,
seja como for...
Obrigado fostes, a pisar firme, embora, errante,
hesitante,
ao primeiro tropeção!
Criança crescida!
Que cessem teus medos, tuas lágrimas,
tua dor...
E nunca teus sonhos;
E nunca o amor!

Sobre o silêncio...

Minha poesia vai dormir agora.
Ou silenciar com teu silêncio,
Aquele que teimas
Em "usar sabiamente"
E que me faz mal...
Silêncio sepulcral;
O meu sepulcro!

É lá que repousarei agora,
E por ora,
Minha poesia
Repousará...

A vida é um sopro; nós somos tudo e nada ao mesmo tempo...

Que sentimento é esse,
que me tira a calma,
e me desnuda a alma?
Revelando-me o meu lado mais bonito,
o meu lado vulnerável de manteiga derretida?!
Não sou mais, forte!
Não sou mais nada!
Tenho a inquietação do bater das asas de mil borboletas!
Ah! Borboletas!
Pudesse eu, roubar-lhes as asas
eu voaria ao encontro do meu bem...
Mas, não posso;
a contragosto, espero um sinal...
O seu sinal que não vem...

Quero estar lá,
mas ainda estou aqui [falo do tempo]...

Se, ficou em mim
algum encanto
dos cantos das cantigas
e contos das fadas
Se, ficou em mim
uma fiapo da esperança
da criança que eu fui,
então, eu posso esticar
meus braços e alcançar
o céu...
brincar as brincadeiras
das ruas...
das cirandas,
das estrelas
que com os dedos,
apontava!
Se, ficou em mim,
ainda está comigo
essa força inocente,
veemente,
então, eu posso esticar
meus braços e agarrar
a luz da lua...
E iluminar meu carrossel...

'Pétala'

A última pétala, hoje, murchou...
sem me avisar caiu...
foi lhe saindo o viço,
foi perdendo a sua cor...
e perdeu-se o branco,
e perdeu-se o rubro,
e perdeu-se o verde... Secou!
Murchando a flor,
perdeu-se a vida, então!
Também murchou, ressentida!
Aqui, perdida...
Eu..., o buquê,
mas não pela falta das flores...
E sim, por estar sem você!

Ah, seu beijo!
Seu beijo é suave,
como Dente-de-Leão,
ao tocar o chão,
quando pára o vento...
Ah, seu beijo!
Seu beijo não tem pressa...
Detém-se no instante;
e despreza o tempo!

Minha relutância em sair da cama, vai muito além da vadiagem.
Meu desânimo vai muito além da preguiça.
Minha vontade de sumir vai muito além do debandar
Minha vontade de morrer vai muito além da covardia.
A minha alma grita, mas ninguém ouve almas, sequer as vê...

"Indagou a flor ao poeta
Por quem choras tresloucado amigo
Não há de ser por mim despetalada,
Aqui ao chão, jogada
A virar esterco e pó...
Por mim não há de ser...
Já nem existo, perdi meu viço
Quando me arrancaram...
Deixando-me à mercê
Dos muitos transeuntes
Que passaram!
Pisoteando minh'alma de flor...
Pois flor tem alma, sabias?
Alma perfumada eu diria...
Cheirosa!
Como a rosa em botão!
Então me digas por quem choras?
Seria pela lua, risonha lá no céu?
Brilhante, como o ouro,
Como a prata?
Assim me matas,
Digas-me por quem choras...?
Vem minhas pétalas juntar,
Faze-me inteira num repente,
Para novamente te encantar..."

Finados
"Não procurem por nós nos campos-santos, aonde nem chegamos a estar. Lá, só foram largados os despojos que nos serviram de invólucros, por um tempo predeterminado, do primeiro ao último respirar... Procurem-nos em suas lembranças; É lá que queremos estar, até que tu mesmo, de ti não te lembres mais...'

“Quanto tempo levou,
para que houvesse tempo,
de o tempo ter nos trazido
o que somente o tempo traz?
Uma vida!
Um esperar impaciente!
Um desejo, de um repente…
Que de repente,aconteça!
Pouco tempo foi preciso,
para que o tempo trouxesse
o que não aconteceu,
o que nem chegou a ser…
O que faltou e nem soubemos
Como foi ou teria sido… (?)
Quem dera!
Mas que ingrato é esse tempo!
Que dita as ordens, cruel!
Que faz de nós, um refém.
Da espera…
Resta-me a liberdade de poder ser
Agora, apenas eu
Com meus anseios,
meus receios…
minha des-temperança,
Minhas calmarias
Em seus raros momentos
Minhas inquietudes
Meus pensamentos…
Meus - muitos - defeitos
E minhas - poucas - virtudes
Resta-me a liberdade
de poder dizer não, quando quiser dizer sim
Poder dizer sim se me aprouver, ou não
Não importando o quanto custe a reação
depois da ação…”