Coleção pessoal de EricJoLopes

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⁠Água
Pra regar a rosa
Dedicar tempo
Escrever prosa
Ver crescer
No meu jardim
Dentre outras mais
Única em mim

⁠Canção de passarinho
Três pulinhos
Oração
Cada um faz o que pode
Pra acalmar o coração

⁠Enquanto vejo o barco passar
Morro afogado sem saber nadar
Mirando o destino que queria ir
No rastro do barco que me deixou aqui
Agora ele atraca em outro lugar
Âncora de esperança me fez afundar

⁠Cativar
Se fazer lembrar
Sem estar presente
Cativou
Completar sua frase
Mesmo que ausente
Cativei
Ficar bem pertinho
Fugindo da gente

⁠Me mostrou as estrelas
Agora as lâmpadas
Não me chamam mais atenção
Por mais escura que seja a noite

⁠Espere o outono
Sacuda as árvores
Veja qual flor resiste
A que não desistiu
No inverno da vida
Te fará menos triste

⁠Se dividirmos
Podemos suportar
Deus não entrega nada
Que não possamos aguentar

Pois não existe outro
Que saiba mais de dor
Quanto mais sacrifício
Mais bonito é o amor

⁠Castelos de areia
Inimigo das ondas
Meu baldinho surrado
Parceiro de recomeços

⁠Há estrelas
No céu olhar
Que eu quero
Ver brilhar

⁠Me dilacera
Não me sangra
Esmaga o peito
Com leveza

Perdi todo o ar
Ao tentar convencer
Me congelei no frio
Ao tentar aquecer

Foi tanta sensação
Quis tentar explicar
Desisti no caminho
Vou morrer pra acordar

⁠Quando disse
Que fosse feito o teu querer
Rezei pra mim
Pois nunca foi sobre você

Quando disse
Que seja feita a tua vontade
Rezei pra ti
Pois entendi de humildade

Daqui pra frente
Só vou pedir em oração
Que seu desejo
More em cada coração

⁠É deserto
E você não desiste
Entre miragens e oásis
A beleza existe

Uma ou dunas
Três ou cactos
Coração de forasteiro
Andarilho sem sapatos

⁠Ao sair
Deixei um pedacinho de mim
Levei um pedacinho de você
Ao voltar
Me deixarei por completo
Te levarei por inteiro

⁠Minhas verdades
Suas verdades
Mentira daqui de uma vez

⁠Pessoas ruins
Não falam sobre coisas boas
Pois só é possível transbordar
Do que se está cheio

⁠Eu achei
Que tinha achado
Mas você não existe mesmo, hein?

⁠Eis um porco-espinho
Aceitando ficar só
Sem ninguém ao seu redor
Que te toque ou sinta dó

Eis um porco-espinho
Descobrindo o seu caminho
Na solitude fez um ninho
Pra então viver sozinho

⁠Na vaidade do ciúme
Insegurança é peixe
Vem em cardume

⁠Brilhava solitária
Descobriu o que era amar
Foi aí que pulou do céu
Pra ser estrela do mar

⁠Você parece tão dona de si
E eu, tão dono de nada
Sua cabeça parece nem estar aqui
E a minha, sempre preocupada
Seu silêncio parece magia
E o meu, pura covardia
Seu abraço parece seleto
E o meu, tão incompleto
Sua presença parece notada
E a minha, sempre evitada
Suas palavras parecem ajudar
E as minhas, alguém machucar
E nessa eterna dissonância
Vamos tomando distância
Sem saber onde vai dar