Coleção pessoal de EricJoLopes
Tomei café com você
Durante anos
Na mesma xícara
Quando ela partiu
Não foi só a xícara que ficou em pedaços
Para que tudo se ajeite
Para!
Que se ajeita tudo
Para quê ajeitar tudo
Se para tudo ajeitar
Separa
Para e não tem mais jeito?
Vidas
Rascunhos divinos
Apagados
Ao menor sinal de imperfeição
Desenhados
Ao menor sinal de solidão
Há cordas
Que prendem corpos
Acordes
Que abraçam a alma
Acorde!
Mas se quiser dormir aqui
Acordados estaremos
Nas ruas ladrilhadas
Bosques de solidão
Anjos sobre a terra
Roubando coração
Uma doce brincadeira
De ao outro querer bem
Me roubaste o coração
E o seu roubei também
Ainda com as flechas
Que acabara de arrancar do peito
Escondeu seu coração
E amaldiçoou todos os cupidos
Ou, ao menos aqueles
Que faziam questão de carregar
Uma só flecha em suas aljavas
Quanto tempo leva
Pra tocar a noite
Que descansa em seus cabelos
Fazendo despertar
Uma constelação de sorrisos
Em seu rosto?
Pule
De cometa em cometa
De paixão em paixão
Estrelas cadentes
Realizam desejos
Dos que se aventuram
No compasso de um pulsar
Mesmo com você tão perto
Demorei pra perceber
Toda a magia que ali havia
Fiz minha solidão de arma
Procurei respostas simples
Em masmorras sombrias
Chamar pelo seu nome
É o mais difícil
Dentre todos os feitiços
Evitar miragem
Exige coragem
Não se aprende em livros
Me livro
De toda a noite presa em mim
E vou te ver, agora
Onde você estiver
Chamar seu nome
Deve ser pra isso
Que eu nasci
Ciranda
Cirandinha
Já não quero cirandar
Vou dar meia volta
Espairecer
Anéis de vidro
Cortam
Como amores poucos
Quando se acabam
Lagarta pintada
Escolheu bem suas cores
Suportou suas dores
Virou borboleta
Mas…
Espera!
Quem te pintou?
- A vida!
É ingênuo
Ter certeza de tudo
Dar as costas
Aos possíveis futuros
Dar ouvidos
A pensamentos obscuros
Que justifiquem
Todos os nossos impulsos
Sair na chuva
Cair no mar
Cortar cebola
Camuflar tristeza
Em sorrisos desconhecidos
Até ser contagiado
Por inteiro
