Coleção pessoal de sebastiao_santos_silva

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⁠LAGOAS SECAS

Urandi era rico em água,
com fortes nascentes;
lagoas transbordando,
tinha grandes enchentes.

Elas todas secaram
causando impactos;
onde viviam os peixes,
hoje nascem cactos.

Tinha muito peixe,
também jacaré;
onde andava de canoa,
hoje andam a pé.

A lagoa da Capa
era de árvores ornada,
virou um deserto
e foi toda aterrada.

A lagoa da Tiririca
não foi diferente,
era grande e profunda,
lembrada por muita gente.

Drenar a lagoa Grande
foi um desastre ambiental,
causando aos quilombolas
e à natureza um grande mal.

A lagoa do Departamento
era lagoa artificial;
hoje tem Estreito e Cova de Mandioca,
mas não compensa a que era natural.

⁠URANDI BUCÓLICO

O povo urandiense
é forte e resistente
e, por ser sertanejo,
não teme Sol quente.

A maioria é camponês,
mas a vida hoje é diferente,
tem água encanada,
não tem mais rio corrente.

Não tem mais burro de carga,
nem pega água na cabaça,
não usa fogão à lenha,
nem acha mais uma boa cachaça.

Carro de boi é raridade,
não vê mais ele cantando;
tropa é coisa do passado,
nem vê mulher fiando.

Engenho é peça de museu,
casa de taipa é ficção,
candeeiro não usa mais,
não pisa mais nada no pilão.

Não escuta mais o rádio,
a moda agora é televisão;
ninguém passeia no jardim,
nem faz bandeira de São João.

Tinha também boate,
pra sociedade era perdição;
tinha o trem de passageiro
e o povo vendendo na estação.

A cidade era muito tranqüila,
pouco carro e sem poluição;
a feira livre era muito grande,
livre também de droga e ladrão.

⁠RIOS DE LÁGRIMAS

Às vezes me deparo
numa grande melancolia,
lembrando de um passado
de tristeza e de alegria.

Quanta saudade
do meu tempo de criança,
os rios tinham muita água,
ainda guardo na lembrança.

Tomava banho no rio,
pescava na barraginha,
tinha tanta lavadeira
quarando roupa limpinha!

Ninguém imaginava
ver os rios maltratados,
transformados em esgotos,
sendo todos assassinados.

Em rios de lágrimas
eles foram transformados,
por conta do lixo e esgoto
que neles são lançados.

Cachoeira e Raiz
foram a razão da cidade;
deram o nome Duas Barras
e só receberam atrocidade.

Revitalizar nossos rios
é um processo lento,
mas a principal medida
é a estação de tratamento.

⁠DR. PROPÉRCIO-PATRONO DE URANDI

Nessa terra de filho
ilustre e anônimo;
tu és nosso patrono,
idealizador do topônimo.

Pioneiro acadêmico
que estudou em Diamantina,
seguiu pra Rio de Janeiro
depois que concluiu em Minas.

Notável engenheiro civil
que à sua terra voltou;
conquistou nossa autonomia,
belo legado nos deixou.

Tinha amor por sua terra,
foi intendente ético;
estudou o filho Lauro
e nos deu o primeiro médico.

Urandi lhe pede desculpas
por tamanha ingratidão;
nunca homenageou você,
por lutar pela emancipação.

⁠URANDI - TERRA DO IMPOSSÍVEL

Tudo é possível...
Na terra do Impossível
É possível o Impossível,
Porque o Impossível é possível,
Pois é possível o Impossível!

Nada é impossível...
Como pode o impossível ser possível?
É possível porque existe o Impossível!
Ainda é possível ver o Impossível,
Porque não é impossível o Impossível!


HINO A URANDI

Somos gratos à sua índole, Criador,
Por terra fértil e com um céu anil,
Rios e cascatas de um excelso alvor
Ornados com belezas do Brasil!

Conquistada a terra do gentio,
A bravura lusa num mundo novo
E o labor afro no tempo hostil
Ergueram a grandeza deste povo.

Rincão baiano, oásis do meu Sertão,
Aflora água doce dos mananciais.
Rico em minérios, gado e irrigação;
Aerado pelas brisas das Gerais.
Amamos a ti
Urandi,
Amamos a ti!
Nosso cunho
É o pássaro
Gurandi.
No encontro dos rios nasceste Urandi,
Urbe pujante em vales verdejantes,
Nome vindo do tupi-guarani;
É genitora de filhos brilhantes.

A liberdade não era um sonho novo,
E a força ufana de um sábio intendente
Pra o triunfo soberano deste povo,
Propércio és Duas Barras independente.

Terra Mãe, devemos enobrecer;
Como bons filhos, não falta por quê.
E sendo urandienses até morrer,
Nós dedicamos este poema a você.

⁠BEM-VINDO A URANDI

Urandi é o anfitrião
De quem vem à Bahia.
Recebe os visitantes
Desejando boa estadia.

A ponte do rio Verde
É o portal da alegria.
Bem-vindo a Urandi,
Ao Nordeste e à Bahia.

Nessa terra acolhedora,
De água doce que sacia,
Tem paisagem que encanta
Urandiense e quem aprecia.

Quando parte do Nordeste
Ou mesmo da Bahia,
A despedida é em Urandi:
Obrigado e volte outro dia.

⁠OÁSIS DO SERTÃO

Urandi, oásis do Sertão,
Bem na divisa com Minas;
Tem indústria e irrigação
Com suas águas cristalinas.
Teve a primeira prefeita
E minério nas colinas.

⁠LAMENTO

Oh, Urandi, minha terra querida;
tão benevolente, mas ressentida;
tão acolhedora, mas agredida;
és uma sobrevivente enaltecida.

Esse Oásis do Sertão, já teve dia feliz!
com seus lagos e rios, inclusive o Raiz.
nada sobrou, nem mesmo a igreja matriz.
e as nossas nascentes estão por um triz.

Urandi era nosso orgulho, nos seus tempos de glória;
mas depredaram até o jardim, guardado na memória;
demoliram os patrimônios, que fizeram nossa história;
porque tem quem pensa, que o novo é que a faz notória.

Urandi sobreviveu da colônia até o momento.
quem viveu por aqui, é grato pelo acolhimento.
devemos tratá-lo melhor, porque tem sentimento
e no seu aniversário de 100 anos, não sei se digo:
meus parabéns ou meus sentimentos.