Coleção pessoal de SabrinaNiehues
Se eu pudesse contar as lágrimas que chorei na véspera e na manhã, somaria mais que todas as vertidas desde Adão e Eva. Ha nisso alguma exageração; Mas é bom ser enfático, uma ou outra vez.
Todas as palavras recolheram-se ao coração, murmurando: Eis aqui um que não fará grande carreira no mundo. As emoções o dominam.
Como eu quisesse falar para disfarçar o meu estado, chamei algumas palavras cá de dentro, mas elas encheram minha boca sem poder sair nenhuma.
… é a mesma por quem me apaixonei ontem e a mesma que vou amar amanhã. Amo esse seu jeito frágil e ao mesmo tempo durão, resguardado e ao mesmo tempo despojado.
As pessoas que, desgostosas e decepcionadas, não querem ouvir falar em política, recusam-se a participar de atividades sociais que possam ter finalidade ou cunho políticos, afastam-se de tudo quanto lembre atividades políticas, mesmo tais pessoas, com seu isolamento e sua recusa, estão fazendo política, pois estão deixando que as coisas fiquem como estão e, portanto, que a política existente continue tal qual é. A apatia social é, pois, uma forma passiva de fazer política.
Há poucos dias atrás eu briguei com uma amiga que amo muito. Não há coisa pior no mundo do que isso. Do que ver um amigo se tornar um estranho. E hoje eu fui à padaria, e ela estava lá. Me viu entrar, mas fingiu não ver. Me viu sair, e de novo fingiu não me ver. E ela foi para um lado, e eu para o outro, e eu confesso que hesitei em correr atrás dela e pedir desculpas por ter tido ciúmes dela, e pedir desculpas por ter sido relaxada e não ter ido à sua casa visitá-la quando eu dei minha palavra dizendo que ia. Eu me sinto tão culpada. E eu chorei tanto aquele dia. E eu ainda me sinto culpada. Eu senti e ainda sinto muita dor. E eu penso em ir pedir desculpas, em dizer que a amo... Mas eu sei que nada disso será aceito e nada disso mudará muita coisa. Eu não sei o que fazer. Só sei que a amo muito, do meu jeito egoísta e errado, mas eu amo.
O meu amor tinha os olhos de ressaca, como os de Capitu. Mas os olhos dele eram do tipo que puxavam para dentro e não deixava mais sair. Eu me afogava dentro daqueles olhos.
A verdade é que o romântico nunca aprende. Ele pode se dar mal quantas vezes for, mas ele sempre vai ter, lá no fundo, uma pequena esperança de tudo dar certo.
Esperança? Fé? Isso é tudo uma merda! Pra que ter isso? Para se iludir? É, porque das vezes em que tive fé e esperança eu só me ferrei. Esperei algo bom e no fim foi ainda pior.
Um conto de Ivanor
Eu e ele estávamos no quarto dele. Ele me encarava e eu retribuía o olhar. Ao nosso lado havia um espelho, que ia da cabeça aos pés. Após uns segundos, virei-me para o espelho e fiquei encarando-o através do espelho. Ele, então, fez o mesmo. Agora nós nos encarávamos, mas dessa vez era através do espelho. Então eu disse:
- Eu e você temos o cabelo praticamente da mesma cor, e os olhos também.
Ele me olhou, ainda através do espelho, com um olhar inquisitivo. Então virei-me novamente para ele, e ele para mim, e disse:
- Se nós tivéssemos um filho, ele seria lindo como nós!
Ele sorriu, deu um passo até mim e me beijou.
Se você reparar, verá que a maioria das pessoas boas se dão mal na vida. Sabe por quê? Porque o mundo é cheio de gente ruim e essas pessoas ruins fazem mal às pessoas boas. E as pessoas boas amam, fazem o bem e o que ganham em troca? O desamor, o mal e uma vida infernal. E qual o sentido de tudo isso? Eu não vejo nenhum!
