Coleção pessoal de rosicler_ceschin_2
Bagagem da alma
Nesta estrada que a gente caminha
O que as mãos seguram o tempo desfaz,
Partimos um dia na hora marcada
Deixando o cansaço e buscando a paz
A gente percebe no último instante
Que a vida é um sopro um breve portal
Desta vida nada se leva nada…
Só deixamos a saudade no peito de alguém de mãos vazias seguimos o plano
O que levamos é o que somos por dentro
A alma preparada pro eterno momento
Ficam os risos e os laços de amigos O rastro de afeto que a gente plantou
O abraço guardado os velhos abrigos
E toda semente que o amor cultivou
Pois o que vale não é o que se guarda
Mas como a alma se transformou aqui
A névoa desce,
abraça o asfalto frio,
Onde a visão se rende
ao infinito que não se vê
Estrada molhada,
pista que se esvai,
Onde o verde ao lado,
em bruma se retrai
Lá na frente,
luzes tímidas a surgir,
Guiando o passo
que insiste em prosseguir
Não importa o destino,
nem o que se perdeu,
Só a jornada
que a neblina te deu
Um convite ao silêncio,
ao caminhar calmo e lento,
Onde a pressa não existe,
só o presente momento
Entre o céu e o chão,
um véu a cobrir,
Seguindo em frente,
sem saber o que virá a seguir
A Essência Alada da Vida
A vida é como um pássaro, voa pra qualquer lugar, sem amarras...
Com sua natureza cautelosa diante do incerto, é arisca em certas situações, sendo assim, alça vôo quando quiser...
Bate as asas em liberdade inerente da vida
É na liberdade das suas asas que ela encontra a força e o impulso necessário
Sente o sopro do vento que lhe dá impulso e aterrisa plenamente, onde o solo lhe oferece refúgio e segurança
As cerejeiras
Em efêmera beleza nos encanta,
Sua florada, em leve expansão,
Delicada e suave, um véu rosado,
Pinta o ar, tão breve e singular
Um espetáculo, dom abençoado,
Que a cada ano vem nos renovar
O Voo da Borboleta
Ela é borboleta, essa mulher que emerge,
Transformada, criando asas para o voo que urge.
Voa onde a coragem um dia lhe faltou,
Planando nos sonhos que o desejo calou.
Porém, um tempo houve, de temor e esconderijo,
Nos instantes mais íntimos, sem um alívio.
Presa em si, sem rasgar o casulo que a prendia,
Perdeu o balé da vida que tanto queria.
O tempo, mestre, a fez amadurecer,
O deslumbre, o desgaste de não mais querer.
Mas a paixão, a força de um amor a chamou,
E, enfim, a fez voar.
Hoje, na leveza que os pássaros exibem,
Nas asas de borboleta, ela flutua,
Onde e como quer, livremente vive.
Em sutis tons, ou sem cor, a vida se perpetua,
Ela faz de seus momentos o que há de melhor,
Em um voo sem fim, no seu próprio primor.
