Coleção pessoal de rosangelazaidan

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O que abrigares em teu coração será verdade e converter- te- ás no que mais admira.

O que a lagarta chama de fim do mundo, o homem chama de borboleta.

Valorize os seus limites e por certo não se livrará mais deles.

Não dê as costas a possíveis futuros antes de ter certeza de que não tem nada a aprender com eles.

Eis um teste para saber se você terminou sua missão na Terra: se você está vivo, não terminou.

Pois minha imaginação não tem estrada. E eu não gosto mesmo da estrada. Gosto do desvio e do desver.

No osso da fala dos loucos há lírios.

Meu fado é de não entender quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.

Tem mais presença em mim, o que me falta.

Guarda num velho baú seus instrumentos de trabalho
1 abridor de amanhecer
1 prego que farfalha
1 encolhedor de rios
1 esticador de horizontes

O rio que fazia uma volta
atrás da nossa casa
era a imagem de um vidro mole...

Passou um homem e disse:
Essa volta que o rio faz...
se chama enseada...

Não era mais a imagem de uma cobra de vidro
que fazia uma volta atrás da casa.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem.

A inércia é o meu ato principal.

Melhor jeito que achei para me conhecer foi fazendo o contrário.

Difícil fotografar o silêncio.
Entretanto tentei. Eu conto:
Madrugada, a minha aldeia estava morta. Não se via ou ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas. Eu estava saindo de uma festa,.
Eram quase quatro da manhã. Ia o silêncio pela rua carregando um bêbado. Preparei minha máquina.
O silêncio era um carregador?
Estava carregando o bêbado.
Fotografei esse carregador.
Tive outras visões naquela madrugada. Preparei minha máquina de novo. Tinha um perfume de jasmim no beiral do sobrado. Fotografei o perfume. Vi uma lesma pregada na existência mais do que na pedra.
Fotografei a existência dela.
Vi ainda um azul-perdão no olho de um mendigo. Fotografei o perdão. Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa. Fotografei o sobre.
Foi difícil fotografar o sobre. Por fim eu enxerguei a nuvem de calça.
Representou pra mim que ela andava na aldeia de braços com maiakoviski – seu criador. Fotografei a nuvem de calça e o poeta. Ninguém outro poeta no mundo faria uma roupa
Mais justa para cobrir sua noiva.
A foto saiu legal.

Poesia é a loucura das palavras.

Poesia não é para compreender, mas para incorporar. Entender é parede: procure ser árvore.

Sol, s.m.
Quem tira a roupa da manhã e acende o mar.

Sou fuga para flauta de pedra doce.
A poesia me desbrava.
Com águas me alinhavo

A tarefa mais lídima da poesia é a
de equivocar o sentido das palavras

Ninguém é pai de um poema sem morrer.