Coleção pessoal de RosangelaCalza

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Morte,
por que ainda não chegaste?
onde paraste?
por que a mim ainda não te revelaste?

Velas, que eu sei, as vidas por aí...
e quando não as queres mais delas te desfas.
Suplico-te, ó Morte, aproxima-te de mim, não te afastes...
por perto, bem perto, eu sei, tu já passaste,
por que minha vida não ceifaste?

Você já pensou que tudo começa com morte?
Você nasce e começa a morrer - no exato momento em que nasce.
Cada dia que se vive, não é mais vida... é morte
ao anoitecer se está a morrer,
é menos um dia,
cada fim de dia é morte.

Você já pensou que na realidade não está vivendo... está sim morrendo...
tic-tac, tic-tac, tic-tac...
[e o relógio batendo,
avisando: você está morrendo, você está morrendo, você está morrendo.
Acostume-se então - cada dia que acaba é um dia a menos
No palco da vida, é uma cena vivida
mais um corte da sua vida...
mas sempre tem um amanhã... mais um dia
um dia de morte se você tiver sorte.

Há pessoas que nos tratam bem,
pessoas que nos fazem bem,
são pessoas do bem,
pessoas que sempre agem como convêm.

São pessoas respeitáveis, amáveis, admiráveis...
vão passando pela nossa vida - mas não passam -,
merecem ser chamadas pessoas como ninguém.

Há outras que nem deveriam passar por perto,
mas ficam tão perto,
sugam, sugam, sugam...e não passam...
transformam tudo em deserto...
essas sim são ninguém.

O que é uma onda no mar?
O que é um sopro de ar?
O que é um grão de areia?
O que é um pássaro a voar?

Diante da imensidão do mar...
Diante de todo o ar...
Diante de toda a areia do mar
Diante de todos os pássaros que há?

O que é um? O que é uma?

Nada...

O que é uma palavra de amor?
O que é um abraço?
O que é um beijo?
O que é uma noite em seus braços?

Nada...
Mas foi tudo o que até agora consegui.
quero mais.... o que é que faço?

Morte, sua ingrata,
tira-me de cena sem avisar,
na hora em que o telefone toca,
antes de a festa acabar.

Morte, chega sorrateira,
abre a porta e sem pedir permissão
faz parar de bater meu coração,
e acaba com uma vida inteira.

Morte,
ficam contas por pagar,
livro por terminar,
tantos trabalhos por fazer,
sonhos por realizar.

Morte,
deixa olhos cheios de lágrimas,
no peito, tristeza, luto e dor...
na boca, gosto de fel...
vidas vazias que têm de continuar]sem a vida de quem
você acabou de levar.

Do que o amor é feito?
De encontros, desencontros,
de encantos, desencantos...
de alegrias e pranto.

Do que o amor é feito?
De chegadas, partidas
começo e fim...

Do que o amor é feito?
De almas unidas,
de vidas compartidas
iludas, desiludidas, par-ti-das.

Despedidas...
E é desfeito o amor assim, bem assim.

Hoje decidi:
vou deixar de te amar.
Pensei em jogar meu sentimento pela janela,
entregá-lo ao vento,
afundá-lo nas águas do mar...
Pensei até
no coração
fazer um corte radical
dar um golpe mortal.


Mas não é assim que se muda um hábito
não é assim que se mata um amor.
É preciso ir passo a passo,
descer degrau por degrau,
partir devagarinho,
cortar pedacinho por pedacinho,
acordar, dormir,
dormir, acordar
chorar de mansinho
chorar até não ter mais lágrimas pra derramar...

Aí você deixa de amar.

Não preciso de você
nem hoje... nem nunca
não preciso de seu amor,
nem de seu carinho, nem de seu beijo...
eu me viro sozinho, sei lidar muito bem com minha dor.

Amor... quem precisa
se há solidão como companhia?
Perco o sono sozinho,
saio por aí procurando
até já sei de cor o caminho.

Então não preciso de você.

Mas, caso você por aí me encontrar,
pode me abraçar?

Preciso de você
hoje...
Preciso de você com qualquer humor
com qualquer alegria
com qualquer ânimo
preciso de você não porque preciso
mas porque gosto de você
preciso de você não porque não posso ficar sozinho
mas porque é bom você ao meu lado
preciso de você não porque estou infeliz
mas porque preciso dizer que te amo, te amo, te amo...
e sei que assim é você quem vai ficar feliz.

Preciso de você.

Viva bem-humorado, cultive o bom-humor
e o mundo pode ser melhorado.

Olhe pras coisas e espere o melhor
mesmo que só veja o pior.

Tenho senso de humor com o que for...
o humor modifica minha vida
a vida não modifica meu humor.

Morte, há quem te suporte?
Morte, quem é tão forte?
Morte, em cena...
no palco da vida encena...
um corte!
Morte, o fim
pra você, pra mim.

Morte, o dia que chegar chegou...
Morte, só tens a vida pra me tirar
morte, não que importe
só perco a vida quando você chegar...

Morte, começaste com a minha vida...entrada
e dás fim a minha vida... saída,
Morte, me deixas sem saída
Morte, junto com a minha vida começaste
e minha vida me tiraste.

Na boca, só gosto amargo da morte.

Morte, nem tente!
Não sou de desistir tão facilmente,
sou demente... (in)felizmente...

Morte, nem tente!
Nem pense em chegar inesperadamente...
inescrupolosamente, nem tente...

Morte, sou da vida... pra sempre.
Sou da vida... pra toda vida,
Na vida, uma certeza:
Morte, um salto no escuro...
vida, pena de morte!

Recicle sua vida...

Faça uma limpeza na sua casa,
renove o ar.
Jogue fora papéis velhos,
passe adiante roupas que não servem mais pra você...
alguém pode aproveitar.

Faça uma limpeza no seu carro
(aposto que você nem imaginou que eu ia falar de seu carro, claro),
recupere o que for possível,
o que não for... melhor no lixo jogar.

Reaproveite o (re)aproveitável,
rejeite o rejeitável.

Esvazie seu coração das mágoas dos dias passados,
deixe no passado o passado,
viva o presente,
viva contente com o novo,
e...depois...
faça tudo de novo.

Natureza...(des)humana

Hoje fiquei observando o vaivém de uma família de formigas.
No piso branquinho da minha sacada, elas pretinhas contrastavam... se destacavam.

Indiferentes ao barulho dos carros que passavam, elas silenciosamente transitavam
de lá pra cá... da cá pra lá... com minha presença nem se importavam.
Em linha quase reta... do seu objetivo não se desviavam.

Coloquei uma pedrinha no caminho pelo qual passavam
(só pra ver o que aconteceria)
e elas simplesmente desviaram, contornaram e continuaram
nem se importaram...com o obstáculo... comigo... com a minha grosseria.

Não vi nenhuma revolta,
elas simplesmente deram a volta...

Não vi nenhuma lágrima de dor,
Nenhuma se sentiu ultrajada, magoada...
Só eu fiquei aí com cara de boba...desconcertada
e a refletir: pra que com maldade agir?

Preciso de um amigo que me faça acreditar que eu consigo,
um amigo que ande comigo,
que haja como se fosse eu o melhor amigo.

Preciso de um amigo que me entenda só de olhar o meu olhar, de me olhar,
que me mostre quando é hora de lutar,
que me diga: você deve continuar,
que sinalize quando é hora de parar, descansar e confiar.

Preciso de um amigo que me diga que meu sonho mais louco é pouco,
que não se realizou por pouco,
ou que se realizará daqui a pouco...

A noite, fria, aguarda-me, espera-me...
conforta-me...
em sua escuridão reflete meu tormento.

Meu pensamento, triste, sombrio, um pouco de luz procura.

A noite, escura, se faz mais escura
por um momento...
envolve-me, dissolve-me...ameniza meu sofrimento,
diminui meu tormento.

A noite, sombria,
lúgubre, triste, cada vez mais triste...
se faz mais noite a cada dia.

A noite... em sua escuridão absoluta...
resoluta me diz: chego na frente, chego primeiro...
abro caminho, abro espaço
e te recebo, e te abraço...
e te conforto nos meus braços.

Numa multidão de olhares anônimos o seu
fascinante... estonteante.

Assim é o seu olhar profundo
Nele, reflete o meu mundo.

Assim é o seu olhar
tem o brilho ofuscante
que vale a pena no olhar fixar
tem algo de diferente
finge ser indiferente quando cruza com o meu olhar.
e me fala de coisas difíceis de não acreditar.

Assim é o seu olhar...
difícil nele não acreditar

Tenho fascinação pela fidelidade,
pela solidez... pela certeza
de que posso confiar em seu pensamento mais profundo.

Tenho fascinação pelo prazo indeterminado,
pelo compromisso...
pelo tempo sem fim... pelo ir até o fim do mundo.

Por outro lado...

É apavorante a perspectiva
da liquidez... da incerteza,
de desconfiança...
do prazo determinado
para estar ao seu lado.

É apavorante você se afastando de mim...
a ideia do fim...
é apavorante você no mundo sem mim!

Desde o começo eles sabiam que era amor...
mas nunca falaram sobre isso.

Covardia?

Sorriam, os olhares...
os encontros... os desencontros,
mas nunca falaram sobre isso...

Quem sabe um dia...

Chegaram... um marcou a vida do outro,
marca indelével,
mas nunca falaram sobre isso.

Ainda não foram embora...
quem sabe um dia...
um dos dois vença a covardia...