Coleção pessoal de RobertoMax

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É raro o mal de que não venha a nascer algum bem, nem bem que não porduza algum mal.

A falta de religião e de bons costumes faz cair o homem no estado total de perversidade.

A vaidade das letras é maior que a vaidade das armas.

Não há maior injúria que o desprezo; e é porque o desprezo todo se dirige e ofende a vaidade.

Os sábios da terra não são os mais próprios para o governo dela.

São raros os que nas letras buscam a ciência; o que buscam é utilidade e aplauso.

A nobreza foi a maior máquina que a vaidade dos homens inventou.

Contra o nosso parecer nunca achamos dúvida bastante, contra o dos outros sim. A vaidade é engenhosa em glorificar tudo que vem de nós, e em reprovar tudo que vem dos outros.

O valor não é igual em toda parte; porque a vaidade não é em toda parte a mesma.

É mais fácil sustentar uma opinião má do que escolher uma boa.

Às vezes a origem do bem produz o mal, no mesmo lugar em que nasce a vida se cria a morte; as coisas que são contrárias no fim, às vezes são as mesmas no princípio.

As regras não governam aos homens, estes é que governam as regras.

Poucas vezes se expõe a honra por amor da vida e quase sempre se sacrifica a vida por amor da honra.

Quem deseja vingar-se ainda ama, e quem se mostra ofendido ainda quer.

O engano vestido de eloquência e arte atrai e a verdade mal polida nunca persuade. Fazemos vaidade de errar com sutileza e temos pejo de acertar rusticamente.

As ciências humanas que aprendemos comumente são aquelas que importava pouco que soubéssemos, devíamos aprender-nos a nós, isto é, a conhecer-nos; de que serve o saber, ou o pretender saber, como o mundo se governa, ao mesmo tempo que ignoramos o como nos devemos governar? Para tudo fomos sábios só para nós somos ignorantes.

Tudo quanto vejo é com olhos desenganados. Talvez por isso vejo as coisas como são e não como se mostram. Porque o desengano tem virtude e força para arrancar da formosura o véu cadente e mentiroso de que o teatro da vida se compõe.

O mais corrosivo de todos os ácidos é o silêncio.

As grandes coisas são muitas vezes mais fáceis do que aquilo que se pensa.

A política tem a sua fonte na perversidade e não na grandeza do espírito humano.