Coleção pessoal de rivaldo_vaz
Para Aqueles
Hoje não escrevo para vós,
mas escrevo para aqueles
que, como vós, nunca foram.
Para aqueles que, circunstancialmente,
dormiram profundamente.
Para aqueles que já não podemos abraçar,
para aqueles cujos corações já não batem,
que sozinhos seguiram
e tristes nos deixaram.
Escrevo para aqueles
que pelo amor partiram.
Junto dos templários seguiram.
Mundo vadio,
quantos de nós serão suficientes?
Quantos de nós terás que trincar?
Para aqueles que sempre acreditaram,
mas nunca encontraram.
Para aqueles que,
em direção ao sol, subiram.
Ó mar,
quantos de nós terás que abraçar?
Saudades daqueles
que pelas guerras perdemos.
Descanso para aqueles
que a fome comeu.
Justiça para aqueles
que pelo bem partiram.
Oremos por aqueles
que, perdidos, tiveram que partir.
Saudemos aqueles
que se juntaram às borboletas.
Todos seguimos,
e muitos seguirão.
A melhor forma de seguir
é viver por inteiro.
Ame-se.
Cuide-se.
Seja feliz.
Porque, por vós,
seguimos.
Rivaldo Vaz
Uma Verdade Diferente
Quando se é poeta, aprende-se a perscrutar além do que apenas pode ser sentido. Aprende-se a sentir-se, a sentir a natureza e tudo o mais.
Quando romantizei a realidade e a crucifiquei, chamaram-me poeta — e eu, que nem sequer o sou.
Até a verdade precisa de ser suavizada, moldada. Riram quando confundi o sol com a lua; mas, se lhes perguntasse pelo sol, mostrar-me-iam a lua.
Esta é a verdade que muitos definem e poucos abraçam.
Nem toda a beleza se revela por inteiro. De ambos os lados, não há verdade.
E eu, que uso a metáfora — olhos para sentir, coração para ver — não fui compreendido. A minha verdade é diferente.
Cada coisa representa uma forma. E, havendo tantas formas, já não sei: se uma falta, ou se outra nunca foi verdade.
Esta é a realidade —
uma verdade diferente.
