Coleção pessoal de Rita1602
Compreender o outro
Entender o outro é difícil, principalmente quando não compreendemos o que ele está passando ou de que realmente precisa. Para entender sua dor, seria necessário senti-la na própria pele. Sentir aquilo que, muitas vezes, nem sequer conseguimos imaginar. Precisaríamos ser gênios ou ter uma bola de cristal nas mãos para tentar adivinhar o que se passa dentro de alguém. É assim que o sofrimento humano se apresenta diante de nós: uma incógnita.
Para sermos aquilo que a vida espera de nós, precisamos olhar ao redor e perceber os sinais. Enxergar o que realmente está acontecendo, para além daquilo que os olhos alcançam. A vida vibra, conecta e revela caminhos, mas permanecemos, muitas vezes, alheios a tudo isso. E essa desconexão tem nos deixado sem rumo, distantes do que realmente importa.
Quando despertarmos para a vida e aprendermos a compreender seus sinais, as coisas começarão a encontrar seu devido lugar. Seremos acolhidos pelos braços do Universo e compreenderemos que existe uma força maior nos conduzindo. Esse acolhimento nos fortalecerá, trazendo serenidade para enfrentar os desafios e sabedoria para compreender a nós mesmos e aqueles que caminham ao nosso lado.
Porque despertar para a vida é também aprender a olhar para o outro com mais sensibilidade, mesmo quando não conseguimos compreender inteiramente a sua dor. Afinal, nem sempre precisamos sentir o que o outro sente para oferecer aquilo de que ele mais precisa: presença, acolhimento e compreensão.
Noite Primaveril
É noite.
O vento traz consigo o perfume
Da doce e encantadora primavera.
É tempo de buscas
E de lutas por entender —
Entender esta luta,
Estes momentos de encantamento.
Momentos que não entendemos,
Mas que sentimos profundamente.
Do Livro: Nas Asas da Poesia
Segredos
Perguntaram-me o que tenho guardado dentro de mim.
São tantas coisas que falar seria tirar de dentro do meu peito
Todos os meus segredos – e os segredos do mundo.
E os segredos do mundo não devem ser revelados.
Mas descobertos.
E essa descoberta flui naturalmente.
Porém, o caminho é árduo,
Repleto de tropeços.
E a montanha? Íngreme!
Os passos? Longos e cansativos!
A vida mostra todos estes caminhos
E todos os segredos escondidos.
Enxergá-los?
Só se estivermos atentos.
A distância pode mudar o rumo dos nossos caminhos, mas jamais apagará a história e os momentos que carregamos dentro de nós.
A paz de espírito é o termômetro que nos revela quando estamos no lugar certo, com as pessoas certas.
Encontramos os verdadeiros amigos na medida em que enfrentamos as dificuldades que a vida coloca em nosso caminho.
Asas da Liberdade
Quero ser uma gaivota com plumagem prateada. Planar nesta imensidão, fazer acrobacias e abraçar o mundo com minhas asas. Ir ao encontro da liberdade que espera, ansiosa, por minha chegada.
Alçar o voo mais rasante e incrível que jamais alguém poderia imaginar. Bater as asas sem me importar com o cansaço. Gritar sabendo que alguém me ouviria – e que meu grito soaria como música aos ouvidos de quem me acompanha.
Pousar nas mais infinitas ilhas oceânicas. Dançar ao som do vento e deixar-me levar pela brisa.
Ter o privilégio de contemplar as mais belas paisagens, os desenhos maravilhosos traçados pelas mãos do Senhor do universo – e ainda assim duvidar que tamanha beleza pudesse ter sido projetada.
Voar, voar, voar, e jamais cansar de sobrevoar os mares, ilhas e planícies. Das alturas, veria embarcações deslizando pelos oceanos, seguindo sua rota enquanto o sol desponta assim que a madrugada se despede com um aceno afetuoso.
Ser observada sob olhares investigativos de quem gostaria de estar no meu lugar sobrevoando o céu infinitamente azul. Sentir as nuvens tão próximas quanto o meu próprio coração, que bate acelerado dentro do peito.
Elevar, elevar, declinar; sentir o brilho do farol iluminando a orla; respirar o cheiro da maresia; ouvir o mar batendo nas pedras; admirar o brilho da noite estrelada e a lua com sua magia.
E quando o dia findar, e o sol se pôr deixando o seu rastro dourado, o cenário do entardecer aclamará em coro os suspiros de todos os que o contemplam.
Continuarei voando, voando, voando, até que minhas asas não aguentem mais. Então, pousarei para meu eterno descanso nas ilhas do pacífico.
Rita Padoin
Do Livro "As Musas do Vale"
Escrevo para semear palavras. Se uma delas florescer no coração de alguém, minha missão terá sido cumprida.
