Coleção pessoal de ricardo_barradas_ricardo_v_barradas

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A atmosfera das Jóias de Crioula afasta-se do refinamento aristocrático europeu tradicional e se ancora em uma estética de forjaria, artesanato com metais e a profunda devoção cultural de origem. Algumas eram compostas de elementos do cotidiano da cultura mãe afro integrando a materiais orgânicos e naturais locais baianos, mineiros e pernambucanos. Tais como o coral baiano em varias tonalidades, a casca de coco, o jacarandá, o casco de tartaruga e marfim de origem animal selvagens presentes nas regiões. Divididas por mim em três fases. A Atmosfera de Opulência Senhorial, a Atmosfera de Axé e Sacralidade e por fim a Atmosfera de Conquista e Alforrias.

Nicolau Maquiavel, o justo e o patriota no serviço a seu rei. O termo maquiavélico é extremamente equivocado por tradução errônea pois ele foi fiel a seu tempo e a soberania do monarca em que serviu e viveu. Ele mesmo disse " que o traidor é o tradutor ", dito e feito, a tradução de seus pensamentos sem a devida ambientação no tempo e momento que foi dito, trai a verdade.

Por fé em uma Energia Universal que equilibra o mundo por ação e reação, com amor, generosidade e empatia por tudo que nos rodeia neste momento e dimensão em que vivemos, pelos caminhos percorridos, construímos e semeamos a nossa própria sorte sempre e a vida por conseqüência nos responderá e nos agraciará com carinhos.

Segundo meus estudos sobre as chamadas Jóias de Crioulas, o ecossistema dessas peças dividia-se em três ramos claros:
1 A opulência senhorial: Jóias dadas durante um evento por seus senhores para adornar as escravas domésticas como demonstração de poder sobre as negras que serviam a própria casa grande em trabalhos domésticos.2 Devocional: Jóias de axé ligadas às matrizes e lideranças das casas de santo do candomblé brasileiro.3 Conquista pessoal: Adornos produzidos para e por mulheres negras libertas e escravas de ganho, simbolizando ostentação da própria liberdade alcançada e demarcação de autonomia financeira, como também economias e penhores de jóias de pessoas escravizadas que buscavam comprar suas próprias cartas de alforria ou de entes queridos..

A atmosfera das jóias de crioula evoca um universo de resistência, sofisticação estética e emancipação, essas peças transcendiam o mero adorno. Elas funcionavam como instrumentos de subversão política, religiosa e econômica em plena sociedade escravocrata brasileira. A atmosfera e a identidade dessas jóias são estruturadas por dinâmicas fundamentais como uma Economia Clandestina de Liberdade como moeda de alforria: As peças compunham um sistema de entesouramento. Elas eram freqüentemente penhoradas ou vendidas para comprar a liberdade de parentes ou a própria alforria. Confeccionadas por ajudantes de ourives e ferramenteiros negros, misturavam ouro e prata com elementos naturais como o coral baiano, casca de coco e jacarandá.

Algumas centenárias irmandades católicas, como alguns antigos terreiros religiosos de matrizes africanas de negros libertos participaram de forma ativa para angariarem fundo para a compra de alforrias durante o período escravocrata brasileiro. Por que as rendas obtidas pelos escravos de ganho, eram muitas das vezes irrisórias por que a maior parte ficava com os senhores proprietários dos escravos. Existiam também fidalgos e senhoras que faziam doações em dinheiro, para a causa mas eram muito raro.

Meu mestre Zimba, o ator e diretor polonês Zbigniew Marian Ziembiński, trazia consigo uma vasta experiência teatral que acumulou desde os 12 anos de idade e com isto no Brasil por vanguarda na dramaturgia ele magistralmente implementou o novo processo de ensaio, introduziu a noção de diretor no teatro brasileiro, aquele que cria uma encenação, quase como um artista pintor da cena, substituindo a de ser um mero ensaiador, aquele que se preocupava apenas em distribuir os papéis, os textos e ordenar a movimentação em cena frente a quarta parede "a platéia". Zimba trabalhou muito com cenografia do expressivo artista brasileiro Tomás Santa Rosa e uma enorme quantidade de variações de luz e sombra, fala-se em mais de140 diferentes efeitos utilizados durante a encenação.

Eu e Caio Mourão, fomos parceiros e amigos íntimos, na troca de experiências no que tange técnicas de trabalho do metal e técnicas de lapidação. Nos encontrávamos quase que três vezes por semana em seu atelier em Ipanema. Com isto, em pouco tempo me tornei consultor e marchand de suas obras de pintura e esculturas realizadas em aço. Freqüentei durante anos seu refugio criativo em Iguaba, na região oceânica do Rio de Janeiro como também por diversas vezes encaminhei para restauração e mesmo negociei, a seu pedido obras de arte de se acervo particular. Com isto guardo grande ternura pela família, em especial a filha Paula Mourão, que deu continuidade ao Atelier Mourão em Ipanema, como centro de excelência na formação.

Quando o assunto é arte jóia assinada no Brasil, alguns aspectos se fazem necessário de esclarecer. Quase a totalidade dos materiais, ferramentas, assessórios e maquinas utilizadas na joalheria são importadas. Sim, existem poucas nacionais mas a qualidade, precisão e confiabilidade não se comparam. Da mesma forma, estende se para a literatura técnica que geralmente estão em inglês e alemão. A falta de publicações didáticas nacionais para o setor, é um grande problema. Digo isto por que generosamente elaborei um gráfico das mais usadas lapidações de gemas no mundo, por ser lapidário e pesquisador na década de 1970, que ate pouco tempo circulava como indicador didático nas diversas faculdades de mineralogia, geologia e gemologia pelo Brasil.

Grande parte da produção artística dos novos artistas plásticos joalheiros e do próprio precursor do conceito da arte jóia assinada no Brasil, se perdeu. Muito por que nunca existiu uma publicação e catalogação dos contrastes e marcas destes artista que na sua grande maioria usavam a prata, madeiras e gemas sem muita cristalização e materiais orgânicos petrificados. Sendo assim, com o advento do comercio irregular no Brasil, de metais preciosos advindos do "garimpo do asfalto" as jóias de prata, pelo metal e materiais em si, passaram a ter pouco valor e vergonhosamente eram acumuladas a centenas para levarem ao fogo. Muita vezes eu e Caio, comentávamos este triste destino, raro algumas exceções.

A arte jóia assinada, iniciada por Caio Mourão tinha em si, como fundamento a escola da escultura. Digo isto, por que Caio teve uma formação nas artes plásticas, tendo sendo aluno de Ado Bonadei, Antônio Bandeira e o grande expoente do modernismo Emiliano Di Cavalcanti. Com estes nomes em seu currículo artístico e a convivência com outros grandes nomes das belas artes brasileira e internacional, não podia ser mais um ourives. De certa forma revolucionou a chamada joalheria nova no Brasil, utilizando principalmente a prata por criação e assinatura em contra posição as antigas escolas de ourives que só trabalhavam com o ouro meritoriamente a peso sem contraste.

Iniciei me na gemologia bem cedo, por volta de 1970. Anos mais tarde, já conhecedor do oficio da lapidação de gemas de um modo geral iniciei uma grande amizade e parceria com o artista plástico joalheiro Caio Mourão, o verdadeiro percussor da arte jóia assinada no Brasil. A ourivesaria e a prataria é muito antiga no Brasil, desde os anos iniciais do período colonial, mas na verdade como advinham do oficio de oficiais ourives e prateiros, muito ligados ao clero, na sua grande maioria portugueses, trouxeram as técnicas e padrões utilizados na Europa. Talvez por conta disto, antes de Caio, a maioria dos joalheiros e ourives eram meros copistas pela imagem de obras de grandes e famosas grifes.

Orgulhosamente, foi praticamente lançado no programa de calouros, de Alexandre da Silva Barradas, na extinta Radio Nacional do RJ. Cauby Peixoto, Ângela Maria a sapoti, entre tantos outros grandes nomes da nossa MPB de outrora. Meu avo Acácio da Silva Barradas e minha tia Alcina da Silva Barradas, ele no bandolim e ela ao piano junto com os outros músicos, realizavam as apresentações em publico em cima de uma traseira de caminhão colocado na frente da Radio. Historias da cultura brasileira que o Brasil, esqueceu mas permanecem vivas na verdadeira historia artística e cultural da família Barradas, do RJ.

Entre minhas historias das noites cariocas, me lembro bem do saudoso amigo o grande cronner Jamelão, como gostava de ser chamado. Sempre ouvia ele a cantar nos fins de noite no antigo Café Nice, na Avenida Rio Branco no centro do RJ. Todo embecado de smoking no ápice da elegância masculina. Conhecido internacionalmente como black-tie que eu falava para ele que era alugado na Casa Rolas que ficava na Avenida Augusto Severo, mas ele sorria e negava, e ele me falava carinhosamente com ar de deboche, sai fora moleque.

Uma ordem filosófica teísta que vive para celebrar festas, distribuir medalhas, diplomas e realizar ágapes suntuosos e milionários. Se afasta de sua própria verdade, na realização da grande obra de um mundo melhor universal. Efetivando a fraternidade e a caridade por sabedoria entre os mais humildes e todos que precisam de um suporte mínimo, para melhor viver diante da cruel realidade terrena.

Nem todo o sacrifício é merecedor por vida de uma recompensa da mesma forma que devemos agir com honestidade e bondade mesmo se ninguém está por perto, nos olhando.

Entendendo um pouco as nomenclaturas dos cargos da Igreja Católica Apostólica Romana através dos tempos. Nos séculos XIX e XVIII era comum os Freis, os Frades e os Cônegos celebrarem missa e ate darem os sacramentos como a comunhão mas não eram padres de verdade, e sim práticos em uma região que a Igreja, não dispunha sacerdotes oficiais para dispor. Outro detalhe curioso é quanto aos Cardeais, que durante a idade media muitos civis sem nunca terem freqüentado as aulas de teologia, eram nomeados pelo papa por que tinham origem de famílias muito ricas e poderosas, e com isto atendia os interesses políticos da Igreja.

Eternas saudades, de meu e nosso inesquecível Profeta Gentileza, nas barcas e andando com um buque de flores pela Avenida Presidente Vargas, pelo centro do Rio. Sabedoria e simplicidade comparável em tese ao magnifico Bispo do Rosário eternizado pelo Museu do Inconsciente, da tão muito querida e simples Dra Nise da Silveira, na época que clinicava em Todos os Santos no RJ. Nas minhas saída cedo da Gama Filho, volta e meia visitava. Momentos mágicos que ainda povoam por felicidade de ter tido as oportunidades de conhece los, vivico sempre com eternas saudades em um lugar muito especial de minhas singulares grandes oportunidades e hoje memorias.

Traduzindo as verdadeiras origens, o quipá que o papa, os cardeais e os bispos usam e a alguns sacerdotes antigamente usavam, sempre foi católico romano por mais que alguns judeus digam que faz parte da tradição israelita, mas não é verdade. Os judeus da Europa, diante de tantas perseguições religiosas no passado, passaram a usar indicando submissão e a proteção da Igreja Católica Apostólica Romana, diante de tantos anos usando transformou em um habito de segurança contra as perseguições religiosas. Não existe quipá ou kippah e nem yarmulke ou o solidéu judaico passou a ser usado a partir do século XVIII, logo não existe nas tradições antigas. No islamismo também existe o uso mas sem algum mandamento corânico para o seu uso.

Dia 24 e 25 de Maio, Dia de Santa Sara Kali, Salve Santa Sarah Kali, padroeira da nação Rom espalhada pelo mundo. Que por sua generosa graça, interceda e ajude nos ao maior reconhecimento, de nossa cultura ancestral e nosso dialeto, nosso direito de existência e respeito universal por resistência e fé e que o mundo e a ONU, procedam em tempo a devolução de nossa terra original, para união de todos os clãs em convivência pacifica a caminho da prosperidade de nosso povo, na liberdade para nossas próximas gerações, dentro do foi a nos a tanto tempo prometida.