Coleção pessoal de Raimundo1973

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Onde você estava, mulher, vem me oferecendo um amor irregular
quando meu coração ainda pulsava alegria,
quando havia sol nas manhãs e sede de futuro?
Agora vem me ofertar um amor
enfurecido e envelhecido —
aquele que outros já rejeitaram,
como se eu fosse abrigo para restos de paixão?
Não sou museu, nem curva esquecida no fim da estrada;
não sou vitrine de memórias quebradas,
nem depósito de sentimentos em ruínas.
Não me trate como ferro-velho de afetos.
Não faça isso, baby.
Não há espaço em mim
para abrigar o que foi descartado,
o que chega tarde,
carregado de ferrugem e arrependimento.
Acredite:
nem mesmo em túmulo vazio
há lugar para um amor
que não soube chegar quando era tempo,
que não soube florescer quando havia primavera.
O que vem agora,
vem como sombra,
como eco de um grito que já não me alcança.

Meu amor,
há algo que você precisa sentir,
não apenas entender com palavras:
o quanto gosto de você transcende o simples gostar.
É afeto que pulsa, que cresce, que me transforma.
Hoje, você é o centro do meu universo,
a razão por trás dos meus sorrisos mais sinceros,
o abraço que acalma, o olhar que me dá paz.
Nada em minha vida tem mais valor do que você.
Vamos viver esse amor com leveza,
sem pressa, sem medo, sem amarras.
Que cada dia seja um convite à ternura,
e cada gesto, uma celebração da nossa conexão.
Vamos fazer da felicidade o nosso lar,
um lugar onde o amor é sempre bem-vindo,
onde o riso ecoa pelas paredes,
e o tempo se curva diante da beleza de estarmos juntos.

A única certeza é que ninguém sabe de nada; no fim o que sabemos, a única certeza é que não existe certeza alguma.

Prefiro a solidão, onde posso encarar meus próprios pecados, mergulhar nos conflitos que me habitam e decifrar os dilemas que se entrelaçam aos meus tormentos,
a me submeter à lógica de um mundo rígido, que se agarra à superfície da própria imagem,
fingindo perfeição enquanto foge da verdade crua e bela da condição humana,
renegando suas raízes, sua fragilidade, sua origem comum e imperfeita.
Pois há mais liberdade na dor assumida do que na mentira confortável,
e mais dignidade em ser inteiro na solitude do que fragmentado na conveniência social.

Diz-me em que crês, para que eu desvende tua essência,
és chama que arde com propósito,
ou apenas brisa que passa, sem deixar rastro?
És nobre de espírito, que se ergue mesmo na tormenta,
ou mero espectador, que murmura nas sombras
para não ser tocado pelo olhar da luz.
Caminharás adiante, hesitante,
oculto sob véus de silêncio e dúvida,
na sombra que se desfaz,
como folhas mortas em decomposição.
Teus passos ecoarão no vazio,
ou romperão o véu da noite com a tristeza.

Jamais desejaria que você enfrentasse a escolha que um dia recaiu sobre mim.
Não espero que compreenda os caminhos tortuosos que me levaram até ela, nem carrego a pretensão de pedir seu perdão.
Algumas decisões, por mais inevitáveis que pareçam, têm o poder de despedaçar o que antes era belo — como um quadro rasgado por dentro, deixando apenas o silêncio como testemunha e cicatrizes como lembrança.
E mesmo que o tempo tente costurar os retalhos, há marcas que permanecem, não por rancor, mas por memória.

Desperto das profundezas da minha alma, onde por tanto tempo repousaram sentimentos silenciados — sufocados pelo peso do arrependimento e pela ausência de compreensão. São emoções que, até hoje, permanecem invisíveis aos olhos daqueles que jamais tocaram a felicidade intensa e verdadeira que um dia me habitou. Essa felicidade, tão vívida em mim, tornou-se um segredo mal interpretado, uma memória que pulsa em silêncio, esperando ser reconhecida..

Não me ligue de madrugada, por favor.
Deixe que o silêncio da noite embale meu sono tranquilo,
e que eu continue sonhando contigo,
com teu sorriso sereno, com teu abraço que me acolhe mesmo à distância.
O som do telefone, estridente e impiedoso,
vai romper esse instante mágico —
vai me arrancar dos teus braços imaginários,
vai dispersar as imagens doces que dançam na minha mente adormecida.
Estou em sonhos felizes ao teu lado,
num lugar onde só nós dois existimos,
onde o tempo não corre e o mundo lá fora não importa.
Se eu acordar, nosso momento de sonho vai se desfazer,
como névoa ao sol da manhã,
e tudo o que restará será a saudade do que quase foi real.

Há um amor despedaçado, calado, impossibilitado.
Caído, lastimável, jogado ao caos, amaldiçoado.
Mesmo antes de nascer, já estava condenado.
Mas ele requer mudança — uma nova busca,
possibilidades para receber outro começo.
Escrever outra história, frente a frente, haverá.
Então os fatos serão contados,
a dor será curada, sim.
A trajetória, reescrita em um novo livro,
para que as mãos possam palpar outras mãos,
os abraços abraçarem abraços entrelaçados,
olhares olharem olhares num mesmo olhar,
a boca beijar beijos no reencontro do beijo.
Quebra-se a maldição caótica na fusão de dois,
de dois corpos num tempero de temperatura.
O ambiente reluz em furiosa ambição,
ao reencontro mágico do amor, amor, amor.

Estou só, aguardando você chegar.
A saudade me assola — vivo num mundo vazio, longe de você.
A lembrança me conforta enquanto pensamentos eufóricos matutam tua ausência.
Vem para mim, não me deixe aqui...
É um desdém viver longe dos teus carinhos..

Desculpa por te ligar,
eu não aguentava mais.
Precisava ouvir tua voz —
um simples “olá” já bastaria.
Se ele estiver aí do teu lado,
inventa qualquer desculpa,
mas fala comigo do teu jeito,
que eu vou entender.
Tua voz acalma minha angústia,
dissolve minha solidão.
Você desmontou meu mundo,
que antes parecia tão forte.
Agora estou em tuas mãos,
jóia rara da minha vida.
Por tantas vezes clamei teu nome:
minha senhora, meu tormento.
Fala comigo
briga, xinga,
faz qualquer coisa
só não me deixa te implorar em agonia.
Somos culpados,
ontem foi tão bom.
Eu não consigo esquecer aquele momento.
Você fez amor como Afrodite,
e até agora parece que revivo
aquele ato de amor proibido.
Diz pra mim, vai marcar outro encontro,
Quero viver tudo de novo,
esse amor extraordinário contigo, senhora amor de mim..

Se um dia você cair, não lamente a queda. Antes agradeça você vai reabilitar e seguir adiante.

Quando a vida te fizer cair, não chores o tombo — agradece aos céus por ainda ter pés firmes para recomeçar o caminho..

Não me julgue pela distância — quando o amor é verdadeiro, ele permanece presente mesmo estando longe...

A alma segue sem corpo, distante do espírito,
para que a morte não alcance o corpo cansado,
em lenta decomposição.Um corpo sem vida perambula
nas fronteiras do vazio,
ouvindo apenas a voz muda do silêncio.Por misericórdia — ou compaixão —
a alma abraça o corpo inerte,
fugindo dos olhos da morte.O espírito observa, impassível,
a luta da alma pelo corpo sem vida.No fim, a alma não deseja a morte do corpo,
pois compreende:
sem a alma, o corpo não morre —
apenas permanece esquecido,
à margem da eternidade...

Fiz tantas promessas que as pessoas pararam de perguntar qual valor define o caráter moral de um compromisso. Quando finalmente refleti sobre essa pergunta, percebi que não tenho respostas — apenas o silêncio do meu duplo cinismo..

Acordei esta manhã sem pensamentos,
sem memórias vividas,
sem entender o vazio que habita minha vida,
sem vontade de seguir adiante.
O mundo amanheceu tão vazio quanto eu —
até meus pecados me esqueceram
ao despertar nesta manhã deserta.
O espelho quebrado já não reflete minha loucura.

Não me basta olhar nos olhos e dizer te amo. Sou um matuto que não economiza sinceridade quando o assunto é amor.

Se a dor do passado ainda te consome,
não serás digno de viver o amanhã
amordaçado, acorrentado ao caos em decomposição,
afundado no pântano da vergonha.

Mulher, você desavençou meus sentimentos.
Estavam bem guardados, protegidos, até você chegar.
Balançou geral, deixou tudo exposto para o mundo ver...