Coleção pessoal de Raimundo1973
Quem me conhece sabe: não me rendo. Entre dores e injustiças, sigo firme, porque minhas cicatrizes não definem a história que construí. O que me define é a dignidade, a honra, a justiça e a lealdade — valores que sustentam cada passo da minha jornada.
A impunidade não é apenas o triunfo dos perversos, mas também o fracasso dos que se calaram.
É o preço de cada olhar desviado, cada palavra sufocada, cada sono profundo em tempos de urgência.
É o eco do silêncio onde deveria haver clamor, a sombra que cresce onde a luz da coragem se apagou.
É a herança amarga deixada por cada gesto de indiferença, por cada voz que se recolheu quando deveria se erguer.
A impunidade é, em última instância, o pacto involuntário entre o crime e a omissão.”
Dizem que não tenho sentimentos,
que não me importo com ninguém,
que vivo num vazio imenso,
que o amor não me faz bem.
Águia ferida sou eu — e mais ninguém.
Alguém me viu voar,
com asas largas a balançar,
carregando um coração ferido,
porque sentir também é sofrer.
Águia ferida sou eu — e mais ninguém.
Que tolice imaginar que eu, em plena consciência do meu valor, vá implorar, suplicar ou mendigar aquilo que você não possui — nem em gestos, nem em essência — para me oferecer.
Mulher, és uma dádiva do Criador: meiga no trato, educada nas palavras, sincera no olhar, verdadeira nas intenções, justa nas atitudes e acolhedora como o abrigo de um lar.
Eu te enxergo além do que meus olhos alcançam — vejo tua alma, teus silêncios, tuas luzes e sombras.
Mas, ainda assim, não me permito sofrer,
porque aprendi a não esperar de quem não está disposto a doar.
Não é orgulho, é respeito próprio.
Não é indiferença, é liberdade.
E nessa liberdade, sigo em paz,
sabendo que o amor, quando verdadeiro, não se implora compartilha em simplicidade.
Eu não sei se tu lembras,
quando a tempestade chacoalhou nossas vidas —
vividas, adormecidas em memórias fúteis.
O nosso mundo, antes bonito e melhorado,
de repente estava devastado,
impróprio para reparos,
desbravado e distante de qualquer recomeço.
Na escuridão abissal da alma, o silêncio ecoa como um lamento antigo, implorando por misericórdia e compaixão.
Um grito, nascido do assombro e do medo, ergue-se suplicante, rasgando o vazio:
— Tenha piedade! Estou à deriva neste oceano sem margens,
cercado de presenças espectrais, mas condenado à solidão absoluta e só,
como quem caminha entre sombras e jamais encontra repouso no devastado vazio..
Não,não tem razão o coração que nao amou a solidão. Não,não tem amor o coração que nunca sentiu dor. É uma história nesta vida a gente sofre com a vitória. É lamentação o coração que não amou multidão. É uma triste poesia do amor.
Não é insulto nem provocação. Apenas não quero ter a oportunidade — nem a vontade — de olhar para o seu rosto. Afinal, quando vencemos a turbulência, não há desejo de reviver a catástrofe.
Quem supera o caos não busca reviver o desastre.
Quando vier invadir meus sonhos novamente, que seja sem máscaras — e sem roupa.
Que venha despido de artifícios, sem véus, sem defesas.
Traga apenas sua essência crua, sua pele nua, seu olhar que incendeia e consome.
Que seus passos ecoem como promessas, e seu silêncio fale mais do que mil palavras.Não quero fantasias: quero você — em carne, desejo e mistério.Quero o calor do seu toque, o peso do seu corpo, o enigma do seu querer.
Que seja real, intenso, imperfeito — mas seja você.
Persistir em diálogos com quem se fecha ao entendimento é como semear palavras em solo infértil — por mais nobres que sejam, elas não florescem. não busca entender quem já decidiu não aprender.
Você não faz ideia do que é. E isso é exatamente como deve ser. Não é para se ter ideia — porque o que não é ideia, permanece fora do alcance da compreensão. É uma ausência que se disfarça de conceito, uma sombra que se projeta sobre o pensamento sem jamais se revelar. Aquilo que não é ideia continuará sendo apenas uma ideia — uma ideia que não sabe o que é, que não se reconhece, que existe apenas como possibilidade, como ruído no fundo da consciência. É uma ideia sem ideia de si mesma, e talvez por isso, a mais pura de todas...
O ser que não se pensa é nada; nele não há ideia, e por isso o nada não sabe o que é por não ser nada.
No silêncio do passado esquecido, espero por ti.
Na estrada deserta, na curva estreita, encaro o destino que insiste em me assombrar.
Se vivo de ilusões e a esperança já se dissipou,
peço-te: não busques saber onde estou.
Habito um limbo — esquecido até por mim —
sem rastros, sem lembranças, apenas sendo.
Aguardo, sem saber quando,
o dia incerto,
a hora de partir.
O vento e a tempestade são passageiros, breves em sua fúria, mas os rastros da devastação que deixam repousam por longo tempo sobre a paisagem, como cicatrizes abertas na memória da terra, até que, pouco a pouco, a normalidade se recomponha.
Há um universo em você, que vai além do meu olhar, mistério de luz e magia que meus olhos desejam ver.
Tenho ciúmes até do vento que te toca.
Quando teus olhos cruzam os de outro alguém,
sinto um nó invisível apertar meu peito.
O teu perfume, quando invade outros pulmões,
é como se roubassem um pedaço do que é meu.
Tua elegância desfila com naturalidade,
teu charme é uma dança que hipnotiza,
e eu, espectador cativo, me desfaço em silêncio.
Quando a felicidade sorri nos teus lábios,
me alegro — mas também ardo.
É um fogo estranho, que não sei se é amor em excesso,
ou medo de não ser suficiente.
Esse ciúme não pede licença,
ele invade, domina, consome.
Não sei se é loucura, ódio ou amor
sei apenas que ele mora em mim,
como uma sombra que caminha ao lado do meu afeto.
Talvez amar seja também temer perder,
e nesse temor, eu me revelo inteiro.
O orgulho, a vaidade, a ambição desmedida, a ilusão de grandeza e a avareza são os alicerces silenciosos da ruína do ser humano frustrado.
Esses vícios, disfarçados de virtudes em uma sociedade que exalta aparências, corroem a alma e distorcem o propósito da existência.
Vivemos em busca de reconhecimento, acumulando bens e títulos como se fossem escudos contra a efemeridade da vida.
Mas, no fim, todos chegamos ao mesmo destino: nascemos de mãos vazias — e partimos sem espaço no caixão para as riquezas que tanto idolatramos.
O que permanece não é o que se possui, mas o que se compartilha.
A verdadeira grandeza está na humildade, e o legado mais duradouro é aquele que se escreve nos corações, não nos cofres.
