Coleção pessoal de Rady

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O Farol Deserto


Sou o mar que bate na rocha,
Insistindo em te moldar.
Você é a chama que apaga a tocha,
Se recusando a me queimar.


Rego a planta de plástico frio,
Esperando a flor brotar.
Sou o leito de um grande rio,
Que o teu deserto quer secar.


Grito forte em sala vazia,
Onde o eco é o meu rival.
Sua presença é moldura fria,
De um quadro sem final.

O nada e um algo

Eu não tenho nada
Pois o nada posso ter
Se o vazio me inunda
Com a ausência do seu ser


O meu peito vira um muro
Que afasta o teu olhar
E no eco desse escuro
Não consigo te tocar


Guardo a farsa na memória
Com o medo de perder
O final da nossa história
Se a verdade amanhecer

O Chão Oculto

O vazio não tem pressa,
muda de forma no escuro.
Caminho por uma promessa,
pisando em vidro inseguro.


Olho nos olhos que amo,
com o peito em sobressalto.
Sinto o peso do que chamo
de silêncio que grita alto.


A verdade é uma sombra
que ameaça me tocar.
O vazio me assombra,
pois o chão pode quebrar.

Em um limbo qualquer
Caindo sem parar
Espero pelo dia
Da minha queda chegar

é no sofrimento que nasce a arte...

Seja hoje o que gostaria de ter sido ontem...