Coleção pessoal de testeteste123
Nasci num país racista, onde ser negro é sinônimo de marginalidade e a branquealidade representa a utopia da classe superior.
Minha visão sobre a contemporaneidade é de não nos afunilarmos no desencanto. Sinto que a máquina tecnológica e a globalização perversa avançam para extinguir a poesia e a alma das coisas. O simples ato de perceber essa realidade já é uma forma de resistência, que nos permite encontrar e cultivar a beleza nas singularidades da existência.
Anacrônico
Carregar ideias anacrônicas
é como vestir roupas que já não cabem,
forçar o passo em sapatos gastos,
tentar reviver um tempo que já partiu.
Nada mais pesado que carregar pensamentos anacrônicos em tempos de mudança.
Pensar com ideias anacrônicas é viver preso ao passado.
A vida não espera relógios parados,
ela pede olhos que vejam o agora,
corações que se abram ao presente,
coragens que caminhem adiante.
O passado é raiz, não prisão.
O futuro é semente, não ilusão.
E o presente — esse instante vivo —
é o único solo fértil
onde floresce a transformação.
A nossa existência é construída a partir da presença do outro. A voz que dialoga, para Bakhtin, é a fonte do ser; já para Sartre, o ser se defende do olhar que o coisifica. Essa contradição revela que o outro é, ao mesmo tempo, a força que nos edifica e a ameaça que nos reduz. É uma dualidade que, como notou Rudolf Otto ao descrever o sagrado, transpomos aqui para a própria relação humana: um mistério que nos atrai e nos inspira temor.
Afastei-me da prosa, da poesia e literatura nos últimos dias, pois até nisso sou um medíocre e um covarde que não merece menos do que propriamente dito sobre o meu estado de ser, a repugnância da minha existência sentenciada ao isolamento, e do estado de agir que está afastando do único momento que sinto que me faz realmente sentir um pouco do que molda um ser realmente humano, e que alimenta a minha pouca vontade de viver e alivia a angústia da minha existência, e o peso da minha consciência, que todos os dias martela no fundo da minha alma, e no único e breve momento do descanso do meu corpo, a minha consciência ludibria que vai descansar e esquecer de relembrar o meu estado, que sou o ser mais repugnante e miserável que pisou sobre o solo deste mundo condenado a fracasso da espécie humana. Mas ela não para de lembrar de todos os momentos, que pude ser realmente algo humano, e não fui, pois sou um homem miserável e supérfluo, e estou repetindo esse estado de existência, e não estou fazendo nada, pois sinto que existe alguma força interna que deixa não eu mudar meu estado atual, e o meu ser não vai deixar nenhuma marca da minha existência condenada ao esquecimento e a humilhação, pois não me conectei com o que me faz realmente me sentir humano.
A chuva, um sentimento do céu, desce e canta com a saudade, uma canção líquida que anseia pelo regresso. Ela se dissolve no chão e no mar, completando o abraço da alma do mundo, onde o céu e a terra são, na essência, um só corpo, em um ciclo eterno de separação e reencontro.
