Coleção pessoal de testeteste123
A paz não é um presente que se recebe, mas um estado que se cultiva. É irradiar serenidade e magnetizar tudo ao redor, escolhendo conscientemente o que se permite aproximar e o que se deixa partir.
Tudo em mim foi esquecido, menos o que doeu. Porque a dor tem memória, e o coração, mesmo em silêncio, ainda se lembra.
Me chame de vida, se for capaz de me colocar na sua…
Mas não me chama se for pra me deixar morrer em você.
Somos sortudos.
Cobertos da incerteza,
desconhecemos o dia da partida.
Se aqui não buscarmos quem somos,
de nada terá valido tamanha teimosia em ficar.
Não sou tão fraco que não possa te derrubar, nem tão forte que precise te ferir. Cada instante exige uma medida — há tempo para a euforia e tempo para a quietude. Nunca julgue sem conhecer a essência de quem se apresenta diante de ti; assim como não se sabe se a lâmina perdeu o corte antes de tocar seu fio.
Se há medo
em decisões
enfiadas na gaveta
Abuse da curiosidade
sobre quem você se torna
se arrancá-las de lá
Não sou tão fraco a ponto de não te derrubar, nem tão forte a ponto de te ferir. Há uma etapa para cada momento — tanto de euforia quanto de calma. Jamais julgue sem conhecer o valor de quem se apresenta diante de ti; do mesmo modo, não se pode saber se a faca está sem corte antes de tocar o fio fica a lição.
“O homem verdadeiramente livre não é aquele que faz o que deseja, mas aquele que não é dominado por seus próprios desejos.”
"Quanto mais acessível é algo, menos valor agrega." O único que quebra essa lógica é Jesus Cristo, o mais acessível, o mais valioso.
Sinto-me em paz ao perceber que há quem não suporte minha presença.
O lado positivo de não ser compreendido está na liberdade de não precisar agradar quem não se dispõe a entender.
Afinal, nem mesmo o Criador que ama o mundo incondicionalmente consegue agradar a todos.
O Gato da Rua 15
Na calçada fria, número quinze, Mora um ser de pelo, com manhas e guinze. Não tem pedigree, nem lar aconchegante, É o Gato da Rua 15, o andarilho elegante.
Seus olhos de esmeralda, atentos e sagazes, Viram noites de estrelas, manhãs vorazes. Conhece cada fresta, cada portão fechado, Onde um afago, às vezes, é-lhe dado.
Esguio e ligeiro, em busca de um petisco, Desvia de carros, corre sem risco. Salta muros altos, some entre os quintais, Dono do seu tempo, livre de rituais.
Às vezes, um miado, manhoso e sutil, Pede por carinho, um gesto gentil. Mas logo se afasta, volta à sua postura, Um felino independente, de alma pura.
Testemunha silenciosa do ir e vir da gente, Seu reino é o asfalto, seu teto o crescente. O Gato da Rua 15, figura marcante, Um mistério felino, sempre errante.
AMADA, EU SOU PRETA!
Ainda outro dia…
Uma pessoa me perguntou:
— Eli, onde ficam escondidos esses pretos e pretas tão bonitos (de ver, claro — mas eu não me vestiria assim, nem colocaria meu cabelo desse jeito!) que desfilam no Ilê Aiyê?
Não os vejo no nosso dia a dia!
Respondi:
— Estão aí, amada, no seu pré-conceito.
É nele que se escondem os pretos que você não vê.
Precisa rever seus conceitos, só então os verá.
Os pretos estão nas ruas da sua cidade natal,
que transpira ancestralidade africana,
mas você não reconhece.
Eles estão no reflexo do seu espelho,
porque se não conhece sua história,
não sabe quem é.
Estão na forma como você me olha
porque entre “amigos” o preconceito é disfarçado,
mas a verdade sempre escapa.
Os pretos estão nas crianças que brincam na rua,
(os “pivetes” do seu bairro periférico);
nos homens que chegam cansados do trabalho
(os “peões”, “marmiteiros”);
nas mulheres que fazem milagre no mercado
(a guerreira que compra o que dá, com o pouco que tem);
nas mães solo e seus filhos
(os “moleques” que o mundo já julga).
Estão nos jovens da periferia, mortos a todo instante
trabalhando ou não, sempre rotulados como marginais.
Nos moradores de rua, sem assistência, sem resistência.
Nos trabalhadores, explorados pelo capital.
Nos estudantes que enfrentam um sistema educacional desigual,
lutando pelo direito de aprender
e pela reparação que vem em forma de cotas.
Estão também nos empresários e nos esportistas
que abriram brechas nas muralhas do racismo,
que resistem e existem.
Somos todos nós, brasileiros e brasileiras
nascidos dessa diáspora afrodescendente.
Mas muitos ainda escolhem negar,
se escondendo atrás de conceitos limitados,
sem consciência da própria história,
sem saber quem são.
Hoje, essa pessoa me evita…
Mas eu sigo.
Pretamente.
Felizmente.
No meu caminho de preta.
A fé é esse sopro invisível que nos faz enxergar além do que os olhos alcançam.
É o fio que liga a gente a algo maior; uma presença serena,
que orienta, acolhe e conduz, mesmo quando o caminho parece incerto.
Ter fé é abrir espaço dentro do peito para o mistério
e permitir que o divino se revele nos detalhes.
Porque, quando o coração confia,
a vida encontra um jeito bonito de abençoar.
— Edna de Andrade
“Nada é mais perigoso do que um homem que curou suas feridas sozinho. Esse homem mergulhou no mais profundo dos seus medos; caminhou nos labirintos da Alma, sem bússola ou luz que guiasse seus passos; gritou pedindo socorro e não conseguiu ouvir o eco dos seus gritos; lambeu suas cicatrizes e sentiu o gosto amargo da solidão; abraçou a solidão e sentiu o arrepio de experimentar a assustadora condição humana; conversou com seus demônios e compreendeu cada um deles e... agradeceu.
No entanto,nada é mais libertador do que curar as próprias feridas, bater o pé no fundo do poço e subir até a superfície.
Sentar no olho do furacão e dizer a si mesmo - Eu sou o furacão!”
