Coleção pessoal de testeteste123

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O IRREPETÍVEL


Há coisas que não se repetem.
Não por falta de tentativa, mas porque o mundo não devolve o mesmo vento duas vezes.


Você até buscou a fresta que um dia se abriu — a mesma luz, o mesmo acaso, a mesma vertigem. Procurou outro corpo onde a memória coubesse, outra pele com o mesmo ritmo secreto, outro olhar capaz de fazer a respiração errar o passo.
Mas não havia réplica.


O que aconteceu — aconteceu numa combinação que não se fabrica:
um gesto que não estava previsto,
uma falha no tempo,
uma distração do destino.
Foi ali que algo passou por você e não voltou.


Depois disso, tentou reorganizar o enigma.
Mudou a cena, trocou os nomes, alterou o cenário — e o milagre permaneceu imóvel, como se dissesse: não me convoque.
Há eventos que não obedecem.


Você percebeu tarde que não buscava outra pessoa.
Buscava o ruído exato daquele instante — aquele som que só seu coração reconheceu e nunca mais ouviu.
Mas não se captura o eco de algo que só existiu no momento em que rompeu o silêncio.


O resto é tentativa.
E tentativa tem outro brilho.


O que ficou não é lembrança, é marca:
um leve desvio na alma, um lugar onde o mundo tocou e retirou a mão antes que você entendesse o gesto.
Não há como refazer isso.
O universo não trabalha com versões revisadas.


Há histórias que não querem continuação.
Querem apenas ser o que foram:
um rasgo preciso,
um acontecimento sem repetição,
um idioma que você só escutou uma vez
e nunca mais soube pronunciar.

O IRREPETÍVEL


Há acontecimentos na vida que não admitem reedição.
Por mais que a memória tente rearrumar as peças, por mais que o coração procure réplicas, por mais que o desejo se vista de esperança, certos encontros pertencem a um único instante do universo, e jamais regressam com a mesma força.


Não porque falte coragem.
Não porque falte amor.
Mas porque o caos — esse dramaturgo secreto — escreveu um enredo que não se repete.


Há amores que não voltam porque não nasceram para durar: nasceram para revelar.
Há paixões que nos atravessam como relâmpagos — belas, breves, devastadoras — e deixam em nós uma claridade que nenhuma rotina suporta.
E, ainda assim, tentamos.


Tentamos reescrever a história.
Tentamos transplantar a emoção de um corpo para outro, como quem tenta acender uma fogueira com cinzas frias.
Tentamos encaixar um novo rosto no formato exato do antigo.
Tentamos repetir o gesto, o riso, o perfume, o tremor, como quem repete feitiços que perderam o encanto.


Mas o coração não aceita imitadores.


O que nos marcou não foi apenas a pessoa — foi o instante.
A circunstância.
O invisível.
Aquela interseção secreta entre tempo e alma, onde algo se abriu dentro de nós e nunca mais fechou no mesmo lugar.


É inútil reinventar o que foi único.
O universo emocional não admite plágio.


Há feridas que só aquele corpo sabia curar.
Há abismos que só aquela voz sabia atravessar.
Há silêncios que só com aquele olhar faziam sentido.
Há vertigens que só aquele toque despertava.


Transferir esse sentimento para outro contexto é como tentar mover uma constelação inteira para outro céu.
Nenhum encaixe funciona.
A geometria do amor é exata demais para ser manipulada.


Talvez seja essa a beleza brutal da experiência humana:
nem tudo é reaproveitável.
Nem todo amor é reciclável.
Nem toda paixão sobrevive à tentativa de repetição.


O que vivemos uma vez, vivemos uma vez apenas.
E é justamente essa precariedade que faz do instante um milagre.


Não caberá em outro corpo.
Não caberá em outra história.
Não caberá em outra tentativa.


O máximo que podemos fazer é honrar a verdade do que sentimos — e seguir.
Não como quem busca substituições, mas como quem reconhece que há acontecimentos que são portas: abrem-se uma vez e nunca mais se repetem no mesmo lugar.


E talvez seja assim que o caos nos ensina:
não para que reconstruamos o que acabou,
mas para que aceitemos que o irrepetível também é uma forma de eternidade.

Pelo meio democrático se chega ao poder, mas por esse mesmo meio democrático não é possível destituir um tirano.

Entre o medo de agir e a coragem de enfrentá‑lo existe um abismo assustador, e é nessa travessia que não apenas descobrimos quem realmente somos, mas também revelamos nossa determinação diante daquilo que desejamos.

A ficção é um corte letal.

Carlos Alberto Blanc

● Eu poderia continuar a escrever romance? Absolutamente não parei, entretanto o suspense e o terror ganharam minha convicção, até o medo real e afiado que desafio entre os dedos a cada letra — a ficção é um corte letal.

"As vezes a oração é só um suspiro, mas que Deus entende tão perfeitamente que responde com toda clareza do céu"

"A questão não é se devo ou não fazer loucuras, mas sim se estou preparado para as consequências."

"De todas as dores e sofrimentos que possam ser produzidos em alguém, a ingratidão e a mais doída"

Às vezes, para ter paz, é preciso fazer o papel de vilão. Nem sempre agradamos a todos, mas proteger nosso equilíbrio e limites exige coragem para enfrentar olhares e julgamentos. A paz interior vale cada sacrifício, mesmo que isso signifique ser visto como o vilão da história.

Não é a distância geográfica que afasta as pessoas, e sim o coração.

«O pior do impulso não é o erro, é a lembrança clara da sua própria e grande estupidez.»


(Miguel Ribeiro in "Aforismos").

Seus limites não são reais, apenas histórias que você aprendeu a acreditar.

Não peça sinais ao universo, torne-se o sinal.

Se aquele menino descalço, na porta que você fechou, fosse o Menino Jesus...


Benê Morais
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Solte o controle, abrace o fluxo.

⁠"Ler também é uma das melhores formas de se encontrar."

Ouça sem moderação.

Pessoas presunçosas não têm amigos, têm bajuladores, e onde há bajulação, há fingimento.

E se fosse ele? O menino Jesus invisível na porta que você fechou.


Benê Morais
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